segunda-feira, 18 de março de 2013

No ar antes de mergulhar

Como vai estar a sua vida daqui a três meses? A minha, eu não sei. Ninguém sabe, na verdade, a gente não sabe nem se vai estar vivo daqui a um segundo. Mas em geral, quando a vida tá na calmaria da rotina, você tem um certo grau de certeza de que, se nada de extraordinário acontecer, vai estar morando onde mora, trabalhando onde trabalha, de repente já tá até planejando uma viagenzinha ou uma festa pra julho.

Pois nem isso eu posso fazer no momento.

Daqui uns dias estou indo embora do país onde morei nos últimos dez anos. Ou seja, onde vivi praticamente 1/3 da minha vida, onde virei adultinha com contas pra pagar, onde desenvolvi quase toda a minha vida profissional, onde conheci meu amor. Vou voltar pro Brasil e, pelo menos até o fechamento desta edição, não sei exatamente onde vou trabalhar e o que vou fazer. É tudo um grande sei lá.

E sabem o que estou achando de toda essa incerteza? FANTÁSTICO. Isso era algo que antes me angustiava; no tempo que levei para decidir largar um emprego de anos que eu não suportava mais, eu morria de medo de não arrumar outra coisa, de não conseguir me sustentar, de deixar a estabilidade de uma grande multinacional para não saber bem quanto ia ganhar no fim do mês, mesmo que essa estabilidade estivesse custando a minha felicidade. 

Aí eu larguei o cazzo do emprego e fui feliz. Fiz trabalhos muito legais, tive que rejeitar outros trabalhos legais, consegui me sustentar. E vi que não é necessariamente uma coisa terrível você não saber que daqui a três meses você vai estar sentando na mesma escrivaninha, reclamando do mesmo chefe, mandando e-mails pras mesmas pessoas. Muito pelo contrário. É fascinante.

É fascinante pensar em quantas possibilidades eu tenho à frente. Dá um friozinho na barriga gostoso tentar adivinhar qual será a próxima cartada do destino, qual a entrevista que vai mudar a minha vida, qual casa vai caber no orçamento e conquistar meu coração, em que cidade vou estar. Seria legal conseguir um emprego que me permita trabalhar de qualquer lugar, aí eu daria umas viajadas e tals, mas também seria legal arrumar um empreguinho bacana na cidade que eu quero e que pague direitinho.

Claro que a ansiedade dá as caras. Aí eu fico ai meu deus, ai meu deus, aí eu como o que não deveria e o jeans fica apertado, aí penso em tudo que tenho que fazer antes de ir e digo ai meu deus. Normal e esperado nessas situações, acho.

Mas o mais importante, minha gente, é que em meio a tantas mudanças, incertezas e afins, estou feliz. E tenho quase certeza de que, daqui a três meses, vou estar ainda mais.




sexta-feira, 8 de março de 2013

Apenas mais uma homenagem infeliz às mulheres

Eu sigo uma rede de lojas de sapatos no Instagram. Aliás, nem sei por quê, já que os sapatos deles estão cada vez mais caros e pavorosos, cheios de tachas e caveiras e coisas excessivamente douradas. Aí puseram como "homenagem" hoje uma foto da Audrey Hepburn e a seguinte frase "ser mulher é: aguentar toda correria e fazer isso linda, de salto alto."

Verdade, né, gente? Ser mulher é isso aí, a frase resume muito bem. A gente só precisa "aguentar a correria" de trabalhar que nem uma louca, buscar as criança na escola, fazer o jantar, etc etc etc, linda e de salto alto. A gente não sua, a gente não fica descabelada, não tem vontade de tacar a porra do salto alto que está acabando com o nosso pé na cara do primeiro imbecil que aparecer na nossa frente. O nosso grande trunfo é estar sempre linda - e de salto alto - apesar dos pesares. Inclusive Audrey Hepburn estava sempre na correria nos filmes e nem por isso descia do salto.

Sugestões para melhorar a frase, se eles quisessem que ela tivesse algo a ver com sapato:

"Ser mulher é: aguentar toda correria sem tacar o sapato na cara de ninguém"

"Ser mulher é: se sujeitar a usar algo que machuca os pés porque dizem que assim é mais bonito"

"Ser mulher é: ter que ler imbecilidades no dia das mulheres falando de sapatos, beleza feminina e outras superficialidades"

Este post vai meio na direção do que eu escrevi uma vez aqui. Rola uma mania de identificar as mulheres apenas com sua beleza física, como se não houvesse nada mais, como se não tivéssemos nenhum outro valor. Ok, eu gosto de estar gatinha, de me sentir bonita, quem não gosta? Mas sou mais que isso, e vocês todas também. Também não tenho nada contra salto, inclusive eu uso - e sim, caio na armadilha de usar um sapato di-vi-no e altíssimo em um casamento e ficar sonhando com uma havaianas em vez de aproveitar direito a festa. Mas, repito, sou mais que isso. E no fim da festa, ou da "correria", não tô mais linda e já joguei o salto pra baixo da mesa e tô dançando descalça mesmo. Sou menos mulher por causa disso?

Preguiça de Dia das Mulheres nesse nível, viu.

segunda-feira, 4 de março de 2013

As viagens de Nadja VII - Perdida no Bosque

Por questões profissionais, minha mãe morou uns anos na Suíça. Aí eu tinha que passar pelo sofrimento de ir visitá-la todos os anos. País feio, tudo quebrado, mal-cuidado, ferrado, paisagens horríveis, perigoso, um horror.




Em uma dessas visitas eu tive a brilhante ideia de ir dar "só uma voltinha" no bosque que ficava atrás da casa dela para tirar umas fotos da paisagem invernal. Era só por uns poucos minutos porque logo depois íamos sair. Aí eu fui sozinha, sem celular, sem lenço e sem documento, só com a máquina fotográfica e enfurnada em umas 17 camadas de roupa. "Eu vou rapidinho e já volto".

Fui andando toda maravilhada, tirando mil fotos e gravando vídeos, brincando com a neve - porque brasileiro quando vê neve é aquela coisa mágica e jacu, a gente fica meio abobado mesmo, não adianta. Tava me sentindo em Nárnia:

Isso é a Nárnia do filme

Isso é o bosque. Não é iNgual?






Quando achei que já era hora de voltar, virei e fui andando na direção de onde vim. Legal. Até que apareceu uma bifurcação. E agora, José?

Escolhi uma direção e fui. E era tudo branquinho e congelado e neve e só. E eu não chegava. Aí vi umas escadinhas e resolvi subir para ver tudo de cima e me localizar. Não deu certo. Algumas casinhas, mas nenhum sinal de vida nelas.

Sim, eu estava perdida. Bem perdida. Aí eu andei, andei, andei, não sei nem por quanto tempo. Nada de placas, nada de chegar, só neve e casinhas sem sinal de vida ativa naquele momento.


Até que vi um senhorzinho entrando em uma casa. Fui lá e contei a ele, em um misto de inglês e alemão, que estava perdida. Até choraminguei um pouco pelo desesperinho da situação. Ele me fez entrar na casa, gritou algo para a mulher, pegou a chave do carro e disse "eu te levo" - pelo menos o endereço da minha mãe eu sabia de cor. Fui batendo o maior papo com o senhor, que tinha ido pro Brasil em mil-novecentos-e-aracy-de-almeida e me contou suas aventuras lá. Ele também me disse que realmente eu tinha andado demais e já estava até no município ao lado. Esse é o Hans, meu salvador:


Quando cheguei, minha mãe e o marido tinham saído para me procurar e não estavam. Encontrei um vizinho da minha mãe e contei a situação a ele, agora não lembro se para pedir o celular emprestado ou o quê. Mas logo eles chegaram e não se conformaram com como eu pude me perder por lá ("Achei que você tinha caído, quebrado uma perna e não conseguia voltar! Você é boba??")

Fique tão traumatizada com a história que tive que me consolar aqui:


(mentira, não fiquei traumatizada, mas fala pra mim se a loja da fábrica da Lindt não é um pedaço do paraíso na Terra??)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscar da depressão

A gente pode falar o que for dos vestidos das atrizes, quem tava brega, quem tava linda, quem tá velha, etc etc.

Pode fazer tumblr da Anne Hathaway parecendo um palmito (e tava mesmo!).

Pode desejar Bradley Cooper, mesmo achando meio estranho isso de ele levar a mãe, e pode rir da Jennifer Lawrence caindo. Pode falar do tamanho da Adele.

Mas:

Com todo o nosso conhecimento sobre moda, toda a nossa finesse e bom-gosto, tamo criticando gente que está usando sapatos que custam o nosso salário para ir a uma festa à qual jamais iremos, do sofá das nossas casinhas comuns.

Anne Hathaway e seu Oscar cagaram pro que você achou do vestido dela (eu achei pavoroso!).

Você pode inventar uma ótima piada sobre o vestido da Halle Berry, mas já se imaginou com ele? Ficaria como ficou nela?

O cabelo da Jennifer Aniston está sempre igual. Já o seu é a coisa mais original deste mundo, não?

A gente fica falando mal do vestido da Nicole Kidman, mas vai saber o que ela diria do vestido que você usou no casamento da Juliana, aquele pink com bordados que você comprou na Zépa* . E não importa o que você ache do vestido da Nicole Kidman, ela vai continuar sendo uma estrela milionária de Hollywood e você aí no escritório fingindo que trabalha enquanto está no FB.

Você nunca caiu em um momento importante, mas também nunca ganhou um Oscar - menos ainda aos 22 anos.

Bradley Cooper pode levar quem ele quiser na noite mais fotografada e assistida do mundo. Você não consegue nem entrar em balada de graça.

Então, né? Só nos resta falar mal (ou bem, por que não?) dessa coisa toda, o que mais podemos fazer? Aliás, para o que mais serve o Oscar pro grande público?

E pro post não ficar amargo, vou botar aqui os dois vestidos que achei mais lindos:



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Mentirinhas

Ontem no blog 7x7 da Época vi um post falando sobre um tumblr muito bonitinho, o Daily Dishonesty, que mostra "lovely little lies from a hungry graphic designer" segundo a autora. Me identifiquei com vários desenhos, como estes, e acho que meus milhares de leitores também vão se identificar:





segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Quem não gosta de Nutella, bom sujeito não é

Pra quem não sabe, o Nutella é um creme desenvolvido pelo capeta em pessoa para nos fazer cair em tentação e engordar (o que, como sabemos, é mil vezes pior que cair em tentação). Com seu sabor que mistura chocolate, avelãs e algum ingrediente que deve ser secreto, delicioso e viciante, o Nutella pode ser saboreado em crepes, pães, sorvetes e coisas extremamente calóricas e engordativas doces e deliciosas em geral, mas o melhor mesmo é entuchar a colher no pote e levá-la diretamente à boca com um carregamento generoso. E depois a gente culpa a genética, não é mesmo, minha gente?

Mas tudo isso apenas para dizer que:


(imagem tirada da página do Facebook Não Confio)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Birra do Instagram

Diz que foi carnaval, né? Nem vi. No máximo vi as bizarrices carnavalescas do Ego e olhe lá. Além disso, tive um feriado bem chatinho por causa de alguns perrengues, então meu espírito carnavalesco está abaixo de zero.

Mas nisso eu vi que a Blogueira Shame publicou em sua página do Facebook a seguinte figura, parece que da Folha de São Paulo:



Aí lembrei que fazia tempo que eu queria falar das minhas birras do Instagram, que como todas as outras redes sociais, tem coisas muito bacaninhas mas também tem coisas  irritantes, desagradáveis, nojentas e outros adjetivos que denotam algo negativo. Como coisa ruim rende mais assunto que coisa boa, vamos falar dos tipos de fotos que eu odeio ver no Instagram (e imagino que muita gente também):

- comida - esse é um clássico. Foi num restaurante diferentoso e o prato era superbonito? Ok. A mãe fez uns cupcakes muito graciosos? Legal. Mas botar sempre foto do bife à parmegiana, do macarrão, do miojo, da azeitona, do pastel mordido, etc etc etc... sinceramente, ninguém tá interessado no que você almoçou.

- machucados - pode ser implicância minha, mas acho de mal gosto ficar botando foto de raladas ensanguentadas, roxos, galos e afins em close, com riqueza de detalhes. Uma vez tive a honra de ver um pé masculino peludo e ferrado. Para quê, gente?

- look do dia no elevador - eu não sei como pessoas que publicam isso todo dia não se sentem idiotas. Mas vai ver que a idiota sou eu, porque muitas das que fazem isso ganham um dinheirão com esse tipo de coisa, né...

- cachorro e gato todo dia - eu gosto dos dois bichos e de vez em quando ponho fotos de bichos alheios, já que no momento não tenho nenhum. Mas toda hora pôr foto do mascote de lado, de frente, deitado pra receber carinho, comendo, brincando, sendo um bicho apenas (que é o que eles fazem na maior parte do tempo)... dá um tempo, né?

- janela de avião - essa eu não tenho tanta birra, mas vi em uns twits da Helô Righetto sobre o tema e acho que essa birra pode ser compartilhada por outras pessoas. Eu acho meio bobo só, embora goste de uma ou outra foto assim, mas vai ver que é porque viajo de avião com frequência e não me empolgo tanto a ponto de tirar fotos (a não ser quando vejo minha casa do avião quando estou chegando no país onde moro, aí acho o máximo!)

- detalhe demais - uma amiga minha muito querida uma vez pisou na merda. E botou uma foto de uma planta em primeiro plano mas com o restinho da merda do lado. Detalhes demais, não? Até falei pra ela, embora me achando meio chatonilda, mas pôxa! Daqui a pouco nego vai tirar foto das obras de arte que deixa no banheiro depois daquela feijoada.

Não sei se repararam, mas na maior parte dos itens eu escrevi "todo dia", "sempre", "toda hora". É que eu acho que geralmente o que enche mesmo o saco de quem te segue no Instagram é que você exagere em alguns tipos de fotos que não acrescentam muito ou não são especialmente bonitas ou interessantes.    E tem as que desafiam os limites do bom-gosto também, que são de lascar!