Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de março de 2013

As viagens de Nadja VII - Perdida no Bosque

Por questões profissionais, minha mãe morou uns anos na Suíça. Aí eu tinha que passar pelo sofrimento de ir visitá-la todos os anos. País feio, tudo quebrado, mal-cuidado, ferrado, paisagens horríveis, perigoso, um horror.




Em uma dessas visitas eu tive a brilhante ideia de ir dar "só uma voltinha" no bosque que ficava atrás da casa dela para tirar umas fotos da paisagem invernal. Era só por uns poucos minutos porque logo depois íamos sair. Aí eu fui sozinha, sem celular, sem lenço e sem documento, só com a máquina fotográfica e enfurnada em umas 17 camadas de roupa. "Eu vou rapidinho e já volto".

Fui andando toda maravilhada, tirando mil fotos e gravando vídeos, brincando com a neve - porque brasileiro quando vê neve é aquela coisa mágica e jacu, a gente fica meio abobado mesmo, não adianta. Tava me sentindo em Nárnia:

Isso é a Nárnia do filme

Isso é o bosque. Não é iNgual?






Quando achei que já era hora de voltar, virei e fui andando na direção de onde vim. Legal. Até que apareceu uma bifurcação. E agora, José?

Escolhi uma direção e fui. E era tudo branquinho e congelado e neve e só. E eu não chegava. Aí vi umas escadinhas e resolvi subir para ver tudo de cima e me localizar. Não deu certo. Algumas casinhas, mas nenhum sinal de vida nelas.

Sim, eu estava perdida. Bem perdida. Aí eu andei, andei, andei, não sei nem por quanto tempo. Nada de placas, nada de chegar, só neve e casinhas sem sinal de vida ativa naquele momento.


Até que vi um senhorzinho entrando em uma casa. Fui lá e contei a ele, em um misto de inglês e alemão, que estava perdida. Até choraminguei um pouco pelo desesperinho da situação. Ele me fez entrar na casa, gritou algo para a mulher, pegou a chave do carro e disse "eu te levo" - pelo menos o endereço da minha mãe eu sabia de cor. Fui batendo o maior papo com o senhor, que tinha ido pro Brasil em mil-novecentos-e-aracy-de-almeida e me contou suas aventuras lá. Ele também me disse que realmente eu tinha andado demais e já estava até no município ao lado. Esse é o Hans, meu salvador:


Quando cheguei, minha mãe e o marido tinham saído para me procurar e não estavam. Encontrei um vizinho da minha mãe e contei a situação a ele, agora não lembro se para pedir o celular emprestado ou o quê. Mas logo eles chegaram e não se conformaram com como eu pude me perder por lá ("Achei que você tinha caído, quebrado uma perna e não conseguia voltar! Você é boba??")

Fique tão traumatizada com a história que tive que me consolar aqui:


(mentira, não fiquei traumatizada, mas fala pra mim se a loja da fábrica da Lindt não é um pedaço do paraíso na Terra??)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Como eu me sinto quando... versão 30 e poucos

Desde que vi o ótimo tumblr Como Eu Me Sinto Quando (faz tempo!) fiquei com a ideia na cabeça, então tá aqui: "Como Eu Me Sinto Quando - Versão 30 e Poucos!" - um post que, quem sabe, pode se tornar uma série no blog?

... alguém diz que pareço ter uns 25 anos


... a tia velha diz "nossa, não casou ainda?"



... fico sabendo que minha melhor amiga está grávida



... como e bebo como fazia sem problemas aos 20 e poucos


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O mundo está grávido

A cada semana você fica sabendo de pelo menos um caso. Nas redes sociais, pululam fotos de barrigas redondas, imagens de ultrassom, carinhas gorduchas e pequeninas no colo de caras sorridentes mas com olheiras. Os papos com as amigas mudaram, antes era "mas ele ligou?  Ele é legal?"; agora é: "você pretende ter parto normal ou cesárea? Já pensou no nome?". Você já perdeu a conta de quantas vezes entrou em lojas de roupas para bebês nos últimos tempos e de quanto gastou em presentinhos tamanho PP.

O mundo está grávido.

Ou acabou de ter filho. Ou está pensando em ter em breve. Ou convive de perto com quem está em uma das três fases.

Na minha família, metade das mulheres jovens está grávida. Outras estão planejando. Só eu e uma prima estamos sossegadas, obrigada. Amigas e conhecidas que estão grávidas ou tiveram filho há pouco tempo, nossa, um monte.

Que louco, né?

Acho que é a nossa faixa etária, só pode ser. Aos 45 vai ser um monte de divórcio, aos 60 o povo sendo avô, aos 80 o povo indo dessa pra melhor. Ai, credo!

Ou vai ver que é a era de aquário, sei lá (???????). Só sei que acho lindo, adoro bebês e crianças - principalmente quando posso devolvê-los para as respectivas mães assim que começam a ficar chatinhos ou a chorar hihihihihi



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Filhos terceirizados

Um monte de gente hoje compartilhou no Facebook um post sobre levar a babá em viagens do blog Viajando com Filhos. O povo meteu a boca no texto pelo teor "casa grande e senzala" dele, e concordo com as críticas. Mas não é nesse mérito que eu quero entrar.

Neste fim de semana, enquanto jantava em um shopping paulistano, observei uma cena que me fez pensar muito: uma mulher muito elegante, com sua bolsa Chanel a tiracolo, jantava com os filhos gêmeos de menos de dois anos de idade e a babá. A mulher olhava para um lado, com cara de tédio, e comia enquanto a babá olhava para o outro lado, dava comida pros meninos e comia também. Ninguém se falava, ninguém ria. Em vez de ser um jantar gostoso com os filhos, era um jantar incômodo com a babá.

Não quero julgar ninguém porque cada um cuida dos filhos como bem entender, mas a minha reflexão com esses dois casos é a seguinte: será que não estão "terceirizando" demais o cuidado e a educação dos filhos, não?

Vai ver que para mim é fácil falar, já que ainda não tenho uma nadjinha ou um nadjinho, então não sei como é na prática ter que cuidar de um filho. Mas se você está presente, seu filho também, na mesma relação tempo X espaço, por que cazzo você não pode cuidar dele?? Se não quer correr atrás de bebê, limpar bunda suja, ter paciência pra ler historinha de noite, por que tem filho então? Porque não há nada que se possa fazer na vida a não ser casar e ter filho, então é se reproduzir é um dever? Porque as fotos do bebê na piscina ficam lindas no Facebook?

Uma babá que cuide do rebento enquanto você trabalha ou vai a um jantarzinho a sós com o marido, que maravilha, desde que seja paga direitinho e respeitada e etc etc. Só que tem que levar a babá pra uma viagem em família, pra um almoço de domingo, pra um passeio no shopping? Não dá pra correr atrás você mesma, prestar atenção você mesma, educar você mesma?

Sei lá, pensamentos de quem não tem mas um dia, quem sabe, quando e se tiver filho não pensa em levar a babá pra tudo quanto é canto.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Da série "a gente sabe que está ficando velha quando..." - percebe que está ficando igual aos pais

Papai às vezes troca nomes, palavras, letras. Toda hora ele me diz "a Nadja tá aqui" quando se refere à minha irmã (que obviamente não se chama Nadja) e toda vez que ele vê um ex-vizinho nosso, ele o chama pelo nome do irmão - que inclusive morreu, o que torna a gafe mil vezes pior. Esses são só alguns exemplos.

Mas isso não é exclusividade dele. Minha falecida vovó Ana, mãe dele, era assim. Ela falava o nome de todas as netas até acertar qual era a que estava chamando, o que fez que meu primo tomasse a iniciativa de fazer uma lista de netos, que nem eram tantos assim, em seu computador daqueles que ligavam na TV, isso lá nos anos 80. (aliás, ele pôs meu primo William em primeiro e eu por último, eu perguntei por quê e ele disse "é por ordem de gordura", enfim, aquele tipo de coisa que manda a gente pra terapia anos depois).

Meus tios, irmãos do meu pai, também fazem essas confusões, o que nos faz desconfiar de algum componente genético nessa história (não, não é Alzheimer. Tirando isso - e a pressão alta, e a vista cansada, a bursite, etc etc - estão todos com a cabeça ótima, felizes e saltitantes).

Eu às vezes dou risada, às vezes me irrito, às vezes corrijo, às vezes não ligo. Mas é uma coisa que eu não gostaria de fazer, pois eu já cometo gafes o suficiente sem trocar nomes.

Só que aí que está o problema: eu estou trocando nomes.

Na viagem fiquei na casa de uma amiga. O marido, Jon. O filho, Joey. Pra quê, né? Era chamar o marido de Joey, o nenê de Jon, aquela coisa toda. "Ah, mas ok, são muito parecidos mesmo".

Aí eu fui na casa de uma amiga de infância que tem um gato. "Ai, como o Petit tá lindo". "Aqui é o quartinho do Petit?" "Porque o Petit..."

"Nadja, você lembra que o nome dele é Mignon, não Petit, né?"

Eu tô cansada de saber o nome do gato. Inclusive opinei na escolha do nome. Ela bota toda hora no FB. Eu SEI o nome do gato. Mas passei o tempo todo chamando o Mignon de Petit.

É... a gente sabe que está ficando velha quando percebe que está ficando como os nossos pais.

Petit é o caralho, meu nome é Zé Mignon!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

As Viagens de Nadja - V - A menor mala para a maior viagem

Primeiro foi o convite para um casamento em Portugal no fim de setembro. Depois, para o batismo do único bebê da família na Itália, uma semana antes do casamento. Um pai que finalmente decidiu tirar férias, um primo que se juntou à aventura, um namorado com fogo no rabo pra viajar, amigos que moram em países bacanas e o pensamento de "tem que aproveitar enquanto se pode".

Tudo isso deu na viagem que vou fazer deste domingo atéééé fim de outubro. Inglaterra, Itália, Portugal, Espanha, Holanda, Escócia, Irlanda. Lugares novos, lugares que já visitei antes mas que né? Sempre vale a pena voltar (quantas vezes você iria a Londres? A Roma? A Barcelona? Eu diria "todas as vezes possíveis").

Vou encontrar muitos amigos e parentes, vou ver meu priminho italianinho, vou levar o papai fanático pela Ferrari a Maranello (sede da Ferrari, pra mulherada que não entende de carro), vou reencontrar a melhor amiga da vida inteira depois de dois anos, vou no casamento de uma queridona venezuelana com um inglês no Algarve, e eles moram em Abu Dhabi (casamento globalizado é isso aí!), vou pegar avião pra cima e pra baixo (quer dizer, pra baixo não, por favor) com o namorado, entre outras emoções. Como diria o filósofo Galvão Bueno, haaaaja coração.

Vai ser a viagem mais longa da minha vida. E a melhor, espero (se bem que já fiz tantas boas, grazadeus, que o ranking é bem disputado).

Estou tentando levar a menor mala possível pra não sofrer em tanto sobe em trem, desce de trem, pega metrô, sai de metrô, pega avião, sai de avião (low cost, daqueles que você paga se peidar no avião e mais ainda se tiver muita bagagem). Não tá fácil porque vou tanto para lugares mais quentes como para lugares mais frios, além de ter que levar roupa arrumadinha pros eventos. E ainda por cima levando vinho e alfajor pro povo. Mas eu vou conseguir!

Tô levando coisas que possa usar nos dois climas com poucas alterações (tipo vestido pro calor, vestido + meia calça grossa + camiseta manga comprida + cardigan + jaqueta pro frio) e levando poucas coisas, pensando que vou lavar roupas na viagem (e comprar, claro, quem não curte umas comprinhas?).

Quem deve ficar meio paradinho no meio de toda essa agitação é o blog, que na verdade já anda meio paradex (é muita coisa ao mesmo tempo, minha gente). Nos vemos na volta!


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Crianças e mulheres de (mais de) 30

Esses dias eu estava passeando com uma amigona quando vi uma menininha de uns dois anos toda bonitinha. Fiquei olhando, achando graça, sorrindo. E comentei com a minha amiga, timidamente:

"Você não acha que, sei lá, depois dos 30 parece que a gente passa a olhar as crianças de um jeito diferente? Parece que a gente curte mais, se emociona, não sei bem..."

Achei que teria uma resposta meio blasé. Minha amiga tem quase 32 como eu, é descolada, viajada, inteligente, culta  e solteira. Achei que ela não se ligava muito nisso de criança. Nunca tínhamos falado disso. Nenhuma de nós é mãe. Mas a resposta dela foi:

"Nossa, meu útero grita!"

Não sei se é o tal do relógio biológico ou se é de tanto ver gente ao redor tendo filho. Ou o fato de ter se tocado que a gente já é adulta o suficiente (talvez mais que suficiente) para fazer nossas próprias pessoas. Mas tenho observado que o tema "crianças" está presente de uma maneira totalmente diferente nas nossas vidas do que estava antes. "Nossas vidas" que eu digo são as de mulheres na faixa dos 30 que não têm filhos.

Sempre adorei crianças, mas agora é diferente. Eu me interesso, me emociono, fico imaginando como serão os meus filhos se os tiver, como quero educá-los, o que quero ensinar, o que quero que não façam como eu. Vejo programas sobre educação (hello, Supernanny!), leio alguns blogs, converso com mães com interesse verdadeiro e curto muito os filhos dos outros próximos a mim.

Aos 20 e poucos, não fazia isso.

O engraçado é que não pretendo ter filhos tão cedo. Nem sei direito o que vai ser da minha vida, que dirá da vida de uma pessoinha que seria 100% dependente de mim. No momento não tenho nem planta, pra não ter que cuidar de nenhum ser vivo. Filhos, quem sabe daqui uns cinco anos (e faz uns anos que digo "daqui uns cinco anos"). E se por alguma razão eu não tiver, bom, vai ser uma frustração, mas acho que vou poder superá-la, não vou ser infeliz por isso.

Não sei se diria que "meu útero grita", mas que esse assunto tem outra dimensão agora para mim, tem mesmo. E pra vocês?

terça-feira, 31 de julho de 2012

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um vídeo para se identificar

Vi este vídeo esses dias e acho que muitos de nós de (quase) (mais de) 30 podemos nos identificar. Ele aborda as crises que a geração de 30 está tendo que enfrentar de um jeito rápido e bonitinho. Foi feito na Espanha, então nós brasileiros não vamos entender todas as referências. O espanhol dá pra entender, acho, mas se não as imagens falam por si mesmas.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Leitoras de (quase) 30 - Nadja responde 3

E aqui estou eu dando pitaco na vida dos outros novamente na seção de maior sucesso do blog, "Nadja responde". (mentira que é "maior sucesso", essa é só a terceira vez que a escrevo, sendo que a segunda foi em maio do ano passado. Mas tem que fazer a coisa parecer importante, tipo o que o povo faz no Linkedin quando fala dos seus empregos). 


O que aflige a leitora anônima é o seguinte:


"Aos 27 anos decidi largar meu emprego, no qual estava infeliz e adoecendo, para recomeçar minha vida profissional do zero. Estou fazendo minha segunda graduação e encontrei minha verdadeira vocação, mas continuo desempregada. Estou tentando arrumar um estágio, mas parece que meu currículo é muito bom para essa "simples" vaga. Hoje sou completamente dependente financeiramente de meus pais e, muitas vezes, me sinto como a mosquinha da bosta do cavalo do bandido. Sei que tenho muito a agradecer, pois meus pais e namorado me apóiam, mas é difícil, complicado e dolorido ter que pedir dinheiro aos meus pais a esta altura da vida, afinal, em maio completarei 29 anos. Em meio a isso tudo repenso em todas as minhas escolhas, não só profissionais mas pessoais também. Gostaria que escrevesse um post sobre moças como eu, que estão felizes por ter a oportunidade de recomeçar mas que em certos dias se sentem mal por estar próxima aos 30 e ainda serem dependentes financeiramente."


Olha, leitora, realmente a sua situação não é a ideal. Mas a que você estava antes era ideal, por acaso? Estar em um emprego que te faz mal? Pelamordedeus. Passei por isso há pouco tempo e não desejo nem pra gente que eu não gosto. 


Você teve a coragem de ir atrás do que realmente quer, coisa que nem todo mundo consegue fazer. Você é pelo menos corajosa, então por que se sente a mosquinha do cocô do cavalo do bandido?? Autoestima, minha filha! Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima! Escreva "eu sou foda" no espelho do banheiro!


Só que gente quer que tudo seja fácil e macio nessa vida e não é bem assim, né? Então agora você está tendo de lidar com as consequências imediatas dessa sua escolha, que são ter dificuldade em arrumar um trabalho e depender financeiramente dos pais. Bacana? Não. Mas é assim e a única coisa que você pode fazer agora é continuar procurando um trabalho pra tentar sair dessa situação assim que possível.


Acho que você tem que ter paciência e persistência. Além disso, poderia tentar ver outros caminhos. Não sei qual é a sua área, mas será que não dá mesmo pra entrar em um nível superior ao de estagiário? Nem que seja um nivelzinho acima, um "estagiário plus"? E será que você está procurando direito? Entrando em contato com amigos, conhecidos, conhecidos dos conhecidos, etc? Isso também ajuda, além de internet, classificados, Linkedin, etc etc. Se já estiver fazendo tudo isso e muito mais, um dia aparece algo, viu? De novo: paciência.


Ainda bem que você tem o apoio dos seus pais e do seu namorado. Que bênção, hein?? Quantas pessoas não gostariam de ter feito o que você fez mas não puderam porque não tinham como ficar sem o salarinho e estão lá sofrendo num emprego bosta? Você teve como sair dessa, apesar de não estar na situação ideal depois disso. Que ótimo! E que bom que você sabe que tem que agradecer por isso. 


Pode ter certeza de que um dia seus pais vão precisar da sua ajuda em algum sentido, aí você vai lembrar de todo esse apoio deles e retribuir, se for uma boa pessoa (e acho que é, afinal lê meu blog hihihi) 


Querida, muita calma nessa hora. Olhe a situação com aquela ótica de "copo meio cheio" porque pelo menos no trabalho de merda você não está mais. Acredite no seu potencial, na sua inteligência e no seu discernimento para escolher o que é melhor pra você. Seja otimista e continue lutando pelo que você quer. Boa sorte!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

As Viagens de Nadja - I - Eat it

Resolvi escrever neste humilde espaço virtual algumas historinhas que sempre me fazem sorrir. São coisas que aconteceram comigo nas várias viagens que já tive a oportunidade de fazer na vida (obrigada, papai do céu) e que renderam lembranças deliciosas e material pra muitas conversas com amigos (alguns, aliás, não aguentam mais ouvir as mesmas histórias, preciso voltar a viajar urgente!)

Não esperem nada de porra-louquice, nada erótico, grandes baladas, situações que poderiam ter terminado em tragédia e nem nada desse estilo. Nunca fui porra-louca, aliás considerem que nem beber eu bebo. Tedioso? Sei lá, são maneiras de viver a vida. O que pretendo contar aqui são só memorias que deixam meu coração quentinho. Espero que gostem.

Começo a série com uma ótima que aconteceu com a gente na Grécia, em 2008.

Pois é, estávamos na Grécia, lindo lindo, mas a cidade em que estávamos nem era lá uma beleza. Nunca tínhamos ouvido falar dela até umas 12 horas antes de estar nela, mas é que foi assim: 

Faríamos um cruzeiro pelo Mar Egeu em um barco pequeno, pra 50 pessoas apenas (pensem que o tal do Costa Concordia tinha quase 5000). Nesta região ficam as ilhas mais famosas como Santorini, Creta e Mikonos. Sonho, né? Pois era a viagem dos meus sonhos. E ela aconteceu, só que não: por causa das marés, dos ventos ou sei lá que outra desculpa, não poderíamos navegar pelo Egeu com esse barco e então fomos para o Mar Jônico. E que cazzo tem lá, você sabe? Pois a gente também não sabia. E a coisa não começou bem, já que a primeira cidade onde paramos, essa da história, não tinha nada demais a não ser o fato de ser na Grécia. Ah, e moças de topless assim sem mais.

Pois lá estávamos em um restaurante na beira do mar em Itea (onde?). Um restaurante simples mas aconchegante, todo aberto, que poderia estar em qualquer Guarujá da vida mas estava em Itea. E lá estávamos nós também, depois de sair de Atenas e passar a tarde e a noite navegando. O mar azul azul azul de um lado, do outro uma mesa enorme com dezenas de chineses? coreanos? japoneses? extremamente silenciosos (ah, se fosse um grupo desse tamanho de brasileiros).

Fizemos o pedido ao senhor que nos atendeu, que parecia ser o dono do lugar.

Os pedidos chegaram. O da minha mãe veio errado. E ela, com seu enorme sorriso e seu inglês de multinacional americana:

- Desculpe, senhor, mas isso não foi o que eu pedi.
O que se faz neste caso? O garçom pede desculpas, diz que errou, se oferece para trocar o prato? Diz que o que ela pediu não tem mais e que esse seria cortesia da casa? Não. Você está na Grécia.
- Ah sim, mas é bom, coma.

Juro. Em inglês com o sotaque todo quadradinho dos gregos: "yes, yes, but it`s good, eat it".

Ficamos sem reação por alguns segundos. Minha mãe, ainda sorrindo, tentou argumentar, disse que queria o outro, mas ele estava irredutível. "Don`t worry, eat it. Good. You like it".

Já tínhamos percebido que os gregos são "faz o que tô falando e cala a boca" quando chegamos a Atenas. No hotel, o cara da recepção colocou "RonaldiNIO" no "nome do hóspede" do meu quarto e "Rivaldo" no do quarto da minha mãe e do marido. Pois é. Perguntamos se não teria problema, e ele "no no, no change it, Rivaldo and RonaldiNIO". Ah, e também quando nos avisaram da mudança de rota do cruzeiro, porque não nos deram alternativas como descer do barco e ir em outro cruzeiro, ou o dinheiro de volta, nada. "No, not going to Santorini, no Santorini, I told you already", dizia nossa guia. 

Demos risada do bizarro da situação. O cara não estava sendo grosso, ele apenas era grego; não consegui descobrir se os gregos são grossos de um jeito simpático ou simpáticos de um jeito grosso.

Minha mãe resolveu comer o prato. E era bom mesmo. Quando o senhor passou perto da nossa mesa, minha mãe o chamou e comentou que ele tinha razão, que o prato era bom mesmo.

- I know, I told you. Good. 

E foi esse jeitinho de ser, além das paisagens fascinantes e dos lugares históricos incríveis (imagina conhecer onde ficava o famoso oráculo de Delfos e onde surgiram as Olimpíadas?), que fez a Grécia entrar no meu coração de tal maneira que eu voltaria pra lá mil vezes se eu pudesse. Não sei se pra Itea, mas enfim. A viagem, mesmo seguindo um roteiro diferente do original, acabou sendo maravilhosa. E ainda conseguimos ir pra Santorini, mas isso é tema pra outro post.

Fotinho tirada pertinho do restaurante:

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Esta época

Muita gente diz que odeia esta época do ano. Que tem estresse pra comprar presente, que tem que se reunir com gente da família que você não vê durante o ano inteiro, que faz um calor desgraçado, que as decorações de Natal são bregas e outros mimimis.

Eu gosto.

Gosto de pensar nas pessoas, no gosto e no jeito delas, pra poder escolher um presente legal. Gosto de me reunir com a família, por mais que não veja todos com frequência durante o ano. Aliás, é justamente por isso que gosto desta época, porque você tem oportunidade de se reunir com pessoas queridas que nem sempre você consegue ver. Gosto de relembrar coisas com meus primos, botar as fofocas em dia, ver que estão todos bem, e este ano vai ser melhor ainda porque temos um membro novo na família, o primeiro da nova geração. Também gosto de comer até o cu fazer bico, mas este ano vou tentar não fazer isso pra não estragar o projeto Sósia da Maitê Proença Jovem 2012.

Gosto do clima de "já estamos de férias, nada importa muito", que rola mesmo quando você não sai de férias. Gosto de algumas decorações, pelo menos dá um toque diferente nas vistas de todos os dias. Gosto das mensagens, mesmo das mais piegas. Gosto da esperança pairando no ar.

Só tem uma coisa que eu realmente não curto nesta época do ano: amigo secreto. Puuuuta que pariu. Quer dizer, se é entre a família ou amigos íntimos, feito como uma forma mais econômica de presentear, beleza. Mas amigo secreto de empresa, faculdade e etc é o horror, o horror. Você se esforça para comprar algo bacana e sempre acaba ganhando merda. Ou você tira alguém nada a ver. Ou alguém que você não curte. Pelamordedeus. Eu participo de qualquer evento que você me chamar, me chama pro batizado do filho da prima da vizinha, mas não me chame pra amigo secreto. Só participo quando não tem outro jeito.

E já que eu gosto desta época, quero desejar a todos um Natal gostoso e que vocês curtam tanto quanto eu!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Engraçadinho

O moço de camisa estranha chega pra ela na balada e diz:

- Sabe o que eu tenho aqui no meu bolso?

Ela achou a pergunta tão descabida que nem parou pra pensar em tudo o que ele poderia ter no bolso e muito menos em por que diabos um homem perguntaria isso a uma mulher em uma discoteca. Só conseguiu responder "ai, o quê?" E ele, fazendo uma voz de comediante dos anos 50 e tirando uma carta de baralho do bolso:

- Um coringa!

Não deu nem dois meses e já estavam morando juntos. Ela achou o máximo essa originalidade dele, esse senso de humor, esse frescor. Ela dizia pras amigas "foi uma abordagem inédita!" e morria de rir. Ele era o que ela nem sabia que estava procurando. Alguém capaz de surpreender, de fazer o inusitado. A vida dela não era fácil, ela precisava de alguém assim, que a fizesse esquecer dos problemas.

Viveu seis meses feliz com o seu piadista, se orgulhava de estar com "um cara super alto astral, sabe? Alegre!" Tinha feito a escolha certa.

Até que um dia ele lançou a do "é pavê ou pacomê?" no jantar de Natal na casa da Tia Eunice.

E depois teve a vez que ela estava com o cabelo meio armado (umidade, sabe como é) e ele disse "morzão, o que você passou no cabelo?"

- Nada, ué!

- Pois devia ter passado um pente!

E começou a gargalhar. Depois dessa ela demorou mais de um mês pra conseguir transar com ele de novo.

E teve o churrasco de aniversário do irmão dela, onde ele ficou horas chamando de "bambi" o sobrinho são-paulino dela de 6 anos. "Por que bambi, papai?"

E depois ele repassou um powerpoint com classificações de peido pra todos os contatos de e-mail dele. Incluindo ela, amigos do casal, parentes.

Mas o negócio degringolou quando, durante um jantar gourmet que ela estava preparando para alguns casais amigos, ele disse pra Gisela, moça finíssima que trabalhava com ela e que vestia uma belíssima blusa de seda com babados:

- Ô GiselE! GiselE! A sua blusa, ó, aqui no pescoço, tá tudo babado!

E começou a gargalhar. Ninguém mais riu e logo voltaram a comentar a crise do bloco europeu, enquanto ele tentava interromper dizendo "babado, de baba e da roupa, entenderam? Hein?"

No dia seguinte ela se mudou de volta pra casa da mãe. A velha sofria de artrose, bursite, gota, obesidade mórbida, pressão alta e psoríase. Ah, e depressão crônica. Morava com um gato preto manco de 16 anos em uma casa caindo aos pedaços num bairro decadente da cidade.

- Mas pelo menos ela não faz piadinha imbecil. Alto astral, o cacete. A vida é uma merda mesmo.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Princesas

A filha, 5, mostrando pra mãe, 35, o livrinho de colorir das Princesas que ganhou do pai.

- Mãe, eu sou uma princesa, né?

Não, filha. Você é apenas uma menina qualquer, filha de uma mãe qualquer. Diria que é a minha princesa, ainda assim quando não me torra a paciência.


- É sim, filha! Uma liiinda princesa!

- E um dia eu vou conhecer um príncipe?

Vai sim, filha. Mas ele vai ser casado com uma bruxa má. Ou vai ter uma ex que é uma bruxa. Ou vai estar "confuso". Ou não vai querer "nada sério por enquanto".


- Isso, um príncipe bem lindo e gentil!

Que vai ser seu amigo gay.


- E a gente vai dançar juntinho e dar beijo na boca?

- Beijo na boca? Onde você viu isso, filha?

Malditas novelas.

- Ah mãe, eu sei que gente grande se dá beijo na boca, né?

Nem tão grande, filha. O povo tem começado cedo. Espera mais uns 6 ou 7 anos que você vai ver.

- Tá bom... vai dar beijo sim, filha.

Mas ele não vai ligar no dia seguinte.

- E a gente vai namorar?

Se ele ligar, e vocês saírem vááárias vezes, e ele não estiver "confuso", "enrolado com a ex", e se você não implicar com o sapato feio dele e achar ele bacana, podem até namorar, quem sabe talvez se tudo der certo. Mas não espere.

- Claro, a princesa tem que namorar com o príncipe, né, filhota?

- Éééé... e a gente vai casar?

Pouco provável. Se ele não estava confuso no começo do namoro, vai estar confuso agora. Ou você vai querer viver novas experiências e vai largar dele pra fazer mochilão na Europa com o estagiário gatinho de 18 anos cheio de piercings que entrou há 3 meses na empresa. Mas pode ser, vai ver que você dá sorte.

- Vão sim, filhota, numa festa bem bonita!

Na qual eu vou estar brigando com a mulher do bufê, falando mal do vestido da mãe do noivo e te dando palpite enquanto você grita comigo dizendo "me deixa, mãe, o casamento é meu e não seu! O seu já foi e já acabou, não estrague o meu!" E eu não vou chorar pra não borrar a maquiagem caríssima.

- E vamos ter muitos filhinhos?

Com os preços das coisas hoje em dia? Mensalidade da escola, inglês, professora particular de matemática, psicóloga, brinquedos, presente pro coleguinha... melhor não. Um, dois no máximo. Se é que vale a pena.

- Filhinhos lindos como você e o seu príncipe!

- E a gente vai ser feliz pra sempre?

Essa foi boa, filha. Só se "pra sempre" for até vocês estarem numa mesa com advogados negociando a pensão, depois que você descobriu que as "viagens de negócios" dele na verdade serviam para ele ir a Santa Catarina visitar a Alessandra, uma loira que ele conheceu num congresso enquanto você cozinhava o jantar e tentava distrair as crianças. 


- Pra sempre, filha!  Agora vamos tomar um banhinho e nanar, tá?

Que a vida é assim mesmo e eu quero ver a novela. Preciso falar pro Marcos parar de dar essas porcarias de princesas pra ela...





terça-feira, 2 de agosto de 2011

Post resposta a um post que li

Hoje li um post no blog Coisinhas de Noiva escrito pelo Cafa, do famoso blog Manual do Cafajeste. Tem vezes que concordo com o que ele escreve, mas desta vez achei algumas coisas do post tão absurdas que deixei um comentário e resolvi até transformá-lo em post, agregando algumas coisinhas. 


Concordo com tudo o que ele diz no texto (vai lá ler, preguiçoso!) até chegar ao item "Greve de Sexo". Aí, na minha humilde opinião, a coisa desandou.


Primeira pérola: "(...) mulheres que deixam de transar com seus maridos 3 meses antes de se casar para  fazerem com que o cara caia babando na lua de mel. (...)" Bom, nunca ouvi falar disso, mas vai ver eu estou desinformada. Mas vem cá, a gente também não gostaria de ficar 3 meses sem transar com o namorado/noivo, não? Entao pra quê? Ou é só o homem que gosta de sexo? Ou só fazemos sexo para agradá-los?


E logo depois: "se você for gordinha, faz mais efeito perder 3 quilos a ficar sem dar 3 meses; se for magra, faça 3 meses de musculação intensiva para enrijecer o glúteo." É só isso que conta? É só por quilos a menos que um cara está com você? E se você for magra, nao basta, tem que ter a bunda dura? É só pela bunda dura? Sinceramente: se você for gordinha, o cara nem vai notar que você perdeu 3 quilos, afinal não é com 3 quilos a menos que você deixa de ser gordinha. E se ele estiver com você mesmo cometendo o pecado e a aberração de ser gordinha, é porque ele gosta. E se não gosta, que vá procurar outra. 

E as pérolas continuam: "ficar em forma quando está solteira é estratégico para encontrar alguém, ficar em forma quando está compromissada é fundamental para manter esse alguém." Claro, porque você só vai encontrar o amor se tiver uma bunda de Panicat. E só vai mantê-lo se continuar pra sempre com essa bunda. Amor, respeito, boa convivência, tesão, harmonia? Nada disso é fundamental. Ele nem citou isso no post. 
É fundamental estar "em forma". Mulheres gostosas não ficam solteiras, não entram em relações de merda, não são traídas, os namorados nunca enjoam delas. Aprendam.


"O problema é ficar mais de semana sem sexo, aí tem coisa errada." - Segundo quem? E se for uma semana de merda, se o filho estiver doente, e se você não estiver a fim por qualquer outra razão que não seja o fim do amor ou do tesão? E se além de um monte de problemas você ainda puser mais um na cabeça porque uma semana sem sexo = coisa errada? 


Outra de peso: "O cara casa com uma mulher X e depois ela fica 3X". Ah tá, e ele fica pra sempre praticamente o Ken da Barbie, né? Não engorda, não fica com barriga (e nunca diz, rindo e com uma lata de Skol na mão, "isso não é barriga, é um calo abdominal"), não fica careca, não começa a peidar na nossa frente, não envelhece... tá sempre lindo, malhado e de pau duro! 


Nem vou comentar o da despedida de solteiro, achei nojento e desnecessário.


"Pode ter certeza que mais de 90% dos relacionamentos das leitoras que lêem o blog vai terminar antes da morte de um dos dois." Adoro as estatísticas. De novo, segundo quem?

Meninas, que tal pensarmos um pouco antes de bater palmas pras coisas que um homem fala da gente?

sábado, 9 de julho de 2011

Frase do dia

Quando você namora, você pode não gostar da unha do pé da pessoa. Quando você casa, a pessoa vira essa unha do pé. (meu tio, citado pela minha prima)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Os Quatro Setores

Costumo dividir a vida em quatro setores básicos: amor, família, amizade e saúde. É uma divisão bem simplista, mas serve pra dar base à minha teoria de que sempre pelo menos um deles vai estar com algum problema.

Se você acaba de ser promovida, talvez brigue com o namorado ou a sua avó fique doente. Se sua família está ótima e seu namorado também, você não vai estar feliz no trabalho. Se sua família está bem, seu casamento de vento em popa e seu trabalho também, você vai se sentir distanciada das amigas e em algum momento vai pegar uma gripe daquelas.

E assim a vida segue.

Nunca está tudo absolutamente bem. Se estiver, aproveite porque vai durar pouco, logo você vai ver que não estava tudo tão perfeito assim. Não é pessimismo, é realismo. A questão é ser feliz apesar disso, afinal assim como sempre há razões pra achar que as coisas não estão bem, também sempre há razões para achar que estão, no fim das contas.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Como diriam os Titãs, é cedo ou tarde demais pra dizer adeus?

Esses dias uma amiga publicou um post no blog dela que era parte de uma conversa que ela teve com um colega de trabalho. Ela lhe contou que tinha acabado de terminar um namoro longo, que já incluía até planos de casamento. Ele lhe perguntou quantos anos ela tinha. 30. "Mas a essa altura da vida você termina uma relação? Cuidado que o tempo passa rápido!"

Fiquei indignada. Muito.

O que tá implícito no que ele disse é que, com esta idade, ela tem mais é que se casar, não importa muito com quem. Se não vai ser tarde. Se não ela vai ficar velha demais pra conseguir arrumar um homem pra casar e ter filhos, afinal esta é a única coisa à qual uma mulher pode aspirar na vida. Vai ficar pra titia. Ela que se contente com o que ela conseguiu arranjar até agora. E é aquela história, "no seré feliz pero tengo marido". O que importa é ter um marido.

Pois escuta aqui, coleguinha babaca: aos 30 anos não é tarde demais pra terminar um namoro. É cedo demais pra arruinar boa parte da vida casando com alguém só pra não ficar sozinha. Qualquer idade é a idade certa pra buscar a felicidade seja lá como for.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Historinhas de mulheres de quase 30 - Deus te crie

Essa também aconteceu comigo. Esses dias coloquei "atchim" no meu perfil do Facebook porque estava gripada e espirrando freneticamente. Quis compartilhar meu sofrimento.


Minha mãe me respondeu "Deus te crie, filha!" - nunca, em (mais de) 30 anos, ela me disse "Deus te crie" ao vivo. Sempre foi "saúde! Gripada de novo? Você precisa comer frutas!". Cheguei a achar que foi por velhice, ela disse que foi pra tirar sarro e porque já tinham escrito "saúde" antes. Sei, sei. Acreditemos nela.


Ao que uma prima da minha mãe arrematou: "Deus te crie não, criada ela já está. É Deus te case, prima!"