Pois nem isso eu posso fazer no momento.
Daqui uns dias estou indo embora do país onde morei nos últimos dez anos. Ou seja, onde vivi praticamente 1/3 da minha vida, onde virei adultinha com contas pra pagar, onde desenvolvi quase toda a minha vida profissional, onde conheci meu amor. Vou voltar pro Brasil e, pelo menos até o fechamento desta edição, não sei exatamente onde vou trabalhar e o que vou fazer. É tudo um grande sei lá.
E sabem o que estou achando de toda essa incerteza? FANTÁSTICO. Isso era algo que antes me angustiava; no tempo que levei para decidir largar um emprego de anos que eu não suportava mais, eu morria de medo de não arrumar outra coisa, de não conseguir me sustentar, de deixar a estabilidade de uma grande multinacional para não saber bem quanto ia ganhar no fim do mês, mesmo que essa estabilidade estivesse custando a minha felicidade.
Aí eu larguei o cazzo do emprego e fui feliz. Fiz trabalhos muito legais, tive que rejeitar outros trabalhos legais, consegui me sustentar. E vi que não é necessariamente uma coisa terrível você não saber que daqui a três meses você vai estar sentando na mesma escrivaninha, reclamando do mesmo chefe, mandando e-mails pras mesmas pessoas. Muito pelo contrário. É fascinante.
É fascinante pensar em quantas possibilidades eu tenho à frente. Dá um friozinho na barriga gostoso tentar adivinhar qual será a próxima cartada do destino, qual a entrevista que vai mudar a minha vida, qual casa vai caber no orçamento e conquistar meu coração, em que cidade vou estar. Seria legal conseguir um emprego que me permita trabalhar de qualquer lugar, aí eu daria umas viajadas e tals, mas também seria legal arrumar um empreguinho bacana na cidade que eu quero e que pague direitinho.
Claro que a ansiedade dá as caras. Aí eu fico ai meu deus, ai meu deus, aí eu como o que não deveria e o jeans fica apertado, aí penso em tudo que tenho que fazer antes de ir e digo ai meu deus. Normal e esperado nessas situações, acho.
Mas o mais importante, minha gente, é que em meio a tantas mudanças, incertezas e afins, estou feliz. E tenho quase certeza de que, daqui a três meses, vou estar ainda mais.








