Eu adoro flores. Não a ponto de saber tudo sobre elas e de passar horas cuidando do jardim (aliás, que jardim?), mas gosto, acho todas lindíssimas, adoro o cheiro, as cores.
Na minha casa só tinha dois vasinhos com umas florzinhas de pRástico. E eu sempre pensava "bem que eu podia comprar flores de verdade, gostaria de ter flores em casa, fica tão bonito." Mas tem que cuidar, mas tem que ir lá comprar, mas, mas, mas, e na minha casa nunca tinha flores.
Anteontem passei por uma banquinha de flores e pensei "olha aí, é fácil! Por que não?" E comprei um raminho que achei bonito, colorido, nem sei bem que flores são. Coloquei em um vaso grande que ficava guardado e coloquei raminhos nos dois vasinhos. Improvisei uma toalhinha com um guardanapo de tecido pra não arranhar a mesa. Joguei as de pRástico fora.
Fiquei pensando que na verdade a única coisa que me impedia de ter flores em casa era ir lá e comprá-las, o que não é nada muito complicado. E pensei também em quantas vezes a gente pensa "poxa, eu gostaria de..." e acaba não fazendo porque simplesmente não faz. Gostaria de ler mais, gostaria de se organizar melhor, gostaria de ver mais os amigos. Ás vezes o impedimento é a gente mesmo e só.
Vamos parar com isso?
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
De mulher pra mulher
Eu ando choramingando que tenho zilhares de coisas pra resolver até um dia determinado. Até fiz isso ontem no blog. Trabalho, carro pra vender, coisas pra arrumar, uma pequena viagem antes da grande viagem, burocracias, reservas de hotel, compra de passagens, etc etc etc. Coisas, coisas e mais coisas. E o relógio fazendo tic tac na minha cabeça.
A TPM esses dias falou disso aqui: http://revistatpm.uol.com.br/revista/122/reportagens/voce-deu-conta-de-tudo-hoje.html
Aí hoje eu estava choramingando para a pessoa mais choramingável que eu conheço, minha mãe. Ela não choraminga, mas ela é minha mãe, e pra quem a gente vai choramingar se não for pra mãe? Bom, meu pai também cumpre essa função, mas acho melhor choramingar com a mãe, uma coisa assim meio de mulher pra mulher (Mariiiisaaa).
Ela nem ouviu todo o meu choramingar e já foi dizendo: "credo, filha, você choraminga muito! Nem parece mulher! Você não sabe que as mulheres fazem 500 coisas ao mesmo tempo?"
"Sei, mãe, eu faço!" Foi a minha resposta a ela.
Faço, mas não curto, não.
Um sonho: uma personal assistant só pra cuidar de burocracia, dinheiro, arrumações e coisas chatas em geral. Eu ficaria só com as coisas bacanas e coloridas da vida.
Ah, e um closet também não seria nada mal. Isso não tem nada a ver com fazer muita coisa ao mesmo tempo, mas já que comecei a falar de sonhos...
(*) a imagem, peguei daqui: http://anttoniocronica.blogspot.com.ar/2010/11/mulher-polvo.html
A TPM esses dias falou disso aqui: http://revistatpm.uol.com.br/revista/122/reportagens/voce-deu-conta-de-tudo-hoje.html
Aí hoje eu estava choramingando para a pessoa mais choramingável que eu conheço, minha mãe. Ela não choraminga, mas ela é minha mãe, e pra quem a gente vai choramingar se não for pra mãe? Bom, meu pai também cumpre essa função, mas acho melhor choramingar com a mãe, uma coisa assim meio de mulher pra mulher (Mariiiisaaa).
Ela nem ouviu todo o meu choramingar e já foi dizendo: "credo, filha, você choraminga muito! Nem parece mulher! Você não sabe que as mulheres fazem 500 coisas ao mesmo tempo?"
"Sei, mãe, eu faço!" Foi a minha resposta a ela.
Faço, mas não curto, não.
Um sonho: uma personal assistant só pra cuidar de burocracia, dinheiro, arrumações e coisas chatas em geral. Eu ficaria só com as coisas bacanas e coloridas da vida.
Ah, e um closet também não seria nada mal. Isso não tem nada a ver com fazer muita coisa ao mesmo tempo, mas já que comecei a falar de sonhos...
(*) a imagem, peguei daqui: http://anttoniocronica.blogspot.com.ar/2010/11/mulher-polvo.html
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Casa de homem
Casa de homem que mora sozinho é um negócio engraçado, e mais ainda para nós mulheres. Uma ou outra é mais ajeitadinha; alguns com mais dinheiro contratam uma decoradora e fica tudo lindo (sempre com as cores preto, cinza e afins), mas em geral a casa de um rapaz é bem espartana: tem uma cama (de solteiro), uma escrivaninha, TV, DVD, geladeira, micro-ondas e, em casos mais luxuosos, um sofá que vira sofá-cama de casal. Mas ele vai estar meio sujinho. Aliás, depois abordamos a (falta de) limpeza destes locais.
Uma palavra pode resumir como é casa de homem: ausência. Ausência de lugar pras visitas sentarem, pra namorada deixar a roupa, de apetrechos de cozinha, de móveis, de cortinas, de lençóis, de tupperwares. "De tupperware, Nadja?" É!! Homem sozinho só tem tupperware se a mamãezinha ou a namorada mandarem comida. Se sobrar comida, vai a panela ou a embalagem do delivery pra geladeira mesmo e pronto. "Mas nem um coisinho pra guardar frios, Nadja?" Pra quê, gente, se você tem pratos? Um em cima do outro com os frios dentro e voilà!
Ou seja, a ausência existe mas sempre é driblada de alguma maneira na casa de um rapaz solitário. Se não tem mesa, caça com a escrivaninha. Se não tem taça, caça com a caneca (da Oktoberfest de 97). Se não tem poltrona, caça com a cadeira de vime quebrada que era da casa da tia Gertrudes em Itanhaém. Se não tem enfeites, caça com o quadro obscuro que já estava lá quando ele se mudou e por alguma estranha razão ele nunca ousou tirar do lugar. Se não tem estante, caça com umas caixas de origem desconhecida, e por aí vai.
E o banheiro dos moços? É um caso à parte: sempre relativiza o conceito de "higiene". Pelos podem estar onde menos se espera, coladinhos em algum azulejo ou no sabonete com o qual você estava lavando as mãos. O box pode conter OVNIS (objetos visíveis não identificados) e o chão, se tiver um tapetinho, será um milagre. As toalhas não podem ser novas (eram da mamãe na verdade) e devem emanar um aroma estranho, azedo. A toalhinha de mão, se existir, será de uma cor indefinida e será trocada quase como em revisão de carro, a cada dois anos ou 20 mil km. O cheiro será ruim ou pelo que se faz ali, ou por causa dos produtos de limpeza e aromatizantes vagabundos que ele insiste em comprar, ou pelo doce resultado da mistura de ambos, algo como "doze elefantes cagaram no campo de lavanda". E não haverá mais de dois frascos no box: homem que é homem tem shampoo e, em alguns casos, condicionador (e olhe lá). Sem contar o sabonete (com pelos, sempre). No armarinho (sempre enferrujado), tem desodorante, espuma de barbear e, se ele for bem vaidoso mesmo, gel de cabelo Bozzano (que L` Orèal é de viado).
A cozinha acompanha o tom do banheiro. Não pela quantidade de pelos, mas sim pela higiene duvidosa. Por exemplo, alguns rapazes praticam uma involuntária criação de fungos deixando comida apodrecer na geladeira, onde em geral há mais cerveja que comida. Os OVNIS ficam no forno e no fogão. O papel-toalha, se existir, assume uma função coringa: guardanapo, pano de prato, pano de chão, entre outras. As poucas panelas são todas herdadas, faziam parte dos presentes de casamento da mãe de 35 anos atrás. A decoração é nula, há apenas o que já estava lá antes e não importa que as portas do armário estejam caindo.
E a gente aqui nas nossas casinhas cheias de graça, com enfeites coloridos, aromatizante de tecidos de lojinha bacana, tapetinhos e quadrinhos... mas querendo morar com os rapazes dos sabonetes peludos! Como a gente pode continuar querendo isso depois de ver como eles moram? Alias, será que é justamente por isso, a gente quer "ajeitar" e "cuidar deles"? Pra se pensar...
Uma palavra pode resumir como é casa de homem: ausência. Ausência de lugar pras visitas sentarem, pra namorada deixar a roupa, de apetrechos de cozinha, de móveis, de cortinas, de lençóis, de tupperwares. "De tupperware, Nadja?" É!! Homem sozinho só tem tupperware se a mamãezinha ou a namorada mandarem comida. Se sobrar comida, vai a panela ou a embalagem do delivery pra geladeira mesmo e pronto. "Mas nem um coisinho pra guardar frios, Nadja?" Pra quê, gente, se você tem pratos? Um em cima do outro com os frios dentro e voilà!
Ou seja, a ausência existe mas sempre é driblada de alguma maneira na casa de um rapaz solitário. Se não tem mesa, caça com a escrivaninha. Se não tem taça, caça com a caneca (da Oktoberfest de 97). Se não tem poltrona, caça com a cadeira de vime quebrada que era da casa da tia Gertrudes em Itanhaém. Se não tem enfeites, caça com o quadro obscuro que já estava lá quando ele se mudou e por alguma estranha razão ele nunca ousou tirar do lugar. Se não tem estante, caça com umas caixas de origem desconhecida, e por aí vai.
E o banheiro dos moços? É um caso à parte: sempre relativiza o conceito de "higiene". Pelos podem estar onde menos se espera, coladinhos em algum azulejo ou no sabonete com o qual você estava lavando as mãos. O box pode conter OVNIS (objetos visíveis não identificados) e o chão, se tiver um tapetinho, será um milagre. As toalhas não podem ser novas (eram da mamãe na verdade) e devem emanar um aroma estranho, azedo. A toalhinha de mão, se existir, será de uma cor indefinida e será trocada quase como em revisão de carro, a cada dois anos ou 20 mil km. O cheiro será ruim ou pelo que se faz ali, ou por causa dos produtos de limpeza e aromatizantes vagabundos que ele insiste em comprar, ou pelo doce resultado da mistura de ambos, algo como "doze elefantes cagaram no campo de lavanda". E não haverá mais de dois frascos no box: homem que é homem tem shampoo e, em alguns casos, condicionador (e olhe lá). Sem contar o sabonete (com pelos, sempre). No armarinho (sempre enferrujado), tem desodorante, espuma de barbear e, se ele for bem vaidoso mesmo, gel de cabelo Bozzano (que L` Orèal é de viado).
A cozinha acompanha o tom do banheiro. Não pela quantidade de pelos, mas sim pela higiene duvidosa. Por exemplo, alguns rapazes praticam uma involuntária criação de fungos deixando comida apodrecer na geladeira, onde em geral há mais cerveja que comida. Os OVNIS ficam no forno e no fogão. O papel-toalha, se existir, assume uma função coringa: guardanapo, pano de prato, pano de chão, entre outras. As poucas panelas são todas herdadas, faziam parte dos presentes de casamento da mãe de 35 anos atrás. A decoração é nula, há apenas o que já estava lá antes e não importa que as portas do armário estejam caindo.
E a gente aqui nas nossas casinhas cheias de graça, com enfeites coloridos, aromatizante de tecidos de lojinha bacana, tapetinhos e quadrinhos... mas querendo morar com os rapazes dos sabonetes peludos! Como a gente pode continuar querendo isso depois de ver como eles moram? Alias, será que é justamente por isso, a gente quer "ajeitar" e "cuidar deles"? Pra se pensar...
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Da série "a gente sabe que está ficando velha quando..." - reclama do barulho
Segunda-feira, 23h30. Tudo o que eu queria era um pouco de sossego depois de um dia cansativo.
Mas eu tenho vizinhos de cima.
Os vizinhos de cima fazem barulhos estranhos nas horas mais impróprias. Às vezes acho que resolvem organizar bailes com seus móveis às 2 da manhã de uma quinta-feira. Ou desfiles com modelos de salto-alto na sala do apertamento. Ou reformam a casa toda semana. Não entendo. Aliás, não sei nem se são vizinhos, no plural, ou é só uma pessoa. Pelo nível de barulho imagino que não seja alguém sozinho. Na verdade imagino uma manada de elefantes, mas isso é pouco provável.
Até a noite de segunda, eu tentava lidar com isso da melhor maneira possível, afinal de vez em quando devo fazer meus barulhinhos mesmo sem perceber. Aguentei até mesmo na manhã do último domingo, quando fomos acordados às 9h30 ao harmonioso som de uma furadeira.
Então às 11h30 da noite começaram uns barulhos típicos de festa: música, violão, gente rindo, passos. Em plena seBunda-feira.
Fui aguentando. Aguentando. Tentando adivinhar o que estava acontecendo. Até que, quando já era meia-noite e meia de terça, alguém SAPATEOU no apartamento de cima. Estavam tocando violão e algum infeliz teve a pachorra de acompanhar boa parte da música batendo com o pé no chão - chão esse que é o meu teto.
Ah, minha gente. A gota d`água.
Subi e toquei a campainha. Uma moça loirinha com cara de criança chata abriu a porta. Pedi por favor pra pararem com o barulho, era 12h30 de uma segunda. Terça, na verdade, mas enfim, o nervoso me impediu de levar em conta este detalhe. Ela sorriu e disse que ok, nem ouvi se pediu desculpas ou não.
Desci. Me sentindo com 70 anos. Quem tem 20 anos reclama do barulho no apê de cima? Acho que não, mesmo porque deve estar fazendo sempre ainda mais barulho, né? Quem tem 20 anos aguenta esse tipo de reclamação dos outros, isso sim. Dos de 30 pra cima. E eu tenho 30. E queria dormir depois de um dia de trabalho. Sim, porque eu trabalho e tenho contas pra pagar e supermercado pra fazer e satisfações pra dar. Porra.
É... a gente sabe que ta ficando velha quando reclama do barulho dos outros em vez de fazer barulho.
Mas eu tenho vizinhos de cima.
Os vizinhos de cima fazem barulhos estranhos nas horas mais impróprias. Às vezes acho que resolvem organizar bailes com seus móveis às 2 da manhã de uma quinta-feira. Ou desfiles com modelos de salto-alto na sala do apertamento. Ou reformam a casa toda semana. Não entendo. Aliás, não sei nem se são vizinhos, no plural, ou é só uma pessoa. Pelo nível de barulho imagino que não seja alguém sozinho. Na verdade imagino uma manada de elefantes, mas isso é pouco provável.
Até a noite de segunda, eu tentava lidar com isso da melhor maneira possível, afinal de vez em quando devo fazer meus barulhinhos mesmo sem perceber. Aguentei até mesmo na manhã do último domingo, quando fomos acordados às 9h30 ao harmonioso som de uma furadeira.
Então às 11h30 da noite começaram uns barulhos típicos de festa: música, violão, gente rindo, passos. Em plena seBunda-feira.
Fui aguentando. Aguentando. Tentando adivinhar o que estava acontecendo. Até que, quando já era meia-noite e meia de terça, alguém SAPATEOU no apartamento de cima. Estavam tocando violão e algum infeliz teve a pachorra de acompanhar boa parte da música batendo com o pé no chão - chão esse que é o meu teto.
Ah, minha gente. A gota d`água.
Subi e toquei a campainha. Uma moça loirinha com cara de criança chata abriu a porta. Pedi por favor pra pararem com o barulho, era 12h30 de uma segunda. Terça, na verdade, mas enfim, o nervoso me impediu de levar em conta este detalhe. Ela sorriu e disse que ok, nem ouvi se pediu desculpas ou não.
Desci. Me sentindo com 70 anos. Quem tem 20 anos reclama do barulho no apê de cima? Acho que não, mesmo porque deve estar fazendo sempre ainda mais barulho, né? Quem tem 20 anos aguenta esse tipo de reclamação dos outros, isso sim. Dos de 30 pra cima. E eu tenho 30. E queria dormir depois de um dia de trabalho. Sim, porque eu trabalho e tenho contas pra pagar e supermercado pra fazer e satisfações pra dar. Porra.
É... a gente sabe que ta ficando velha quando reclama do barulho dos outros em vez de fazer barulho.
sábado, 28 de maio de 2011
Semana da ficção - Post 3 - Vou de táxi
Entrou no táxi cansada depois de um longo e cansativo dia de trabalho. Tinha ido trabalhar com um subordinado porque o carro dela teve um "recall". Como foi a última a ir embora, não arranjou carona pra voltar. Ela praticamente se jogou no banco de trás e deu um longo suspiro antes de passar seu endereço ao motorista. Era um cansaço maior que o chefe enchendo o saco, que as 13 horas no escritório, que as três reuniões; estava cansada era da vida dela.
De trabalhar tanto, de não ter disposição pra sair de casa nos fins de semana, de quase nunca ver os amigos, de estar sozinha há tanto tempo. Se pelo menos tivesse alguém esperando por ela em casa. De preferência com uma comidinha gostosa e quentinha. De preferência pelado. Mas não.
Ela estava pensando nisso quando foi interrompida por um grito meio abafado de "GOOOOOL DO CORINTHIANS!!" Meu Deus, de onde saiu o Galvão Bueno a essa hora?? Ah, era o toque do celular do taxista. Ela achou que, além de cansada, estava ficando louca e tendo alucinações com o Galvão Bueno. E por um momentinho se irritou porque nem na alucinação aparecia homem bom pra ela. Podia ter sido o Cassio Reis, mas não, era o Galvão. Galvão, filma eu. Menos mal que não era coisa da cabeça dela. Haaaja coração.
Ignorando as leis de trânsito, o taxista atendeu o celular. Com uma voz meio de locutor de rádio do interior se fazendo de galã. Oooi, princesa.
Poxa, fazia tempo que ninguém chamava ela de princesa. Aliás, ninguém nunca tinha chamado ela de princesa. Coisa brega, né? Se bem que é bonitinho até. Que mulher não gosta de se sentir como uma princesa? Tanto é que Kate Middleton deve ser uma das mulheres mais invejadas no mundo agora, embora ainda nem seja princesa. É duquesa, né? Sei lá. Será. que o Príncipe William chama ela de duquesa em vez de princesa? "Ooooi, duquesa".
"Tudo bem, e você, gatinha? Daqui a pouco tô aí, vou só deixar uma passageira"
Uma passageira. Era isso o que ela era. Quase todos os caras que passaram pela vida dela a trataram assim mesmo, como uma passageira. Pra quem você mal olha, com quem mal conversa e que você deixa em algum lugar depois de conseguir o que quer. Que raiva. Ela era muito mais que uma passageira, isso sim. Eles que não viam isso. E o taxista também não, pelo jeito.
"Aaah o que você tá. aprontando, sua maluquinha?"
Ah peraí, agora já era um pouco demais. Ela podia ser uma passageira mas não era surda, estava ali escutando a conversa. Ele não se tocava? Daqui a pouco ia começar a falar baixaria e e ela lá, escutando tudo. Era só o que faltava.
Ele deu uma risada sacana.
Gostosa a risada dele. Ela adorava risada de homem. Se bem que as últimas que andava ouvindo eram aquelas forçadas do chefe dela rindo das piadinhas idiotas do presidente da empresa depois das intermináveis reuniões. Coisa irritante. Fazia tempo que ela não ouvia uma risada de homem assim sincera, gostosa, cheia de desejo. Que brega falar "desejo".
"Ah, não me fala essas coisas por telefone não, princesa... se não complica pro meu lado..." Outra risada.
Ela reparou no pescoço dele. Sem pêlos onde não tinha que ter pêlos. Moreno, cabelo ondulado e curto, com gel. O colarinho da camisa branca já meio sujo, meio gasto. Ombros largos, braços não tão fortes, não muito peludos. As mãos no volante, sem aliança. Era tudo muito decente nele. Viril. Pena que ela não podia ver bem o rosto, só os olhos e o nariz refletidos no retrovisor. Olhos brilhantes, olhos de quem é amado. O nariz era meio vulgar, meio grosso e redondo demais, mas não deixava de ter o seu charme.
"Não sei não se vou deixar você fazer isso comigo hoje".
Isso o quê? Isso o quê? Agora ela queria saber. Já que estava ali escutando, pelo menos que soubesse do que se trata, né? Quem sabe ela poderia dar um palpite. Ou poderia aprender algo novo pra usar quando aparecesse alguém. Ou pra usar com o próprio taxista em alguma oportunidade. Ai, que loucura! Imagina, o taxista. Que ainda por cima tinha namorada. Ou noiva. Ou era só um caso? Só uma de várias? Ou eles tinham 3 filhos?
"Ta bom, princesa, vou ter que me preparar bem então".
Princesa de novo. Carinhoso ele, né? Que bonitinho. Tá faltando homem assim. Tá faltando homem, ponto. E mais assim, carinhoso sem ser meloso e meio safado. Talvez esse fosse o ideal. Bem que ela queria um desses! E havia um ali, a centímetros de distância. Com cheiro de Glade Sport para carros. Imagina, o taxista! Ela era uma executiva viajada, estudada, importante. Bonitona até. E sozinha. Não seria tão louco assim ter um caso com o taxista. Qual o problema? Ele era carinhoso sem ser meloso e meio safado e ainda poderia levar ela pra cima e pra baixo quando ela bem quisesse, e ela nem precisaria ficar rodando pra procurar estacionamento. Ninguém ia saber. Meu Deus, ela tinha trocado meia dúzia de palavras com ele e já estava pensando em "ter um caso"? Louca.
"Então tá, daqui meia horinha mais ou menos eu tô aí. Tenho que desligar agora. Beeeeijo". Estavam a poucas quadras da casa dela. Que inveja da moça que ligou pra ele. Devia estar se preparando para receber o seu homem, o que aconteceria dali a poucos minutos. E ela se preparando para comer um miojo e ir dormir sozinha. Que merda. O coração dela se acelerou: "acho que vou fazer uma loucura. Não tenho nada a perder."
Chegaram.
Ela olhou o taxímetro e deu ao motorista o dinheiro com uma boa gorjeta incluída. "Pode ficar com o troco", ela disse. Pegou rapidamente uma caneta, arrancou uma folha do moleskine e anotou: "Ana Claudia, 4455-5519". Entregou o papel pra ele com um sorriso decidido e, com uma voz bem mais baixa e doce que o habitual, disse "e pode ficar com isso aqui também".
Ele pegou o papel, olhou e demorou alguns segundos para entender a situação. Olhou pra ela de cima a baixo e, quando os olhos deles se encontraram, ele deu um sorriso meio sem-graça mas contente.
"Tchauzinho", ela disse, fazendo um gestinho com a mão. Ele foi embora. Desde quando ela se despedia assim de alguém, falando "tchauzinho"?? Louca. Ridícula. Ela começou a rir, se sentindo uma menina que fez uma travessura. Era um sentimento gostosinho, livre. Louca. Será que ele ia ligar?
Puts, e se ele ligasse??
De trabalhar tanto, de não ter disposição pra sair de casa nos fins de semana, de quase nunca ver os amigos, de estar sozinha há tanto tempo. Se pelo menos tivesse alguém esperando por ela em casa. De preferência com uma comidinha gostosa e quentinha. De preferência pelado. Mas não.
Ela estava pensando nisso quando foi interrompida por um grito meio abafado de "GOOOOOL DO CORINTHIANS!!" Meu Deus, de onde saiu o Galvão Bueno a essa hora?? Ah, era o toque do celular do taxista. Ela achou que, além de cansada, estava ficando louca e tendo alucinações com o Galvão Bueno. E por um momentinho se irritou porque nem na alucinação aparecia homem bom pra ela. Podia ter sido o Cassio Reis, mas não, era o Galvão. Galvão, filma eu. Menos mal que não era coisa da cabeça dela. Haaaja coração.
Ignorando as leis de trânsito, o taxista atendeu o celular. Com uma voz meio de locutor de rádio do interior se fazendo de galã. Oooi, princesa.
Poxa, fazia tempo que ninguém chamava ela de princesa. Aliás, ninguém nunca tinha chamado ela de princesa. Coisa brega, né? Se bem que é bonitinho até. Que mulher não gosta de se sentir como uma princesa? Tanto é que Kate Middleton deve ser uma das mulheres mais invejadas no mundo agora, embora ainda nem seja princesa. É duquesa, né? Sei lá. Será. que o Príncipe William chama ela de duquesa em vez de princesa? "Ooooi, duquesa".
"Tudo bem, e você, gatinha? Daqui a pouco tô aí, vou só deixar uma passageira"
Uma passageira. Era isso o que ela era. Quase todos os caras que passaram pela vida dela a trataram assim mesmo, como uma passageira. Pra quem você mal olha, com quem mal conversa e que você deixa em algum lugar depois de conseguir o que quer. Que raiva. Ela era muito mais que uma passageira, isso sim. Eles que não viam isso. E o taxista também não, pelo jeito.
"Aaah o que você tá. aprontando, sua maluquinha?"
Ah peraí, agora já era um pouco demais. Ela podia ser uma passageira mas não era surda, estava ali escutando a conversa. Ele não se tocava? Daqui a pouco ia começar a falar baixaria e e ela lá, escutando tudo. Era só o que faltava.
Ele deu uma risada sacana.
Gostosa a risada dele. Ela adorava risada de homem. Se bem que as últimas que andava ouvindo eram aquelas forçadas do chefe dela rindo das piadinhas idiotas do presidente da empresa depois das intermináveis reuniões. Coisa irritante. Fazia tempo que ela não ouvia uma risada de homem assim sincera, gostosa, cheia de desejo. Que brega falar "desejo".
"Ah, não me fala essas coisas por telefone não, princesa... se não complica pro meu lado..." Outra risada.
Ela reparou no pescoço dele. Sem pêlos onde não tinha que ter pêlos. Moreno, cabelo ondulado e curto, com gel. O colarinho da camisa branca já meio sujo, meio gasto. Ombros largos, braços não tão fortes, não muito peludos. As mãos no volante, sem aliança. Era tudo muito decente nele. Viril. Pena que ela não podia ver bem o rosto, só os olhos e o nariz refletidos no retrovisor. Olhos brilhantes, olhos de quem é amado. O nariz era meio vulgar, meio grosso e redondo demais, mas não deixava de ter o seu charme.
"Não sei não se vou deixar você fazer isso comigo hoje".
Isso o quê? Isso o quê? Agora ela queria saber. Já que estava ali escutando, pelo menos que soubesse do que se trata, né? Quem sabe ela poderia dar um palpite. Ou poderia aprender algo novo pra usar quando aparecesse alguém. Ou pra usar com o próprio taxista em alguma oportunidade. Ai, que loucura! Imagina, o taxista. Que ainda por cima tinha namorada. Ou noiva. Ou era só um caso? Só uma de várias? Ou eles tinham 3 filhos?
"Ta bom, princesa, vou ter que me preparar bem então".
Princesa de novo. Carinhoso ele, né? Que bonitinho. Tá faltando homem assim. Tá faltando homem, ponto. E mais assim, carinhoso sem ser meloso e meio safado. Talvez esse fosse o ideal. Bem que ela queria um desses! E havia um ali, a centímetros de distância. Com cheiro de Glade Sport para carros. Imagina, o taxista! Ela era uma executiva viajada, estudada, importante. Bonitona até. E sozinha. Não seria tão louco assim ter um caso com o taxista. Qual o problema? Ele era carinhoso sem ser meloso e meio safado e ainda poderia levar ela pra cima e pra baixo quando ela bem quisesse, e ela nem precisaria ficar rodando pra procurar estacionamento. Ninguém ia saber. Meu Deus, ela tinha trocado meia dúzia de palavras com ele e já estava pensando em "ter um caso"? Louca.
"Então tá, daqui meia horinha mais ou menos eu tô aí. Tenho que desligar agora. Beeeeijo". Estavam a poucas quadras da casa dela. Que inveja da moça que ligou pra ele. Devia estar se preparando para receber o seu homem, o que aconteceria dali a poucos minutos. E ela se preparando para comer um miojo e ir dormir sozinha. Que merda. O coração dela se acelerou: "acho que vou fazer uma loucura. Não tenho nada a perder."
Chegaram.
Ela olhou o taxímetro e deu ao motorista o dinheiro com uma boa gorjeta incluída. "Pode ficar com o troco", ela disse. Pegou rapidamente uma caneta, arrancou uma folha do moleskine e anotou: "Ana Claudia, 4455-5519". Entregou o papel pra ele com um sorriso decidido e, com uma voz bem mais baixa e doce que o habitual, disse "e pode ficar com isso aqui também".
Ele pegou o papel, olhou e demorou alguns segundos para entender a situação. Olhou pra ela de cima a baixo e, quando os olhos deles se encontraram, ele deu um sorriso meio sem-graça mas contente.
"Tchauzinho", ela disse, fazendo um gestinho com a mão. Ele foi embora. Desde quando ela se despedia assim de alguém, falando "tchauzinho"?? Louca. Ridícula. Ela começou a rir, se sentindo uma menina que fez uma travessura. Era um sentimento gostosinho, livre. Louca. Será que ele ia ligar?
Puts, e se ele ligasse??
sábado, 22 de janeiro de 2011
Casadas X Solteiras - Post 2
Outra coisa que diferencia o mundo das casadas e o mundo das solteiras é o quê e como elas comem.
A casada tem que cozinhar pelo menos pra dois ou pra família, fazer uma refeição balanceada paras os filhos ou batata frita e bife, que é só o que o Rodriguinho come. Ás vezes a empregada ajuda, deixa alguma coisa pronta, mas seja lá como for geralmente a casada tem uma comidinha fresca, quentinha e saborosa pra comer no jantar.
Ela se senta à mesa com o marido e os filhos, se os tiver. A mesa está posta: toalha, pratos, talheres, travessas, guardanapos, copos. O papo é sobre como foi o dia, o que tem que comprar, que o Ricardo e a Ana estão se separando, o chefe que enche o saco, o que o Rodriguinho aprontou na escola.
Já a solteira mora sozinha. Chega em casa, abre os armários da cozinha, a geladeira, fica pensando no que vai comer. Puts, cozinhar só pra mim? Descascar, cortar, assar, cozinhar e, principalmente, sujar? É muito trabalho. Neste momento, o grupo das solteiras se divide em dois: a solteira preocupada com a saúde e a dieta que faz uma saladinha, um sanduíche com pãozinho integral ou umas frutinhas; ou a solteira bagaceira e/ou preguiçosa, que manda um miojão pra dentro, um misto quente ou, no extremo da bagaceira, se entope de Doritos e Bono. Para ambas sempre existe a opção de descongelar algo que estava no congelador sabe-se lá desde quando, tipo um feijão que a mãe fez há algumas semanas num almoço de domingo. O melhor amigo da solteira é o micro-ondas.
Ela dificilmente se senta à mesa, a não ser que dela dê pra ver a TV ou usar o lap top. A cama ou o sofá são a cadeira e o colo, a mesa (as mais paramentadas têm aquela bandeja com pezinhos específicas para comer assim). A solteira pode até estar acompanhada de pessoas durante a refeição, mas elas estão na tela da TV ou até no Skype. De vez em quando vem alguma amiga também solteira, um amigo gay, quem sabe até uma galerinha para as mais festeiras. Mas a maior parte das solteiras de (quase) 30 não curte tanto receber galerinha assim pra comer durante a semana, porque depois ela que tem que limpar e lavar tudo sozinha. Um saco. Melhor o miojão comido em 10 minutos e pronto.
Casadas versus solteiras. Diferentes em algumas coisas, semelhantes em outras. No final, são todas mulheres - com tudo o que isso implica...
A casada tem que cozinhar pelo menos pra dois ou pra família, fazer uma refeição balanceada paras os filhos ou batata frita e bife, que é só o que o Rodriguinho come. Ás vezes a empregada ajuda, deixa alguma coisa pronta, mas seja lá como for geralmente a casada tem uma comidinha fresca, quentinha e saborosa pra comer no jantar.
Ela se senta à mesa com o marido e os filhos, se os tiver. A mesa está posta: toalha, pratos, talheres, travessas, guardanapos, copos. O papo é sobre como foi o dia, o que tem que comprar, que o Ricardo e a Ana estão se separando, o chefe que enche o saco, o que o Rodriguinho aprontou na escola.
Já a solteira mora sozinha. Chega em casa, abre os armários da cozinha, a geladeira, fica pensando no que vai comer. Puts, cozinhar só pra mim? Descascar, cortar, assar, cozinhar e, principalmente, sujar? É muito trabalho. Neste momento, o grupo das solteiras se divide em dois: a solteira preocupada com a saúde e a dieta que faz uma saladinha, um sanduíche com pãozinho integral ou umas frutinhas; ou a solteira bagaceira e/ou preguiçosa, que manda um miojão pra dentro, um misto quente ou, no extremo da bagaceira, se entope de Doritos e Bono. Para ambas sempre existe a opção de descongelar algo que estava no congelador sabe-se lá desde quando, tipo um feijão que a mãe fez há algumas semanas num almoço de domingo. O melhor amigo da solteira é o micro-ondas.
Ela dificilmente se senta à mesa, a não ser que dela dê pra ver a TV ou usar o lap top. A cama ou o sofá são a cadeira e o colo, a mesa (as mais paramentadas têm aquela bandeja com pezinhos específicas para comer assim). A solteira pode até estar acompanhada de pessoas durante a refeição, mas elas estão na tela da TV ou até no Skype. De vez em quando vem alguma amiga também solteira, um amigo gay, quem sabe até uma galerinha para as mais festeiras. Mas a maior parte das solteiras de (
Casadas versus solteiras. Diferentes em algumas coisas, semelhantes em outras. No final, são todas mulheres - com tudo o que isso implica...
segunda-feira, 1 de março de 2010
Home alone
Nessa nossa (cruel) idade, a maioria mora sozinho ou com alguém pra chamar de seu. Ou com room mates, sei lá. Quis dizer que a gente não mora mais com papai e mamãe ou algo que o valha.
Morar sozinho é uma beleza. Você pode decorar a casa como bem entender - ou como o seu orçamento permitir, né, porque venhamos e convenhamos que na nossa (cruel) idade em geral a grana não é lá muito farta. Pode levar quem quiser. Pode fazer festa com a galera, pode ficar quieto, pode ler um livro, ouvir música e ver TV ao mesmo tempo que ninguém vai te encher o saco. Pode ficar pelado - só cuidado com as cortinas se a intenção não for oferecer um peep show gratuito aos vizinhos. É bom!
Tem umas coisas que eu diria que todo mundo que mora sozinho faz. Por exemplo, todo mundo que mora sozinho faz uma porqueirinha de vez em quando. Não tem ninguém olhando mesmo, né? Que atire a primeira pedra quem mora sozinho e nunca bebeu água do gargalo da garrafa ou foi dormir sem banho.
Todo mundo que mora sozinho ás vezes come qualquer coisa. A frase teve duplo sentido, mas eu pensava no sentido bíblico da coisa mesmo, alimentar-se. Um amigo querido ás vezes janta tremoço. Eu já jantei 5 biscoitinhos com queijo.
Todo mundo que mora sozinho - por mais quase 30 que tenha - ás vezes tem um medinho de noite e não sabe bem do que é.
Todo mundo que mora sozinho já sorriu de prazer ou já chorou de solidão ao pensar "é, tô aqui sozinho!".
Morar sozinho é ótimo, mas como tudo nessa vida, tem o seu lado ruim. Por exemplo, tem vezes que você chega em casa e tudo o que você queria era uma comidinha fresquinha e quentinha te esperando lindamente em um prato. Só que você só vai ter essa comidinha se passar todo o perrengue de pegar tudo, cortar, preparar, cozinhar, sujar um monte de coisa... ou apelar pro delivery, que nunca é a mesma coisa que uma comidinha caseira.
Outra coisa péssima é descobrir que, se chegar em casa e deixar o sapato no meio da sala, no dia seguinte ele vai continuar no meio da sala. Imóvel. Não, os sapatos não voltam sozinhos para o armário! Ah, e o papel higiênico não se renova automaticamente, a louça não é auto-lavante e por aí vai. Não sei o que é pior, descobrir tudo isso ou que Papai Noel não existe, aos 4 anos.
Lembrei disso tudo revendo um post do meu blog pessoal de quando eu comecei a morar sozinha, há quase 3 anos. Reproduzo:
"E aí, como vai a vida morando sozinha?" Bem, bem. Quase não esqueço de pagar as contas, nada caiu, nada quebrou, nada apodreceu na geladeira, não me sinto sozinha - bom, de vez em quando - e continuo mais gostando que não gostando.
Contudo, já esqueci a geladeira aberta o dia inteiro uma vez, já risquei o chão, a parede, e ainda não mandei arrumar a tampa da privada que está solta.
E sexta foi a vez de esquecer uma das bocas do fogão ligada. Eu tinha feito um sanduichinho de manhã, tirei ele do fogo mas esqueci do *detalhe* de desligar o fogão. Isso foi ás 10 da manhã. Aí eu chego em casa duas da manhã e lá está o fogo, na dele, coitado, azulzinho, escondido debaixo da frigideira. Desliguei. Ninguém viu, nada se queimou, está tudo bem, amanhã será um novo dia.
Mas o fogo não me perdoou. Acho que ele ficou ressentido com o meu descaso. "Essa menina está brincando com o meu poder", deve ter pensado o fogo. "Isso não vai ficar assim".Aí sábado fui eu feliz e saltitante fritar batatas pela primeira vez. Na verdade queria fazê-las no forno, mas não consegui ligá-lo. Acho que tá com problema, juro, porque não é possível, eu não sou tão incompetente. Então pensei "quer saber? Vou fritar as batatas".
Meu coração até bateu mais forte. Ui, sou tão ousada. Minhas primeiras batatas fritas. Mais uma primeira vez. Não poderia ser tão difícil. Frigideira, esquenta o óleo, pá, joga as batatas, pá pum, bota num negocinho com guardanapo e pronto.
Então peguei uma frigideirinha pequena que tenho - a mesma do sanduichinho do dia anterior. "Porque vou fritar poucas, afinal estou sozinha e nem posso comer muito". Óleo. Fogo.
Espero um tempinho, enrolo um pouco, respondo o messenger, olho meu rosto fininho no espelho, penso que a vida é bela e em breve estarei comendo deliciosas batatinhas noisette fritas por mim mesma, uma mulher independente e segura.
Quando achei que o óleo já estava no ponto, peguei cinco batatinhas congeladas e taquei na frigideira, então...VVVVUUUUUUUUUUUUUSSSSSSSSHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
FOGO!!!!!
Subiu uma puta labareda da frigideira e espirrou óleo pra tudo quanto é lado!! Foi o tempo de eu gritar, dar um pulo pra trás, jogar o saquinho de batatas congeladas no chão e pensar CARALHOOQUEUFAAAAÇOOO!!!!! Aí Deus, meu anjo da guarda ou o que quer que haja lá em cima apagou o fogo. Me aproximei, apaguei o fogo do fogão e medi os danos. Nada. Chamuscou o exaustor e o armário, mas foi só limpar que saiu. E duas gotinhas de óleo espirraram perto da minha boca e me queimaram, mas muito pouquinho mesmo, parecem espinhinhas.
Joguei as cinco batatinhas flambé no lixo e fui procurar qualquer coisa em lata pra comer, porque o fogo me mostrou que não estava pra brincadeira. Que susto... e que sorte!!
Desde então, arrumei a tampa da privada mas não troquei o tecido da poltrona. Risquei mais o chão e as paredes já precisariam de uma pintura. E nunca mais tentei fritar batatas. Mas aprendi a ligar o forno - que não tinha problema nenhum, eu era tão incompetente mesmo.
Falando em comida, ninguém pediu mas eu termino o post com uma dica preciosa pra quem mora sozinho ou está planejando: compre um grill George Foreman!! É ótimo! Você mete uns hambúrgueres lá, faz um arrozinho e voilá, comidinha quentinha! Eu tenho e conheço muita gente que mora sozinha e tem (e adora). God bless George Foreman!
Morar sozinho é uma beleza. Você pode decorar a casa como bem entender - ou como o seu orçamento permitir, né, porque venhamos e convenhamos que na nossa (cruel) idade em geral a grana não é lá muito farta. Pode levar quem quiser. Pode fazer festa com a galera, pode ficar quieto, pode ler um livro, ouvir música e ver TV ao mesmo tempo que ninguém vai te encher o saco. Pode ficar pelado - só cuidado com as cortinas se a intenção não for oferecer um peep show gratuito aos vizinhos. É bom!
Tem umas coisas que eu diria que todo mundo que mora sozinho faz. Por exemplo, todo mundo que mora sozinho faz uma porqueirinha de vez em quando. Não tem ninguém olhando mesmo, né? Que atire a primeira pedra quem mora sozinho e nunca bebeu água do gargalo da garrafa ou foi dormir sem banho.
Todo mundo que mora sozinho ás vezes come qualquer coisa. A frase teve duplo sentido, mas eu pensava no sentido bíblico da coisa mesmo, alimentar-se. Um amigo querido ás vezes janta tremoço. Eu já jantei 5 biscoitinhos com queijo.
Todo mundo que mora sozinho - por mais quase 30 que tenha - ás vezes tem um medinho de noite e não sabe bem do que é.
Todo mundo que mora sozinho já sorriu de prazer ou já chorou de solidão ao pensar "é, tô aqui sozinho!".
Morar sozinho é ótimo, mas como tudo nessa vida, tem o seu lado ruim. Por exemplo, tem vezes que você chega em casa e tudo o que você queria era uma comidinha fresquinha e quentinha te esperando lindamente em um prato. Só que você só vai ter essa comidinha se passar todo o perrengue de pegar tudo, cortar, preparar, cozinhar, sujar um monte de coisa... ou apelar pro delivery, que nunca é a mesma coisa que uma comidinha caseira.
Outra coisa péssima é descobrir que, se chegar em casa e deixar o sapato no meio da sala, no dia seguinte ele vai continuar no meio da sala. Imóvel. Não, os sapatos não voltam sozinhos para o armário! Ah, e o papel higiênico não se renova automaticamente, a louça não é auto-lavante e por aí vai. Não sei o que é pior, descobrir tudo isso ou que Papai Noel não existe, aos 4 anos.
Lembrei disso tudo revendo um post do meu blog pessoal de quando eu comecei a morar sozinha, há quase 3 anos. Reproduzo:
"E aí, como vai a vida morando sozinha?" Bem, bem. Quase não esqueço de pagar as contas, nada caiu, nada quebrou, nada apodreceu na geladeira, não me sinto sozinha - bom, de vez em quando - e continuo mais gostando que não gostando.
Contudo, já esqueci a geladeira aberta o dia inteiro uma vez, já risquei o chão, a parede, e ainda não mandei arrumar a tampa da privada que está solta.
E sexta foi a vez de esquecer uma das bocas do fogão ligada. Eu tinha feito um sanduichinho de manhã, tirei ele do fogo mas esqueci do *detalhe* de desligar o fogão. Isso foi ás 10 da manhã. Aí eu chego em casa duas da manhã e lá está o fogo, na dele, coitado, azulzinho, escondido debaixo da frigideira. Desliguei. Ninguém viu, nada se queimou, está tudo bem, amanhã será um novo dia.
Mas o fogo não me perdoou. Acho que ele ficou ressentido com o meu descaso. "Essa menina está brincando com o meu poder", deve ter pensado o fogo. "Isso não vai ficar assim".Aí sábado fui eu feliz e saltitante fritar batatas pela primeira vez. Na verdade queria fazê-las no forno, mas não consegui ligá-lo. Acho que tá com problema, juro, porque não é possível, eu não sou tão incompetente. Então pensei "quer saber? Vou fritar as batatas".
Meu coração até bateu mais forte. Ui, sou tão ousada. Minhas primeiras batatas fritas. Mais uma primeira vez. Não poderia ser tão difícil. Frigideira, esquenta o óleo, pá, joga as batatas, pá pum, bota num negocinho com guardanapo e pronto.
Então peguei uma frigideirinha pequena que tenho - a mesma do sanduichinho do dia anterior. "Porque vou fritar poucas, afinal estou sozinha e nem posso comer muito". Óleo. Fogo.
Espero um tempinho, enrolo um pouco, respondo o messenger, olho meu rosto fininho no espelho, penso que a vida é bela e em breve estarei comendo deliciosas batatinhas noisette fritas por mim mesma, uma mulher independente e segura.
Quando achei que o óleo já estava no ponto, peguei cinco batatinhas congeladas e taquei na frigideira, então...VVVVUUUUUUUUUUUUUSSSSSSSSHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
FOGO!!!!!
Subiu uma puta labareda da frigideira e espirrou óleo pra tudo quanto é lado!! Foi o tempo de eu gritar, dar um pulo pra trás, jogar o saquinho de batatas congeladas no chão e pensar CARALHOOQUEUFAAAAÇOOO!!!!! Aí Deus, meu anjo da guarda ou o que quer que haja lá em cima apagou o fogo. Me aproximei, apaguei o fogo do fogão e medi os danos. Nada. Chamuscou o exaustor e o armário, mas foi só limpar que saiu. E duas gotinhas de óleo espirraram perto da minha boca e me queimaram, mas muito pouquinho mesmo, parecem espinhinhas.
Joguei as cinco batatinhas flambé no lixo e fui procurar qualquer coisa em lata pra comer, porque o fogo me mostrou que não estava pra brincadeira. Que susto... e que sorte!!
Desde então, arrumei a tampa da privada mas não troquei o tecido da poltrona. Risquei mais o chão e as paredes já precisariam de uma pintura. E nunca mais tentei fritar batatas. Mas aprendi a ligar o forno - que não tinha problema nenhum, eu era tão incompetente mesmo.
Falando em comida, ninguém pediu mas eu termino o post com uma dica preciosa pra quem mora sozinho ou está planejando: compre um grill George Foreman!! É ótimo! Você mete uns hambúrgueres lá, faz um arrozinho e voilá, comidinha quentinha! Eu tenho e conheço muita gente que mora sozinha e tem (e adora). God bless George Foreman!
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