quarta-feira, 28 de março de 2012

segunda-feira, 26 de março de 2012

Pesa, viu

Porque às vezes é bem isso que a gente sente mesmo:


(imagem do www.melhoramiga.com.br)

domingo, 25 de março de 2012

Tristinha

Quinta meu cachorro foi pro céu dos bichinhos, então a inspiração não deu as caras nos últimos dias. Mas em breve voltaremos com a programação normal.

domingo, 18 de março de 2012

O tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem *

É engraçado como a nossa percepção do tempo e dos anos muda conforme vamos ficando mais velhos. Ou não, o que torna as coisas meio estranhas. Me explico com um exemplo: esta semana, aqui onde eu moro, estavam falando dos 20 anos de um atentado terrorista contra judeus (coisa light, né?). Aí vieram na minha cabeça umas imagens meio anos 70, sabe? Não do atentado em si, embora eu até lembre de ter visto na TV umas imagens, mas sei lá, na minha cabeça 20 anos atrás é anos 70. Só depois percebi que estavam falando de 1992, não dos anos 70. Há 20 anos era a década de 90. Mas parece que eu ainda tenho a percepção de "20 anos atrás" da época de pré-adolescente.

Eu tenho amizades da época do colégio. As mais antigas, feitas entre 91 e 93. Tenho amigos de antes ainda, embora não os veja há anos. Esses são meus amigos de sempre.  Mas tenho também amigos "novos", ou que me parecem novos. Mas esses surgiram na minha vida no primeiro ou segundo ano da faculdade, entre 99 e 2000. Ou seja, de novos não têm nada. E tem também os mais novos ainda, que quando eu paro pra pensar eu conheci há 8 anos, ou 3. E o que são 3 anos? Nada. Antes eram tudo, em três anos a gente crescia pra caramba, ou mudava completamente, ou ia do ginásio pro colegial. Agora, três anos atrás foi ontem.

O conceito de "velho" também muda. Quando eu tinha 11 anos, eu e minha amiga morríamos pelo irmão de um amigo. Ele era totalmente inacessível, já que estava no colegial e já era grande, quase um adulto pra gente. Ele tinha 15 anos. Hoje em dia a gente nem respeita quem tem 15 anos, né? 15 anos? Cala a boca, fedelho.

Aos 20, os de mais de 30 eram velhos. A mulher de mais de 30 já era coroa. Aos 30, coroa é o cacete, nem os de 40 são velhos mais, aliás tem muuuuita mulher de 30 de olho nos quarentões. Nem os de 50 ou 60 são velhos, afinal eles são os nossos pais e nossos pais não são velhos. Ou são? Pensando bem, papai já não tem aquela cabeleira de quando eu era pequena. Pensando bem, mamãe está um pouco mais enrugada. Mas não, velhos são os nossos avós, que sempre foram velhos. Não é? Não, na verdade. As coisas não são bem assim.

Não sei se me fiz entender com este post. Talvez tenha ficado meio confuso. Como o próprio tempo, aliás, que por mais que seja lineal, dentro da gente pode não fazer muito sentido.

* O título é parte de um trava-língua de um livro que tenho há algum tempo... bom, há muito tempo, eu o ganhei quando tinha uns 5 anos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Tumblr ótimo

Hoje descobri através de amigos descolex o ótimo tumblr Meu CV em Anexo, que mostra preciosidades de currículos deste Brasil afora. Mandei uma sugestão que ficou nos anais da história (da minha, pelo menos) e publicaram! Fiquei toda felizinha! Vão lá:  http://meucvemanexo.tumblr.com/ 

Frase do dia

Os diamantes são os melhores amigos da mulher e os cachorros são os melhores amigos do homem. Agora você já sabe qual dos sexos é mais sensato. (Zsa Zsa Gabor)

quarta-feira, 7 de março de 2012

As Viagens de Nadja - II - A Viagem do Medo ou O Dia em que Quase Fui Presa

Julho do longínquo ano de 2004. Foz do Iguaçu - São Paulo de ônibus. Programão. Passagens compradas de uma empresa famosa, respeitada. Quinta, 20h30. Ônibus convencional. Que merda, mas fazer o quê. 

Quando nos aproximamos do busão, eu e minhas amigas, as queridas primas Karen e Chiara, começamos a rir um pouco nervosamente: as caras dos que seriam nossos companheiros de viagem eram um tanto estranhas. Homens com caras e atitudes suspeitas, mulheres com caras e roupas de damas de "vida fácil". Mas ainda mais estranha era a quantidade de bagagem que cada um deles trazia. Sacolas xadrezes enormes, que se vendem aos montes em Ciudad del Este. Vocês podem imaginar pra quê elas servem, né? Transporte de muamba, claro. E várias outras malas e sacolas suspeitíssimas.

Ok, um busão dominado por sacoleiros. Deixa quieto...

Embarcamos.

Quando sento e tento deitar o banco, descubro que meu assento estava quebrado. Ele deitava, mas não ficava na posição. Se eu desencostasse, ele subia de novo. Maravilha!

No início da viagem o ônibus parou em várias cidadezinhas mais ou menos próximas umas das outras. Ele deve ter feito umas quatro ou cinco paradas, bem pinga-pinga, mesmo. Na primeira parada, alguns dos passageiros do nosso busum desceram e, com a ajuda de um grupo grande de pessoas que os estavam esperando, embarcaram mais "sacolas". Na segunda parada, surpresa!! O mesmo "grupo grande de pessoas" estava lá! E dá-lhe muamba! Na terceira parada, adivinhem: isso mesmo! O grupo! Mais muamba! Eles estavam seguindo o ônibus! Que tranqüilizador.

A certa altura, o ônibus foi parado pela polícia. Dois policiais subiram e fizeram uma revista. Olharam as sacolas que caíam pelo bagageiro acima dos bancos, algumas que deixavam ver claramente centenas de capas de celulares e outras bugigangas. Fiquei meio com medo, sei lá. Perguntei a um deles se aquilo era uma operação de rotina ou se eles estavam desconfiados de algo, e ele disse "é de rotina. Por quê, vocês sabem de algo"?? Não, não, seu guarda, imagina!

Eles pegaram um dos moleques sacoleiros (que no começo da viagem conversava com outros, "quem é seu patrão?") e o fizeram descer com as sacolas que levava. Um tempinho depois, ele voltou e o ônibus seguiu viagem.

Logo depois, plena madrugada, paramos em um centro de encomendas da empresa. Seguramente não era uma parada programada. Quem sobe?? Integrantes do "grupo" das outras paradas! Com mais muamba!!!! O menino que havia sido "interrogado" desceu, e subiu outro no lugar dele.

Continuamos. Nisso já era uma hora da manhã e nós já estávamos extremamente incomodadas com a situação. Ainda por cima, dois integrantes do bando falavam alto, próximos da gente, sobre um churrasco, não sei quantas picanhas na casa de fulano. "Karen, vou pedir pra eles falarem mais baixo". "Meu, você que sabe, eu não faria isso".

Falo com a voz mais doce e educada possível: "por favor!"

Assim que acabei de pronunciar essas duas palavras, me arrependi. Um deles, que depois vim a descobrir que era o chefe do bando, me olhou com uns olhos injetados, um olhar de "que que foi aí" de paralizar qualquer um. Como quem tá na chuva é pra se molhar, respirei fundo e continuei, com a voz ainda mais doce: "vocês poderiam falar um pouquinho mais baixo, que nós estamos tentando dormir?"

"Porra, até falar tá incomodando agora?"

"Obrigada, obrigada". Me calei para sempre. E obviamente eles não pararam de falar.

Não conseguia pregar os olhos. A Karen dormiu, embora ás vezes acordasse para reclamar, e a Chiara já estava no vigésimo quinto sono, como se estivesse na Cama dos Sonhos da Barbie.

Estava preocupada com as minhas coisas, com medo de que alguém as roubasse. A porra do banco não parava e eu não ousaria tentar sentar em algum outro lugar. Pelo menos eu tinha meu discman (faz tempo, gente) com o fone novo que eu havia comprado no Paraguai.

Quatro horas da manhã, outra parada. Olho pela janela e vejo policiais ao redor do ônibus. Um deles sobe e diz algo que nós, que estávamos no fundo, não ouvimos. Só ouvi que terminava com "mercadorias". Ninguém disse nada, e ele, já no fundo do busão, continuou: "pela resposta, sim, né?" E já na parte da frente: "tá todo mundo preso. Vocês serão levados para a delegacia blá blá blá de Maringá".

Ah, que alegria. Eu, que nunca fiz nada a ninguém, presa. Quer dizer, uma vez, no colégio, eu já era grande e roubei o lanche Mirabel de uma menininha pequena, que o havia deixado em um banco enquanto tirava outras coisas da lancheira. Mas me arrependi na hora, juro!

A Karen já queria descer, "eu sou advogada", e a Chiara ainda na Cama dos Sonhos. Mas na mesma hora o chefe do bando e mais alguns desceram para "bater um papo" com os guardas. Karen ainda se levantou de novo, mas um deles disse "é melhor não descer, eles já estão arranjando tudo".

Bom momento pra falar do chefe, aliás. Gordinho, atarracado, moreno. Pouco cabelo, aqueles olhos injetados. Sabem quando aparecem no Fantástico as fotos 3x4 de uns assassinos, chefes do tráfico, que foram presos ou estão sendo procurados? Eles não tem mais ou menos a mesma cara? Então, ele era assim.

Passado quase uma hora, eles voltam. Um dos que haviam descido, que depois eu vim a descobrir que não era sacoleiro, diz á sua acompanhante: "eles puseram 1000 reais na mão dos caras". Que ótimo. É bom se sentir protegida. Agora podemos seguir viagem tranqüilamente.

A cada parada, eu levava todos os meus pertences. E evitava olhar na cara de qualquer um dos nossos companheiros de viagem, por via das dúvidas.

A Karen, numa das paradas, ainda disse alguma coisa para o fiscal da empresa. "Como está sendo a viagem?" "Péssima". Mas ele disse que era assim mesmo, que quinta é o dia em que os contrabandistas viajam. O que nos revoltava era: por quê eles não avisam? Se é algo tão sabido, como ninguém faz nada?? Porque era óbvio que o(s) motorista(s) estavam mancomunados com eles, o que deveria ser motivo de punição ou até demissão.

Foram 16 horas de tormento. Não dormi nada, o ônibus era uma merda e nem vou falar de novo dos outros passageiros. Quase todos faziam parte do bando, menos nós e dois casais, acho. Ficamos de escrever pra empresa, reclamar, fazer o cacete a quatro. Mas o tempo foi passando, a gente foi desencanando, e tudo acabou em nada.



Viagenzinha safada, essa, viu? Mas valeu por ter estado com as meninas, por ter visto as Cataratas e por ter ganho um autografo do Wando (que Deus o tenha) da Chiara que eu guardo até hoje. 


Nem tudo é Grécia nessa vida, né?


Fotinho das Cataratas tirada nessa viagem: 


segunda-feira, 5 de março de 2012

Impiastro

Agora há pouco eu lembrei de uma pessoa que graças ao bom Jesus não faz mais parte da minha vida. Aí pensei "que bom que me livrei daquele impiastro!!" Minha mãe sempre usa esta palavra e me bateu a dúvida se ela existia em português ou se era herança da nossa família siciliana, assim como meu hábito de dizer "cazzo" e meu amor pelas massas. Pelo que o Google me disse, é italiana mesmo mas "muito usada no Sul e Sudeste do Brasil por causa da imigração italiana".

Impiastro é um intruso, uma pessoa que incomoda, que atrapalha a sua vida. Também significa "emplastro" mas isso não vem ao caso.

Estou explicando tudo isso só pra dizer que a gente não escapa dos impiastri que a vida coloca no nosso caminho. São como obstáculos que nos atrapalham, nos atrasam, nos puxam pra baixo. Mas só depende de nós ficar livres deles, viu? Não estou incentivando assassinatos, obviamente, mas podemos cortar relações, sair de perto, tomar uma atitude ou simplesmente ignorar o impiastro que nos cabe.

Melhor que fazer isso é usar o impiastro pro seu próprio bem. Como? Aprendendo com o exemplo negativo que ele dá, vendo o que não fazer, ou percebendo o que você pode mudar em si mesmo e na sua vida para nunca chegar a ser como ele em nenhum aspecto ou para se livrar dele de vez.

Agora que me livrei do impiastro que estava me incomodando, eu digo e repito: livre-se do seu você também. Faz um bem...

*****

Nada a ver com o post, mas esqueci de publicar antes: quem quiser escutar minha voz falando espanhol com sotaquinho brasileiro, escute o programa Canta Brasil da Rádio Palermo de Buenos Aires da sexta retrasada aqui. É o 598. Eu sou a convidada "especial" (como é bom ser amiga da locutora!) e falo um pouco no comecinho, quando me apresentam depois das vinhetas, e mais um pouco no final, quando falam sobre música sertaneja. Falei 3 palavras e dei 200 risadas, mas valeu! Adorei participar!