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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Tá uma bosta, mas não é por isso que vai acabar

Gente, o mundo sempre foi uma merda. Que mensagem otimista de fim de mundo de ano, não é mesmo? Eu na verdade sou uma pessoa até otimista, mas venhamos e convenhamos: o mundo é muito grande e bacana e bonito e tals, só que também é cruel e horrível e é assim, sempre foi e sempre será. Pode estar uma merda agora, mas não, não vai acabar - pelo menos não agora e acho muito pouco provável que termine enquanto nós e nossos netinhos estiverem vivos.

Pensei nisso porque uma amiga postou no Facebook um texto escrito por um amigo dela (ou imagino que seja amigo dela) que diz o seguinte:

"Tem gente que fica esperando um super meteoro, uma onda gigante, um dilúvio de chuva ácida. Mas o fim do mundo já esta aí nas nossas caras faz tempo. Na filha que assassina os pais, no pai que joga a filha da janela, no deliquente que mata por amor. O fim do mundo tá na velhice abandonada em corredores de hospitais, na merenda que apodrece nos galpões, na falta de saneamento básico. O fim do mundo tá ali onde não chega a eletricidade, onde a água é salubre, onde o voto é trocado por sapatos. O fim do mundo tá no gatilho do bandido, tá em cada muro que a gente ergue e em cada cadeado que a gente tranca. Quisera eu que o fim do mundo fosse instantâneo como a colisão do meteoro, ou viesse de vez na crista da onda gigante. Melhor morrer de vez do que morrer aos poucos."

Tudo o que ele diz realmente é péssimo. Mas olha, eu acho que o mundo já foi pior. Ou tão ruim quanto está agora. Vejamos.

O que já teve de guerras, invasões que arrasaram cidades inteiras, catástrofes naturais, epidemias que mataram populações quase inteiras, roubalheiras, filho que mata pai e vice-versa (inclusive em guerra pelo poder), etc etc etc, desde que o mundo é mundo, e no mundo inteiro?  Já prestaram atenção na História? Sabem como se vivia antes?

Em algumas viagens que fiz tive a oportunidade de conhecer ruínas e lugares históricos. Tudo o que vi e aprendi neles me fez chegar à seguinte conclusão: a humanidade mudou muito pouco. Sempre teve rolo com religião, com poder, com paixões, com a busca pela beleza, pelo dinheiro, preconceitos, com tudo que vivemos agora. sempre teve violência de uma forma ou de outra. Claro, algumas questões são mais atuais, mas essencialmente são muito parecidas com as de sempre.

Além disso, antes as condições de vida pra todo mundo eram bem piores. Exemplinho pequeno: fui num cemitério na Escócia (tava lá, parecia de filme de terror, entramos) e fiquei impressionada de ver, em muitos túmulos, algo tipo assim: túmulo do século 18 ou 19. O pai, a mãe, ambos mortos relativamente jovens, e uma penca de filhos mortos bebês ou novinhos. Eram MUITOS. Negada morria que nem mosca!! Não existia saneamento básico, nem muito remédio nem nada. O povo pegava qualquer coisa e pá, morria. Nossa, lembrei também das pilhas e pilhas de ossos numa catedral de Viena, pertencentes às vítimas da epidemia de peste que houve lá, acho que no século 16, não tenho certeza. E indo pra antes, em Roma, que nego tava lá aí chegava um monte de bárbaro e acabava com tudo? E os nego se matando entre eles mesmos lá?

Uma vez li uma crônica, acho que do Machado de Assis. Ele falava do mundo dele, do mundo daquela época, INGUAL a gente fala agora. Mas igualzinho mesmo. E olha só, tamo aqui até agora. Alguns estão melhor que outros, infelizmente, mas tamo aqui.

Poderia escrever até páginas sobre as coisas que vi e aprendi nesses lugares e essas minhas impressões, mas vou ficar por aqui porque né? Não precisa.

Eu acho até que o mundo tá melhorando. A gente tá tomando consciência do que não fazer, tá aprendendo, e mesmo que seja muito aos pouquinhos, mesmo que nos ferremos por coisas que a humanidade sempre fez e não deveria ter feito, mesmo que ainda haja tudo o que o moço falou e muito mais, eu acho que a tendência, a looooongo prazo, é melhorar. Poxa, até que o post terminou otimista, hein?


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Da série "a gente sabe que está ficando velha quando..." - percebe que está ficando igual aos pais

Papai às vezes troca nomes, palavras, letras. Toda hora ele me diz "a Nadja tá aqui" quando se refere à minha irmã (que obviamente não se chama Nadja) e toda vez que ele vê um ex-vizinho nosso, ele o chama pelo nome do irmão - que inclusive morreu, o que torna a gafe mil vezes pior. Esses são só alguns exemplos.

Mas isso não é exclusividade dele. Minha falecida vovó Ana, mãe dele, era assim. Ela falava o nome de todas as netas até acertar qual era a que estava chamando, o que fez que meu primo tomasse a iniciativa de fazer uma lista de netos, que nem eram tantos assim, em seu computador daqueles que ligavam na TV, isso lá nos anos 80. (aliás, ele pôs meu primo William em primeiro e eu por último, eu perguntei por quê e ele disse "é por ordem de gordura", enfim, aquele tipo de coisa que manda a gente pra terapia anos depois).

Meus tios, irmãos do meu pai, também fazem essas confusões, o que nos faz desconfiar de algum componente genético nessa história (não, não é Alzheimer. Tirando isso - e a pressão alta, e a vista cansada, a bursite, etc etc - estão todos com a cabeça ótima, felizes e saltitantes).

Eu às vezes dou risada, às vezes me irrito, às vezes corrijo, às vezes não ligo. Mas é uma coisa que eu não gostaria de fazer, pois eu já cometo gafes o suficiente sem trocar nomes.

Só que aí que está o problema: eu estou trocando nomes.

Na viagem fiquei na casa de uma amiga. O marido, Jon. O filho, Joey. Pra quê, né? Era chamar o marido de Joey, o nenê de Jon, aquela coisa toda. "Ah, mas ok, são muito parecidos mesmo".

Aí eu fui na casa de uma amiga de infância que tem um gato. "Ai, como o Petit tá lindo". "Aqui é o quartinho do Petit?" "Porque o Petit..."

"Nadja, você lembra que o nome dele é Mignon, não Petit, né?"

Eu tô cansada de saber o nome do gato. Inclusive opinei na escolha do nome. Ela bota toda hora no FB. Eu SEI o nome do gato. Mas passei o tempo todo chamando o Mignon de Petit.

É... a gente sabe que está ficando velha quando percebe que está ficando como os nossos pais.

Petit é o caralho, meu nome é Zé Mignon!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Frase do dia

A vida é uma comédia para os que pensam e uma tragédia para os que sentem. (Horace Walpole, romancista inglês)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um vídeo para se identificar

Vi este vídeo esses dias e acho que muitos de nós de (quase) (mais de) 30 podemos nos identificar. Ele aborda as crises que a geração de 30 está tendo que enfrentar de um jeito rápido e bonitinho. Foi feito na Espanha, então nós brasileiros não vamos entender todas as referências. O espanhol dá pra entender, acho, mas se não as imagens falam por si mesmas.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Leitoras de (quase) 30 - Nadja responde 3

E aqui estou eu dando pitaco na vida dos outros novamente na seção de maior sucesso do blog, "Nadja responde". (mentira que é "maior sucesso", essa é só a terceira vez que a escrevo, sendo que a segunda foi em maio do ano passado. Mas tem que fazer a coisa parecer importante, tipo o que o povo faz no Linkedin quando fala dos seus empregos). 


O que aflige a leitora anônima é o seguinte:


"Aos 27 anos decidi largar meu emprego, no qual estava infeliz e adoecendo, para recomeçar minha vida profissional do zero. Estou fazendo minha segunda graduação e encontrei minha verdadeira vocação, mas continuo desempregada. Estou tentando arrumar um estágio, mas parece que meu currículo é muito bom para essa "simples" vaga. Hoje sou completamente dependente financeiramente de meus pais e, muitas vezes, me sinto como a mosquinha da bosta do cavalo do bandido. Sei que tenho muito a agradecer, pois meus pais e namorado me apóiam, mas é difícil, complicado e dolorido ter que pedir dinheiro aos meus pais a esta altura da vida, afinal, em maio completarei 29 anos. Em meio a isso tudo repenso em todas as minhas escolhas, não só profissionais mas pessoais também. Gostaria que escrevesse um post sobre moças como eu, que estão felizes por ter a oportunidade de recomeçar mas que em certos dias se sentem mal por estar próxima aos 30 e ainda serem dependentes financeiramente."


Olha, leitora, realmente a sua situação não é a ideal. Mas a que você estava antes era ideal, por acaso? Estar em um emprego que te faz mal? Pelamordedeus. Passei por isso há pouco tempo e não desejo nem pra gente que eu não gosto. 


Você teve a coragem de ir atrás do que realmente quer, coisa que nem todo mundo consegue fazer. Você é pelo menos corajosa, então por que se sente a mosquinha do cocô do cavalo do bandido?? Autoestima, minha filha! Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima! Escreva "eu sou foda" no espelho do banheiro!


Só que gente quer que tudo seja fácil e macio nessa vida e não é bem assim, né? Então agora você está tendo de lidar com as consequências imediatas dessa sua escolha, que são ter dificuldade em arrumar um trabalho e depender financeiramente dos pais. Bacana? Não. Mas é assim e a única coisa que você pode fazer agora é continuar procurando um trabalho pra tentar sair dessa situação assim que possível.


Acho que você tem que ter paciência e persistência. Além disso, poderia tentar ver outros caminhos. Não sei qual é a sua área, mas será que não dá mesmo pra entrar em um nível superior ao de estagiário? Nem que seja um nivelzinho acima, um "estagiário plus"? E será que você está procurando direito? Entrando em contato com amigos, conhecidos, conhecidos dos conhecidos, etc? Isso também ajuda, além de internet, classificados, Linkedin, etc etc. Se já estiver fazendo tudo isso e muito mais, um dia aparece algo, viu? De novo: paciência.


Ainda bem que você tem o apoio dos seus pais e do seu namorado. Que bênção, hein?? Quantas pessoas não gostariam de ter feito o que você fez mas não puderam porque não tinham como ficar sem o salarinho e estão lá sofrendo num emprego bosta? Você teve como sair dessa, apesar de não estar na situação ideal depois disso. Que ótimo! E que bom que você sabe que tem que agradecer por isso. 


Pode ter certeza de que um dia seus pais vão precisar da sua ajuda em algum sentido, aí você vai lembrar de todo esse apoio deles e retribuir, se for uma boa pessoa (e acho que é, afinal lê meu blog hihihi) 


Querida, muita calma nessa hora. Olhe a situação com aquela ótica de "copo meio cheio" porque pelo menos no trabalho de merda você não está mais. Acredite no seu potencial, na sua inteligência e no seu discernimento para escolher o que é melhor pra você. Seja otimista e continue lutando pelo que você quer. Boa sorte!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Paradoxos dos 30 anos - Parte 1

Essa vida é cheia das contradições, paradoxos, hipocrisias e outras absurdidades profundamente cotidianas. Mas nesta fase nossa dos (quase) (mais de) 30 parece que vivemos umas bem específicas, né?  Já pararam pra pensar?

Por exemplo, aos 30 (e poucos) você de repente já fez uma pós-graduação, se bobear um doutorado. É moça estudada, independente, cheia de si. Mas é incapaz de lidar com pequenices como matar uma barata sem causar comoção no prédio inteiro ou escolher em menos de cinco minutos o que vai vestir na festa.

Eu já disse isso em algum post, mas volto a dizer aqui: os 30 são a única idade em que você tem espinhas e rugas, ou seja, os Clean and Clear convivem em harmonia no armário do banheiro com o Natura Chronos 30+ e você nunca sabe bem qual deles usar (talvez um sobre o outro?).

A mulherada, principalmente nas grandes cidades, pega o carro até pra ir à padaria que está a dois quarteirões de casa. Não levanta nem pra ir pegar água na cozinha se está vendo a novela na sala. Mas gasta fortunas na academia, onde passa horas na esteira fazendo o quê?? Caminhando tudo o que ela não caminha na vida. Né?

Com o advento (adoro essa palavra) da telefonia por internet, você consegue falar todos os dias com a sua amiga de infância que mora na Nova Zelândia. Fala com o seu casinho italiano, com a prima que está em outra cidade. Mas não sabe nem o nome da vizinha da frente. E se lembra vagamente da cara do vizinho do lado, que você cumprimenta com um "oi" murmurado nas 3 vezes por ano que vocês se cruzam.

Férias. Ah, que delicia. Você finalmente vai poder relaxar e deixar os problemas pra trás pelo menos por alguns dias. Mas aí tem o megacongestionamento pré-festas, as filas gigantescas no supermercadinho da praia, o corte de energia elétrica, as queimaduras de sol, o voo cancelado, a intoxicação alimentar depois de comer a maionese suspeita da pousada, o namorado que foi parar no pronto-socorro depois de cair de bêbado e cortar o pé, a chuva, o ar-condicionado quebrado, a briga com a tia Maria no pôquer... enfim, você tirou férias dos seus problemas velhos mas arranjou problemas novos! Relaxar? O que era isso, mesmo?

E esses não são os únicos paradoxos dessa vida trintiana. Pensei em mais alguns, que vão ficar pra Parte 2 do post! E vocês, têm algum pra sugerir?

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Engraçadinho

O moço de camisa estranha chega pra ela na balada e diz:

- Sabe o que eu tenho aqui no meu bolso?

Ela achou a pergunta tão descabida que nem parou pra pensar em tudo o que ele poderia ter no bolso e muito menos em por que diabos um homem perguntaria isso a uma mulher em uma discoteca. Só conseguiu responder "ai, o quê?" E ele, fazendo uma voz de comediante dos anos 50 e tirando uma carta de baralho do bolso:

- Um coringa!

Não deu nem dois meses e já estavam morando juntos. Ela achou o máximo essa originalidade dele, esse senso de humor, esse frescor. Ela dizia pras amigas "foi uma abordagem inédita!" e morria de rir. Ele era o que ela nem sabia que estava procurando. Alguém capaz de surpreender, de fazer o inusitado. A vida dela não era fácil, ela precisava de alguém assim, que a fizesse esquecer dos problemas.

Viveu seis meses feliz com o seu piadista, se orgulhava de estar com "um cara super alto astral, sabe? Alegre!" Tinha feito a escolha certa.

Até que um dia ele lançou a do "é pavê ou pacomê?" no jantar de Natal na casa da Tia Eunice.

E depois teve a vez que ela estava com o cabelo meio armado (umidade, sabe como é) e ele disse "morzão, o que você passou no cabelo?"

- Nada, ué!

- Pois devia ter passado um pente!

E começou a gargalhar. Depois dessa ela demorou mais de um mês pra conseguir transar com ele de novo.

E teve o churrasco de aniversário do irmão dela, onde ele ficou horas chamando de "bambi" o sobrinho são-paulino dela de 6 anos. "Por que bambi, papai?"

E depois ele repassou um powerpoint com classificações de peido pra todos os contatos de e-mail dele. Incluindo ela, amigos do casal, parentes.

Mas o negócio degringolou quando, durante um jantar gourmet que ela estava preparando para alguns casais amigos, ele disse pra Gisela, moça finíssima que trabalhava com ela e que vestia uma belíssima blusa de seda com babados:

- Ô GiselE! GiselE! A sua blusa, ó, aqui no pescoço, tá tudo babado!

E começou a gargalhar. Ninguém mais riu e logo voltaram a comentar a crise do bloco europeu, enquanto ele tentava interromper dizendo "babado, de baba e da roupa, entenderam? Hein?"

No dia seguinte ela se mudou de volta pra casa da mãe. A velha sofria de artrose, bursite, gota, obesidade mórbida, pressão alta e psoríase. Ah, e depressão crônica. Morava com um gato preto manco de 16 anos em uma casa caindo aos pedaços num bairro decadente da cidade.

- Mas pelo menos ela não faz piadinha imbecil. Alto astral, o cacete. A vida é uma merda mesmo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

As típicas do relacionamento

Bom, já que o "as típicas da solteirice" fez sucesso, vamos falar agora da outra cara da moeda: de quando a gente tem uma companhia masculina fixa, ou seja, quando temos um rolo/namorado/marido/tico-tico no fubá como diria o Silvio Santos. Como no outro post, vamos elencar (gostou?) dez das situações que passamos ao lado dos nossos garbosos pares:

- Ás vezes você fica olhando pra ele quando ele está dormindo ou distraído, e pensa: "nossa, como ele é lindo... olha que fofura... se bem que ele tem o nariz meio estranho, né? E os olhos meio separados demais... aaai, mas são olhinhos tão lindos... mas a cara dele é meio torta, né? Pensando bem ele é meio estranho... mas é tão bonitinho..." e assim vai.

- Pelos e cabelos: nossos belos e sedosos cabelos caem. Eles parecem ter uma preferência pelo ralo do banheiro ou pelos travesseiros e almofadas da casa. Nossos rapazes reclamam, esquecendo que o corpo deles costuma ser coberto de pelos que fazem questão de cair em tudo quanto é canto da casa, principalmente no sabonete. E os pelinhos de barba na pia? O horror, o horror.

- Você quer, ele não quer. Você não quer, ele quer. Quase sempre. E isso serve pra pedir uma pizza, pra sexo, pra ir no aniversário da Tia Tônia, pra ter um filho, pra pintar uma parede do apê de laranja...

- Você vai toda feliz mostrar pra ele o sapato lindo, colorido e diferentoso que comprou. Ele faz cara de nojinho e te olha como se você fosse um E.T, dizendo "eu acho estranho, mas se você gosta..." O mesmo acontece quando ele te mostra a TV LCD HD super surround sound mega DVx que ele comprou em 24 prestações e que tem 230 funções, das quais ele vai usar três (ligar, regular o volume e mudar de canal). "Eu acho estranho, mas se você gosta..."

- Você conta uma história que acabou de acontecer, ba-ba-do!, se esmera em contar os detalhes, as idas e voltas, os personagens e o surpreendente final. Fica matraqueando uns 37 minutos. Ele diz "ah, é? Poxa" e muda de assunto sem sequer fazer um comentário sobre a quentíssima que você acabou de contar.

- Ele sempre diz que você é exagerada, você sempre diz que ele é frio. Segundo o DataNadja, isso acontece em 87% dos casais heterossexuais das classes A, B e C nas principais capitais brasileiras. É ou nao é?

- Outro motivo de constantes conflitos: o cobertor. É comum um dos membros do casal acordar com frio e bravo porque o outro puxou demais o cobertor pro seu próprio lado. Isso costuma ter consequências bem complicadas: trocas de acusações, gritos, cara feia, ameaças (vou te botar pra dormir no sofá, hein!).

- Eles quase nunca acertam quando compram presente pra gente. Só se contam com ajuda, e ainda assim tem que ser ajuda boa, porque não é qualquer ajuda que ajuda (vixe!). Esperamos ganhar uma linda bolsa, ganhamos uma meio brega e baratex (escolhida pela sogra). Esperamos um jantar romântico, ele prefere pedir uma pizzinha porque está cansado. Já a gente repara se ele estava precisando de uma blusa nova, se comentou que queria comprar aquele DVD, então quase sempre a gente acerta. Injustiça.

- Somos seres humanos. Seres humanos suam, exalam, excretam. Líquidos, gases, ruídos, melecas em geral. Eu sou assim, a Beyoncé é assim, o seu namorado é assim. E às vezes, por mais que a gente tente manter o glamour na relação (sou super a favor), a gente perde o controle sobre o nosso corpinho e as escatologias e fisiologias fazem a gente passar vergonha. Mas nisso os casais são diferentes: enquanto algumas moças mandam o mancebo ir dar uma volta só pra elas fazerem seu cocozinho e ele não ver/ouvir/sentir nada, outras fazem concurso de arroto com o moço e dão risada se eles peidam e metem a cabeça delas debaixo do cobertor.

- Se tinha uma coisa que eu odiava quando não tinha namorado era ver casal se falando com vozinhas e apelidinhos babacas. "Tchutchito, pô favô, faz isso pa sua pitinininha". O horror, o horror.  Pois bem. Só que um belo dia o cupido bateu à minha porta e na flechinha que ele acertou em mim devia ter o veneno que faz os apaixonados falarem assim. Então adivinhem como eu falo com o meu rapaz? Não chega a ser uma voz de bebê dessas vomitáveis, mas é uma vozinha. E grande parte dos casais faz isso, né? Tem que ter pelo menos o bom senso de não falar coisas tipo "pitchuco, hoxe eu não quelo ir no supelmelcado" na frente de outras pessoas.

Ter um relacionamento é bacana, mas também rolam várias frustrações, conflitos e afins de diferentes intensidades. Às vezes é uma delícia, às vezes cansa e você pensa "ai, será?". Só que então você lembra das típicas da solteirice  e aí...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

As típicas da solteirice

Atualmente eu tenho um macho pra chamar de meu, mas nem sempre foi assim. Aliás nunca tinha sido assim a não ser durante breves meses na adolescência. Acho que por isso me sinto mais à vontade pra falar de solteirice que de relacionamentos. Vendo blogs de solteiras, fiquei lembrando da minha longa e não tão longínqua solteiritude e pensei numas situações pelas quais as moçoilas desprovidas de companhia fixa masculina passaram, passam ou passarão na vida. Ô, dureza. Vamos a dez delas:

- Você tá louca pra ir pra guerra balada. A sua amiga, não. Você azucrina tanto a coitada que ela topa. Ela pega um gatinho e fica com ele a noite toda; você é obrigada a conversar com o amigo fedorento dele que só fala de redes sociais até conseguir dar um perdido no moço. Vai embora sozinha.

- Você foi convidada para o aniversário do seu amigo jogador de rugby. Fica empolgada, imaginando todo um cardápio de rapagões fortes e  parrudos à sua disposição. Metade deles vai à festa com as respectivas namoradas; a outra metade esta mais interessada em se entupir de cerveja, dar soquinhos uns nos outros e dançar "I Gotta Feeling" pulando abraçada com 13 marmanjos suados.

- Você olha. Ele olha. Você olha. Ele olha. Você sorri, ele se aproxima, chega bem pertinho. Ele está com um bafo insuportável de cigarro e cerveja e estômago vazio. Você disfarça a cara de nojo e logo diz que tem que ir procurar a Ana Paula, que disse que ia ao banheiro e não voltou mais, deve estar perdida, coitada.

- Casamento da sua prima. Você é a única solteira. A família inteira diz "e o namorado?", você diz que não tem, dizem "nossa, tão bonita, o que acontece?" Mas duvido que te escutariam se você sentasse e começasse a contar o que acontece. "Olha, sabe o que é, tio Astolfo? O último cara que eu saí, o Fernando, pulou fora porque disse que estava confuso e depois eu descobri que ele tinha namorada, aí..."  As pessoas te olham com cara de dó. A tia-avó mais saidinha diz "tá certa ela, ela é nova, tem mais é que aproveitar!" Já a tia Cileide te empurra pra ir pegar o buquê.

- Ele é uma graça. O papo foi ótimo; os beijos, uma delícia. Você acha que desse mato sai cachorro, fica contente. Ele não liga. Você manda mensagem, ele responde vagamente. E não liga. Você manda outra mensagem. Ele nem responde. E não liga. Nunca mais você ouve falar dele.

- Você, deitada na cama e olhando pro teto, tem a clara impressão, a nítida sensação e praticamente certeza de que nunca mais vai ter um namorado na vida. Se imagina velhinha, grisalha, com 17 gatos e uma estranha mania de acumular objetos. Ah, e solteira.

- Você capricha. Maquiagem belíssima, cabelos sedosos, unhas feitas, roupa sensual, salto alto. É hoje que eu tiro a barriga da miséria, você pensa ao se olhar no espelho antes de sair. Mas quem acaba chamando a atenção dos rapazes na noite é a sua amiga loira, bunduda e meio brega. O único que te lançou olhares gulosos foi o flanelinha de 17 anos, que pelo menos não cobrou nada pelo árduo trabalho de "cuidar" do seu carro.

- Ele não é bonito. Ele é chato. Você fica com ele. Ah, é que ele estava tão quentinho e cheiroso...

- Ele te adora. Como amiga. E come a sua amiga.

- Todo mundo diz que você deveria expandir seus horizontes pra aumentar as possibilidades de conhecer alguém com os mesmos interesses. Frequentar novos lugares, fazer cursos. É mesmo, né? Aí você resolve estudar alemão. Na sua turma tem duas meninas meio ripongas de uns 20 anos, uma senhora de 58 cujo filho foi morar na Alemanha e um executivo seríssimo de quase 50 anos, casado, três filhos. O professor é até bonitinho, mas você tem quase certeza de que é gay. Depois de dois semestres, você não conheceu ninguém e continua sem falar pirongas de alemão.

Pois é, minha gente, a solteirice não é doce e nem é mole, não. Quer dizer, eu acho que todas as fases da vida tem suas delícias e vantagens, mas é que na solteirice a gente passa por cada uma, né? Se bem que em um relacionamento também, mas isso fica pra um próximo post.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Princesas

A filha, 5, mostrando pra mãe, 35, o livrinho de colorir das Princesas que ganhou do pai.

- Mãe, eu sou uma princesa, né?

Não, filha. Você é apenas uma menina qualquer, filha de uma mãe qualquer. Diria que é a minha princesa, ainda assim quando não me torra a paciência.


- É sim, filha! Uma liiinda princesa!

- E um dia eu vou conhecer um príncipe?

Vai sim, filha. Mas ele vai ser casado com uma bruxa má. Ou vai ter uma ex que é uma bruxa. Ou vai estar "confuso". Ou não vai querer "nada sério por enquanto".


- Isso, um príncipe bem lindo e gentil!

Que vai ser seu amigo gay.


- E a gente vai dançar juntinho e dar beijo na boca?

- Beijo na boca? Onde você viu isso, filha?

Malditas novelas.

- Ah mãe, eu sei que gente grande se dá beijo na boca, né?

Nem tão grande, filha. O povo tem começado cedo. Espera mais uns 6 ou 7 anos que você vai ver.

- Tá bom... vai dar beijo sim, filha.

Mas ele não vai ligar no dia seguinte.

- E a gente vai namorar?

Se ele ligar, e vocês saírem vááárias vezes, e ele não estiver "confuso", "enrolado com a ex", e se você não implicar com o sapato feio dele e achar ele bacana, podem até namorar, quem sabe talvez se tudo der certo. Mas não espere.

- Claro, a princesa tem que namorar com o príncipe, né, filhota?

- Éééé... e a gente vai casar?

Pouco provável. Se ele não estava confuso no começo do namoro, vai estar confuso agora. Ou você vai querer viver novas experiências e vai largar dele pra fazer mochilão na Europa com o estagiário gatinho de 18 anos cheio de piercings que entrou há 3 meses na empresa. Mas pode ser, vai ver que você dá sorte.

- Vão sim, filhota, numa festa bem bonita!

Na qual eu vou estar brigando com a mulher do bufê, falando mal do vestido da mãe do noivo e te dando palpite enquanto você grita comigo dizendo "me deixa, mãe, o casamento é meu e não seu! O seu já foi e já acabou, não estrague o meu!" E eu não vou chorar pra não borrar a maquiagem caríssima.

- E vamos ter muitos filhinhos?

Com os preços das coisas hoje em dia? Mensalidade da escola, inglês, professora particular de matemática, psicóloga, brinquedos, presente pro coleguinha... melhor não. Um, dois no máximo. Se é que vale a pena.

- Filhinhos lindos como você e o seu príncipe!

- E a gente vai ser feliz pra sempre?

Essa foi boa, filha. Só se "pra sempre" for até vocês estarem numa mesa com advogados negociando a pensão, depois que você descobriu que as "viagens de negócios" dele na verdade serviam para ele ir a Santa Catarina visitar a Alessandra, uma loira que ele conheceu num congresso enquanto você cozinhava o jantar e tentava distrair as crianças. 


- Pra sempre, filha!  Agora vamos tomar um banhinho e nanar, tá?

Que a vida é assim mesmo e eu quero ver a novela. Preciso falar pro Marcos parar de dar essas porcarias de princesas pra ela...





segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Shopping ou rally? *

Temos mania de entrar em uma relação achando que estamos entrando em um shopping center: é onde temos tudo o que precisamos ao nosso alcance e quando bem entendermos, basta poder pagar. Não há obstáculos pra você circular ou chegar aonde quer, nunca está frio ou calor demais, sol ou chuva demais, tudo é bonito e limpo e fácil e agradável de olhar (não estou falando, claro, de shopping às vésperas do Natal. Pensemos em um na manhã de uma terça-feira comum, sem muita gente, que na verdade é como um shopping deveria ser sempre). A realidade fica do lado de fora.

Só que não é bem assim.

Na verdade, deveríamos começar um relacionamento como quem começa um rally: sabendo que vai ser difícil, tortuoso, que o tempo pode não ajudar, que vamos ter que passar por inúmeros obstáculos, que vamos nos sujar, suar, escapar por pouco de acidentes ou terminar sofrendo um, quem sabe até fatal. Mas tendo em mente que vamos passar por belas paisagens, momentos eletrizantes e que, no final, a recompensa pode ser maravilhosa e fazer todo o trajeto valer a pena.

*Post inspirado no comentário que a Carol deixou no meu "post polêmico" dizendo que a vida não é um shopping center. Taí uma verdade, né, Carol? 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Post resposta a um post que li

Hoje li um post no blog Coisinhas de Noiva escrito pelo Cafa, do famoso blog Manual do Cafajeste. Tem vezes que concordo com o que ele escreve, mas desta vez achei algumas coisas do post tão absurdas que deixei um comentário e resolvi até transformá-lo em post, agregando algumas coisinhas. 


Concordo com tudo o que ele diz no texto (vai lá ler, preguiçoso!) até chegar ao item "Greve de Sexo". Aí, na minha humilde opinião, a coisa desandou.


Primeira pérola: "(...) mulheres que deixam de transar com seus maridos 3 meses antes de se casar para  fazerem com que o cara caia babando na lua de mel. (...)" Bom, nunca ouvi falar disso, mas vai ver eu estou desinformada. Mas vem cá, a gente também não gostaria de ficar 3 meses sem transar com o namorado/noivo, não? Entao pra quê? Ou é só o homem que gosta de sexo? Ou só fazemos sexo para agradá-los?


E logo depois: "se você for gordinha, faz mais efeito perder 3 quilos a ficar sem dar 3 meses; se for magra, faça 3 meses de musculação intensiva para enrijecer o glúteo." É só isso que conta? É só por quilos a menos que um cara está com você? E se você for magra, nao basta, tem que ter a bunda dura? É só pela bunda dura? Sinceramente: se você for gordinha, o cara nem vai notar que você perdeu 3 quilos, afinal não é com 3 quilos a menos que você deixa de ser gordinha. E se ele estiver com você mesmo cometendo o pecado e a aberração de ser gordinha, é porque ele gosta. E se não gosta, que vá procurar outra. 

E as pérolas continuam: "ficar em forma quando está solteira é estratégico para encontrar alguém, ficar em forma quando está compromissada é fundamental para manter esse alguém." Claro, porque você só vai encontrar o amor se tiver uma bunda de Panicat. E só vai mantê-lo se continuar pra sempre com essa bunda. Amor, respeito, boa convivência, tesão, harmonia? Nada disso é fundamental. Ele nem citou isso no post. 
É fundamental estar "em forma". Mulheres gostosas não ficam solteiras, não entram em relações de merda, não são traídas, os namorados nunca enjoam delas. Aprendam.


"O problema é ficar mais de semana sem sexo, aí tem coisa errada." - Segundo quem? E se for uma semana de merda, se o filho estiver doente, e se você não estiver a fim por qualquer outra razão que não seja o fim do amor ou do tesão? E se além de um monte de problemas você ainda puser mais um na cabeça porque uma semana sem sexo = coisa errada? 


Outra de peso: "O cara casa com uma mulher X e depois ela fica 3X". Ah tá, e ele fica pra sempre praticamente o Ken da Barbie, né? Não engorda, não fica com barriga (e nunca diz, rindo e com uma lata de Skol na mão, "isso não é barriga, é um calo abdominal"), não fica careca, não começa a peidar na nossa frente, não envelhece... tá sempre lindo, malhado e de pau duro! 


Nem vou comentar o da despedida de solteiro, achei nojento e desnecessário.


"Pode ter certeza que mais de 90% dos relacionamentos das leitoras que lêem o blog vai terminar antes da morte de um dos dois." Adoro as estatísticas. De novo, segundo quem?

Meninas, que tal pensarmos um pouco antes de bater palmas pras coisas que um homem fala da gente?

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Eu, hein

Esses dias aqui onde eu moro só se falou numa coisa: o julgamento de uma moça de 24 anos acusada de matar sua melhor amiga na casa que dividiam. O crime aconteceu há mais de 4 anos e, na terça, ela foi absolvida por falta de provas. Só que continuam sem saber quem foi, e a família da vítima diz "ter certeza" de que a moça, chamada Lucila, é a assassina.

Sei lá eu se foi ela ou não. O que impressiona, além do horror da história, é que elas moravam mais ou menos perto da minha casa; a acusada poderia ser conhecida minha, amiga de amiga. A vitima também. Bom nível social, estudadas. E até agora não se sabe o que aconteceu. Se não foi a amiga, quem foi?

Não vou entrar mais no mérito do crime porque, né? Quem sou eu. De qualquer maneira, vendo as notícias sobre este caso eu fiquei pensando umas bobagens... não cheguei a me colocar no lugar da acusada, mas fiquei refletindo cá com os meus botões: imagina que situação, se não foi ela mesmo?? Matam sua amiga e te acusam. O que você faz?

Nas entrevistas que eu vi ela estava sempre séria e tranquila, dizendo que não foi ela, que pode ter sido um pedreiro da obra ao lado, ou algum inimigo do pai da falecida, que ela também quer saber quem foi. Mas assim, falando normalmente. Eu acho que eu estaria num desespero! Imagina! Acho que eu estaria chorando e berrando GEEENTE PELAMORDEDEUS NÃO FUI EU, COMO EU IA FAZER ISSO?? ME AJUDA, NÃO FUI EEEU!!

Como você acorda no dia a partir do qual você pode ficar o resto da vida na cadeia? Sem poder fazer muitos planos, sem poder sonhar com muita coisa?

Como você escolhe um modelito pra ir a um julgamento, o seu julgamento? Um brinco, um sapato? "Será que preto vai me deixar com cara de criminosa? Blusa com brilhos pega mal? Estampa, rola?"

E fiquei pensando, como ela dormiu todos esses anos? Como ela comprou roupa, escolheu um corte de cabelo? Como ela namorou? Como ela deu risada, e do quê? Como ela trabalhou?

Que horror.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Tô Pra Matar

Junte a crise dos 30 com cansaço, muitas coisas pra fazer e hormônios oscilantes num período especial do mês. O que você obtem? Uma louca. Louca temporária, louca por causa da TPM, mas louca enfim.

Não que sem esses ingredientes a gente seja muito normal, venhamos e convenhamos. Como diz o meu sábio pai, a mulherada tá tudo louca. Mas eles pioram nossa já intrínseca loucura. Às vezes, muito.

A mulher nesta situação vira bipolar, se ja não é. Em um momento ela está se arrancando os cabelos na frente do espelho, se achando feia e pensando como o mundo é uma merda. Aí três minutos depois ela vê um comercial de papel higiênico com cachorrinhos correndo e começa a chorar porque cachorrinhos existem e o mundo é tão lindo. Em seguida o namorado liga dizendo que vai se atrasar 15 minutos e ela grita com ele dizendo que ele não tem consideração e que é melhor nem vir mais. Seis minutos depois ela lê um twitt engraçadinho desses de humor feminino, chora de rir e pensa que a vida é boa e que as pessoas podem ser tão geniais. E esse lenga-lenga interno dura de dois a cinco dias, às vezes mais. E acontece uma vez por mês. É lindo.

Imprevisível. Insuportável. As pessoas tem que ter cuidado com uma mulher na TPM, pode sobrar pra quem menos se espera. Aliás a mulher neste período deveria andar com uma plaquinha pendurada no pescoço, tipo essas "cuidado, cão bravo": "cuidado, mulher na TPM". Fica a dica pra empresários do ramo dos acessórios ou da segurança privada.

Mas na verdade quem mais sofre com a TPM é a própria afetada. Todo mundo pode se afastar da louca, todo mundo tem uma maneira de se proteger, menos ela mesma. Ela não pode fechar a porta, ir pra outra sala, não telefonar. Todos os meses, ela tem que conviver por dias a fio com uma vozinha na cabeça dela dizendo "você é uma merda, o mundo é uma merda, tudo é uma merdaaa!", e com uma ansiedade sem justificativa, e com lágrimas que insistem em brotar dos olhos por nada, e com dores e incômodos e modess e abas e manchas.

Pelo menos esse pico de maluquice passa. Só que volta no mês seguinte. E passa. E só termina mesmo em uns 35 ou 40 anos, contando desde a primeira TPM da vida. Aí chega a menopausa e a loucura muda mas ainda existe. Mulheres...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ah, meus 20 anos

Ontem vi uns vídeos de quando eu tinha quase 20. Pra ser mais exata, 18 e 19.

Dei graças a Deus por ter 30 anos. Não sei se 30 é minha idade áurea, meu auge - desconfio que não, que ainda não cheguei a este ponto. Mas os quase 20 definitivamente não foram minha melhor fase.

Eu estava feia. Nossa! Minhas sobrancelhas eram totalmente equivocadas, meu cabelo era de maria mijona, meus muitos quilos a mais me deformavam, minhas roupas não favoreciam. O horror, o horror. Isso eu relembrei pelos vídeos, e aí fiquei pensando como eu era na época.

Minha habilidade com os rapazes era praticamente nula. Eu não me via como alguém capaz de seduzir, eu era apenas a gordinha amiga de todo mundo. Hoje sei que eu me colocava neste papel e não as pessoas. E se algum mocinho ousasse tentar me tirar dessa minha carapuça, tomava um fora automático, muitas vezes involuntário, algumas vezes até agressivo. Coitados. Foram anos de terapia pra superar isso.

Apesar dessas coisas, eu era feliz. Era molecona, brincalhona, tinha milhares de amigos, estava em todas as viagens e festas e me divertia horrores mesmo sem nunca ter bebido ou usado drogas. Ninguém se conformava e foram várias as tentativas de me fazer beber um pouco, mas o máximo que conseguiram foram golinhos e caras de nojo.

Naquela época eu era menos preocupada e não tinha que lidar com tantas responsabilidades como hoje em dia, coisa que eu acho que ainda não faço muito bem. Disso eu sinto falta. Acho que eu mais sonhadora, hoje estou mais cagona e com mais incertezas.

Aos 30 eu continuo feliz e brincalhona, estou mais ajeitadinha e sei que é possível um rapaz simpatizar com a minha pessoa a ponto de querer me dar besitos e algo mais. Vários já quiseram, alguns até conseguiram, veja só que louco, né, Nadja de quase 20?

Então por que eu reclamo tanto de ter 30? Que bom que o tempo passou, me fez bem!!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Semana da ficção - Post 2 - Feliz por elas

Tudo o que ela precisava naquele dia era sair com as amigas. Ela já se sentia um pouco melhor, era hora de voltar a fazer outra coisa além de casa-trabalho. Já havia passado mais de um mês desde que o noivo, ou melhor, o ex-noivo, tinha terminado tudo porque tinha "conhecido uma pessoa". Ainda doía, ela ainda tentava entender, mas sentia que precisava se distrair, conversar, ver gente, dar risada.

Encontrou as três em um bar depois do trabalho. Tinha até se maquiado um pouco, afinal ela estava de volta ao mercado e não podia sair em público com cara de quem chorou em todos os últimos 47 dias.

Gritinhos, abraços, queridas, como você tá? Depois de dizer que estava melhorando, que foi feio mas que ela ia sobreviver e que agora ela ia pra guerra e ninguém ia segurá-la, perguntou "e vocês, o que contam?"

A primeira contou que tinha comprado um apartamento com o namorado. Novinho, fofo, bem localizado - adjetivos que serviam tanto para o apartamento quanto para o namorado.

Gritinhos, abraços.

A segunda, que sempre sofria na mão de homens que não queriam nada com ela, fez um mistériozinho antes de gritar, com um sorriso: "tô namorando!"

Mais gritinhos, mais abraços.

E a terceira, que estava mais gordinha: "é, acho que vocês repararam que eu engordei... mas não ando abusando do brigadeiro, não. É que eu tô grávida!!".

Ainda mais gritinhos, ainda mais abraços, até algumas lágrimas.

No carro, indo pra casa, ela olhava os próprios olhos no retrovisor. Nossa, que bom, né? Noite gostosa. Elas estão todas bem, tão felizes. Eu tô na merda e elas felizes. A vida é assim mesmo, né? Tô feliz por elas. Tô mesmo, de verdade. Elas merecem. Fico feliz quando elas estão felizes. Juro. Que ótimo.

O que ela não conseguia explicar pra si mesma era o aperto no coração. E o choro generoso depois que chegou em casa e se jogou na cama.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Semana da ficção - Post 1 - Ternura

*nota da redatora: resolvi que esta semana vai ser dedicada a posts de ficção, ou seja, pequenos continhos saídos diretamente da minha cabeça. Espero que gostem!"*

"Veja bem...". Ela odiava quando ele dizia "veja bem". Por acaso ela não via bem? Só ele via bem? Ela via muito bem, obrigada. Via até mais longe que ele. Ela tinha vontade de morrer quando ele dizia isso. Morrer não, matar. Matá-lo.

"Veja bem, Gi-ulia..." Que Gi-ulia, mané Gi-ulia. Ela odiava quando ele dava essa italianada inútil no nome dela. E ainda separava as sílabas, "Gi-ulia". Que vontade de arrancar a língua dele com a mão, só pra ele nunca mais poder falar "Gi-ulia" pra ela. Era Júlia, porra. Júlia.

"Você não entendeu bem o que eu quis dizer." Não, não entendeu. Ela nunca entendia. Além de cega era burra também. Não é ele que não sabe se expressar, ela é que é burra. Bem que ela poderia fazer uma lobotomia nele, mas sem anestesia e com instrumentos caseiros. Só pra ele deixar de achar que ela era burra. Ele também deixaria de achar qualquer outra coisa, o que seria um belo bônus.

"Quando eu disse que não queria que você saísse com as suas amigas naquele dia, eu..." Tá, tá bom. Ele nunca estava errado. Sempre tem uma explicação pra tudo. Ela que não entendia e estava sempre errada, afinal era cega e burra. E se ela empurrasse ele da varanda? "Foi suicídio, gente, estou muito abalada e não posso falar mais nada". E se ela desse uns tiros nele e dissesse que foi um assalto? "Foi horrível, eles foram muito cruéis". Mas onde ela ia arrumar uma arma?

Ele continuava falando mas ela nem escutava mais, perdida que estava em suas doces divagações. Por que ela ainda estava com ele? Anos e anos com aquele chato. Se pelo menos ele fosse bonito. Se pelo menos fosse bom de cama. Se pelo menos fosse rico. Mas não. Nada. Ele só era chato. Insuportável. E por que ela não o largava? Era medo de não encontrar outro? Era costume? Chato. Se ele sumisse, os problemas dela estariam resolvidos. Ou se ela o fizesse sumir, quem sabe. Não seria tão difícil. Quem desconfiaria daquela moça sempre arrumada, sempre impecável, séria, trabalhadora?

Se bem que... coitado. Ele era chato mas era bonzinho até. Era um moço direito, a mãe dela gostava tanto dele. Os avós. Ele era chato mas era dela, né? Hoje em dia tá complicado conseguir alguém. Ela penou pra consegui-lo. Os homens não prestam. E ele nem era tão feio assim. As orelhinhas de abano dele eram tão bonitinhas. Tão magrinho ele, parecia que ia quebrar. Até que ele era fofo. De vez em quando. Ela é que era má, pensando essas besteiras. Tadinho.

domingo, 15 de maio de 2011

Leitoras de (quase) 30 - Nadja responde 2

*Post reescrito porque o Blogger fez o favor de sumir com o original*


Esses dias mais uma leitora, desta vez anônima, me escreveu pedindo conselho. De novo: quem sou eu pra sair dando conselho, minha gente? Fora que se conselho fosse bom a gente não dava, roubava, mas mesmo assim vou me atrever mais uma vez e meter o bedelho onde eu fui chamada. 


"Nadja, vc não tem uns conselhinhos pruma garota que acabou de levar um pé depois de anos de namoro? Dá um post bem interessante e útil."


Olha, amiga anônima, meu primeiro conselho é: tenha paciência com as pessoas que vão ficar repetindo clichês como "bola pra frente" ou "calma que a fila vai andar". Elas só querem te ajudar  e não sabem bem como. Diga "é, valeu", dê um sorrisinho e pronto. 


Outra coisa: evite a síndrome de Susana Vieira. Não se obrigue a estar feliz e ótima e saltitante se você não tem vontade. Você acaba de perder algo que era importante pra você e imagino que isso tenha abalado suas estruturas; portanto, você não deve estar no seu melhor momento. É natural, cazzo! Viva a tristeza, o luto. Não estou dizendo pra você passar meses trancada no quarto de camisola velha e comendo Sonho de Valsa enquanto imagina diferentes formas de suicídio. Longe disso. O que estou dizendo é que a tristeza passa mais rápido se você a viver, passar por ela, do que se você ficar varrendo-a pra baixo do tapete da alegria falsa só pra não ter de conviver com ela.


Algo importante também é não deixar que o que aconteceu afete a sua auto-estima. Pode ser que as coisas não tenham funcionado como o esperado com o rapaz, mas isso não necessariamente significa que haja algo errado com você ou que você seja isso isso e aquilo. Vai ver você não encaixava com ele, mas pode perfeitamente encaixar com outro, ué. Não fique se achando o cocô do cavalo do bandido e nem fique achando que você esta condenada a uma vida de passar vergonha tentando pegar o buquê em casamentos ou cuidando de 32 gatos sozinha num sobrado velho. Aproveite a oportunidade para pensar - "pensar", não "remoer"- aprender, evoluir, e não pra ficar procurando o que há de errado com você.


Mas o bom é que essa dor passa. Ninguém morre por terminar um namoro, não! Ou você já viu algum obituário escrito "causa da morte: pé na bunda"? Um dia dói, no outro dói menos, e quando você for ver vai ter vivido um monte de coisas novas e essa tristeza vai estar velha, desbotada, jogada no fundo de uma gaveta que você quase nem lembra que existe. Quando você se der conta, a bola já vai ter ido pra frente há muito tempo!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Muuu

Sejamos realistas: sempre vai ter pelo menos uma vaca perto do seu namorado/marido/misto de ambos/rolo. É algo que foge do seu controle, que está fora do seu alcance. Inevitável. Tem que se conformar: sempre vai ter uma vaca perto do seu namorado. Conviva com isso.

Pode ser uma colega de trabalho, uma vizinha, uma amiga, uma ex, a dentista dele, qualquer uma. A vaca vai deixar mensagenzinha falsamente fofa no Facebook dele, vai falar com ele e te ignorar quando você estiver ao lado dele, vai passar rebolando na frente dele, vai ficar toda florida e sorridente pegando no braço dele enquanto fala ou vai simplesmente existir - pior, existir perto do seu namorado. Ah, que ódio das vacas.

Não adianta querer aprisionar o eleito em uma grande bolha de vidro (às vezes você tem vontade de fazer isso, né, sua louca? Admita), nem amarrar no pé da mesa (é, isso seria mais fácil que a bolha), nem colar um localizador com GPS no pobrezinho (hummm não seria uma má ideia). Não adianta ligar 257 vezes por dia para o moço tentando controlar onde ele está, como, quando, com quem, com que roupa. Qualquer esforço para manter o seu namorado longe de uma vaca é inútil. Quer dizer, você pode até conseguir afastá-lo de uma vaca especifica, mas nunca de todas. Não adianta: sempre vai ter uma vaca perto do seu namorado.

Pior é que homem adora uma vaca. Por mais bacana e sensível e diferente do resto que ele seja, ele ainda é um homem, e as vacas exercem um grande fascínio sobre os homens - se não nem seriam vacas. Elas fazem eles se sentirem desejados, mais machos, o que massageia o frágil ego deles. Elas os deleitam com suas calças enfiadas nas nádegas (não, ela não se sentou em um varal, é de propósito mesmo), com seus risinhos delicados, femininos e idiotas, com seu jeitinho de pin-up malfeita. Eles não necessariamente vão ter alguma coisa concreta com as vacas, mas só a existência delas já é o suficiente pra fazer a gente querer chutar o pau da barraca e sair dando uns cascudos por ai.

Ah, que ódio das vacas.

A situação parece desesperadora, mas há maneiras de lidar com as vacas e sua irritante existência.  Aqui vão alguns sábios conselhos da tia Nadja para isso:

1) Nunca destaque pra ele o fato de que a vaca é uma vaca - evite dizer coisas do tipo "você viu a foto que aquela vaca colocou no Facebook?" ou "Nossa, odeio aquela vaca".  Talvez ele, tão desligado, nem tenha percebido a vaquice da vaca. Essa é a melhor das hipóteses. Talvez ele tenha percebido mas não se importe, é algo com o qual você tem paranoia se preocupa e ele nem tchum. Se você disser que ela é uma vaca, ele provavelmente vai pensar "nossa, é mesmo, ela é vaca. Delícia!" E vai passar a reparar mais na vaca, estabelecer aquele flertezinho inocente com a vaca... ou seja, você que chamou a atenção dele para o fato de ela ser uma vaca! Feitiço contra o feiticeiro. Não é isso que você quer, né? Então evite referências à vaca, principalmente usando o termo "vaca" ou similar (piranha, vagabunda, galinha, sirigaita, lambisgoia, etc etc.)

2) Nunca demonstre ter ciúme da vaca - essa é difícil. Haja sangue de barata pra engolir seco diante de alguma vaquice. Mas evite frases do tipo "o que aquela vaca tanto tem pra falar com você?" ou "quem é essa vaca curtindo a sua foto?". Tente não demostrar ciúme porque o homem, no fundo, gosta de saber que você tem ciúme dele, é outra massagem no ego: oh, sou desejado, as mulheres me querem, vejam só como eu sou gostoso. Se bobear ele sutilmente vai provocar alguma situaçãozinha que envolva a vaca, só pra fazer você subir nas tamancas e soltar seu lado loca loca loca enquanto ele é puro júbilo. Tente não cair nesta armadilha!

3) Seja mais você - é um conselho meio Ana Maria Braga, mas é sério. Pense com a tia Nadja: com quem o seu rapaz passa as noites de sábado, é com a vaca? Não. Com quem o moço faz planos para o futuro como viajar, mudar de país ou ir no Habib`s sexta à noite, é com a vaca? Não, é com você. Se a vaca fosse tão legal assim, ele estaria lá com ela, e não com você. Então pra que ficar com caraminholas na cabeça? A vaca que fique lá com as suas vaquices, quem tá com o moçoilo é você. Aproveita, boba! Agora, se ele realmente estiver fazendo essas coisas com a vaca... você está com problemas, amiga.

Viram? Dá pra lidar medianamente bem com o fato inexorável de que sempre vai ter uma vaca perto do seu namorado. Você pode acabar perdendo ele pra ela? Pode, mas também pode acabar perdendo pra vizinha nerd da qual você nunca desconfiou, ou ele pode acabar te perdendo pro seu professor careca e gorducho mas com uma lábia infalível. Nunca se sabe, são coisas que não podemos controlar. Fazer o quê?

Ah, que ódio das vacas.

Still alive

Faz tempo que não escrevo nada mas tô aqui. É que tive uma semana difícil que me deixou uma lição que eu gostaria de compartilhar com meus leitores.

Sábado à tarde, sozinha em casa, vontade de comer chocolate. Desci e comprei um grande no mercadinho. Abri, vi que estava meio estranho. Chequei a data de validade, só vencia em outubro. "Deve estar assim por causa do calor", pensei. E mandei pra dentro.

Foi um erro. E paguei caro por ele.

Passei mal a semana inteira, com todos os agradáveis sintomas de uma intoxicação alimentar. Cada dia era um que me torturava. acho que meu corpo se rebelou contra mim. "Quer comer chocolate a qualquer preço, gorducha? Não importa se tá ruim e nem nada?? Tá pensando o quê? Agora tooooma!"

Hoje, mais de uma semana depois, ainda não estou 100%.

Moral da história: se um chocolate parece não estar bom, ele realmente não está. E isso serve pra muitas outras coisas na vida.