quarta-feira, 16 de maio de 2012
Frase do dia
A vida é uma comédia para os que pensam e uma tragédia para os que sentem. (Horace Walpole, romancista inglês)
sexta-feira, 4 de maio de 2012
A busca da atividade física perfeita
Desde o ano passado venho procurando uma atividade física que eu curta fazer, que me faça bem, que me deixe menos ansiosa e que me ajude a emagrecer.
Estava fazendo academia há mais de um ano. Spinning, aerolatino, ás vezes esteira e bicicleta. Quer dizer, contemos nesse tempo os meses que só paguei a academia sem ir, ou que fui uma vez por semana e olhe lá. Sempre há uma desculpa para não ir. Mas mesmo não indo me sentia superbem, afinal é um lindo trabalho de caridade pros donos da enorme rede de academias isso de pagar e não ir. Bom saber que estamos ajudando pessoas, né?
Mas aí o preço da mensalidade aumentou drasticamente e eu resolvi sair do meu trabalho meio sem saber o dia de amanhã, então saí da academia. Neste meio tempo caminhei, ás vezes 3 vezes por semana, ás vezes menos, ás vezes nenhuma. Agora que chegou o friozinho, complicou.
Nas minhas andanças perto do trabalho novo descobri um lugar desses meio alternativos, que tem aula de expressão corporal, danças, teatro, pilates, blá blá blá. Me empolguei e pedir pra fazer uma aula de hip hop.
Puts.
Primeiro que eu entro na sala e tem umas meninas fazendo espacate. Nunca consegui fazer espacate na vida. Nem virar estrela quando era pequena eu sabia. "Fodeu. Isso não é pra você. Não é pra vocêêê". Sendo que o espacate era pra se aquecer pra aula, então imagina o que faziam na aula em si. Não é pra você, Nadja, corra enquanto é tempo. E elas tinham aquela bunda durinha de bailarina. Não é pra você.
Depois o professor entrou, disse que essa aula era um pouco mais avançada na verdade, mas que eu poderia tentar e que em outro dia a aula era um pouco mais tranquila. Perguntei se poderia ficar olhando por enquanto, ele concordou.
Foi a melhor coisa que fiz. Só pra começar a aula e se aquecer neguinho já estava fazendo passos que eu não conseguiria fazer nem aquecida. Nem depois de um ano de treino. Nem depois de dois. Aí eles começaram a praticar a coreografia que vinham ensaiando.
Puts.
Peguei minhas coisinhas, agradeci o professor e fui embora.
Aí falei pra recepcionista que não deu certo e que ia tentar pilates.
Fui hoje lá no pilates. Olha, inicialmente gostei da ideia de fazer exercício deitadinha numa cama e de meia. Se tivesse uma TV passando Friends seria quase o que eu faço toda noite só que com um pouco mais movimento. Bacana.
Mas já me desanimaram no Twitter dizendo que foi só a primeira aula e que depois o bicho pega (valeu, @TiagoLeifert). Vamos ver. De qualquer maneira, deve me ajudar a melhorar minha péssima postura e dar uma modelada no corpitcho, né? Só não sei se emagrece, a professora era meio gorduchita. Espero também melhorar minha flexiblidade, atualmente bem próxima à de um tronco de árvore.
Mas admito que acho bem um saco essa história de ter que se mexer, viu? Tá, a gente se sente melhor, faz bem e tals, a gente fica mais gatinha mais magrinha (triste mas verdadeiro), mas não dava pra ter esses benefícios comendo chocolate e dormindo 12 horas por dia, papai do céu? Hein, hein?
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| não sou eu e não chego a isso, mas mais uns brigadeiros e... |
Estava fazendo academia há mais de um ano. Spinning, aerolatino, ás vezes esteira e bicicleta. Quer dizer, contemos nesse tempo os meses que só paguei a academia sem ir, ou que fui uma vez por semana e olhe lá. Sempre há uma desculpa para não ir. Mas mesmo não indo me sentia superbem, afinal é um lindo trabalho de caridade pros donos da enorme rede de academias isso de pagar e não ir. Bom saber que estamos ajudando pessoas, né?
Mas aí o preço da mensalidade aumentou drasticamente e eu resolvi sair do meu trabalho meio sem saber o dia de amanhã, então saí da academia. Neste meio tempo caminhei, ás vezes 3 vezes por semana, ás vezes menos, ás vezes nenhuma. Agora que chegou o friozinho, complicou.
Nas minhas andanças perto do trabalho novo descobri um lugar desses meio alternativos, que tem aula de expressão corporal, danças, teatro, pilates, blá blá blá. Me empolguei e pedir pra fazer uma aula de hip hop.
Puts.
Primeiro que eu entro na sala e tem umas meninas fazendo espacate. Nunca consegui fazer espacate na vida. Nem virar estrela quando era pequena eu sabia. "Fodeu. Isso não é pra você. Não é pra vocêêê". Sendo que o espacate era pra se aquecer pra aula, então imagina o que faziam na aula em si. Não é pra você, Nadja, corra enquanto é tempo. E elas tinham aquela bunda durinha de bailarina. Não é pra você.
Depois o professor entrou, disse que essa aula era um pouco mais avançada na verdade, mas que eu poderia tentar e que em outro dia a aula era um pouco mais tranquila. Perguntei se poderia ficar olhando por enquanto, ele concordou.
Foi a melhor coisa que fiz. Só pra começar a aula e se aquecer neguinho já estava fazendo passos que eu não conseguiria fazer nem aquecida. Nem depois de um ano de treino. Nem depois de dois. Aí eles começaram a praticar a coreografia que vinham ensaiando.
Puts.
Peguei minhas coisinhas, agradeci o professor e fui embora.
Aí falei pra recepcionista que não deu certo e que ia tentar pilates.
Fui hoje lá no pilates. Olha, inicialmente gostei da ideia de fazer exercício deitadinha numa cama e de meia. Se tivesse uma TV passando Friends seria quase o que eu faço toda noite só que com um pouco mais movimento. Bacana.
Mas já me desanimaram no Twitter dizendo que foi só a primeira aula e que depois o bicho pega (valeu, @TiagoLeifert). Vamos ver. De qualquer maneira, deve me ajudar a melhorar minha péssima postura e dar uma modelada no corpitcho, né? Só não sei se emagrece, a professora era meio gorduchita. Espero também melhorar minha flexiblidade, atualmente bem próxima à de um tronco de árvore.
Mas admito que acho bem um saco essa história de ter que se mexer, viu? Tá, a gente se sente melhor, faz bem e tals, a gente fica mais gatinha mais magrinha (triste mas verdadeiro), mas não dava pra ter esses benefícios comendo chocolate e dormindo 12 horas por dia, papai do céu? Hein, hein?
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Meninas e mídia
Vi no blog da Luciana Misura o vídeo que estou postando aqui. Ele fala sobre como a mídia que consumimos influi em nós desde cedo e como a mulher é representada nesta mídia. O vídeo é fofo e curtinho, mas tem que estar com o inglês afiadinho:
Ele foi feito pela Miss Representation, organização criada a partir do filme homônimo que faz campanha para "encorajar meninas e mulheres a desafiar os rótulos limitantes da mídia para desenvolver seu real potencial." Achei bem interessante!
terça-feira, 24 de abril de 2012
Não somos só isso
Estou sempre tentando descobrir blogs novos escritos por mulheres. E são muitos os que dizem que tratam do "universo feminino" (não estou falando do blog com este nome, que é este aqui), que dizem abordar "tudo o que as mulheres precisam". Diria até que são a maioria, mas não tenho como comprovar. Aí você vai lá ver do que se trata e é:
Maquiagem creme roupa look do dia tendências sapatos bolsas acessórios tutorial celebridades
E nem são só os blogs, os sites para o publico feminino também são assim. Embora falem de carreira, sexo, etc, a ênfase é sempre nessas coisas.
Meu.
Eu gosto de tudo isso. Adoro maquiagem. Cuido muito da minha pele. Adoro roupa, tinha muita, fiquei um ano sem comprar, continuo com muita. Look do dia, vejo alguns pra me inspirar, e me distrai. Não ligo pra tendências na hora de escolher o que usar mas gosto de saber o que tá rolando. Adoro sapatos. Bolsas, gosto. Acessórios, adoro. Tutorial, não tenho saco. Celebridades, ok, fuço.
Mas esse é o nosso "universo"? Isso é tudo o que a gente "precisa"?
Sei que tem blogs femininos que tratam de outros assuntos. Maternidade, viagens, feminismo, gastronomia. Mas pelo que eu vejo, a maioria é "futilidade" e "consumismo", e aliás se gabam disso (quantas autoras não dizem em suas descrições que são "super consumistas", como se isso fosse superbacana?)
Mulher é um bicho tão complexo, tão cheio de nuances, tão forte... a gente tem mesmo que se resumir a cosméticos, compras, modas, etc etc? Não pode pensar em outras coisas da vida também e ler e escrever sobre isso?
Vai lá e faz blog sobre esmalte e maquiagem, não tem problema. Mas não fale sobre nós mulheres como se fôssemos apenas um monte de desesperadas pelo último esmalte lançado pela Chanel. Nem como se ficar mais bonita fosse nossa única preocupação nessa vida. As "feminices" englobam muito mais do que isso. A gente tem mais o que fazer.
Maquiagem creme roupa look do dia tendências sapatos bolsas acessórios tutorial celebridades
E nem são só os blogs, os sites para o publico feminino também são assim. Embora falem de carreira, sexo, etc, a ênfase é sempre nessas coisas.
Meu.
Eu gosto de tudo isso. Adoro maquiagem. Cuido muito da minha pele. Adoro roupa, tinha muita, fiquei um ano sem comprar, continuo com muita. Look do dia, vejo alguns pra me inspirar, e me distrai. Não ligo pra tendências na hora de escolher o que usar mas gosto de saber o que tá rolando. Adoro sapatos. Bolsas, gosto. Acessórios, adoro. Tutorial, não tenho saco. Celebridades, ok, fuço.
Mas esse é o nosso "universo"? Isso é tudo o que a gente "precisa"?
Sei que tem blogs femininos que tratam de outros assuntos. Maternidade, viagens, feminismo, gastronomia. Mas pelo que eu vejo, a maioria é "futilidade" e "consumismo", e aliás se gabam disso (quantas autoras não dizem em suas descrições que são "super consumistas", como se isso fosse superbacana?)
Mulher é um bicho tão complexo, tão cheio de nuances, tão forte... a gente tem mesmo que se resumir a cosméticos, compras, modas, etc etc? Não pode pensar em outras coisas da vida também e ler e escrever sobre isso?
Vai lá e faz blog sobre esmalte e maquiagem, não tem problema. Mas não fale sobre nós mulheres como se fôssemos apenas um monte de desesperadas pelo último esmalte lançado pela Chanel. Nem como se ficar mais bonita fosse nossa única preocupação nessa vida. As "feminices" englobam muito mais do que isso. A gente tem mais o que fazer.
domingo, 22 de abril de 2012
Adendo ao "La vida es un tango"
Um comentário de uma leitora (obrigada, Naiara) fez eu me lembrar de uma palavra do léxico exagerado portenho que eu não coloquei no post e que é muito importante: DIOSA! Porque em Buenos Aires uma mulher bonita não é apenas uma mulher bonita, é uma deusa (diosa). Se for muito linda mesmo, é "re diosa".
Falando em expressões celestes, uma pessoa muito legal não é apenas muito legal, é "divina". "Ella es divina, y encima re diosa". Se ela é tudo isso, com certeza o namorado a chama de "preciosa", um dos adjetivos preferidos pelos charmosos portenhos na hora do xaveco.
Eu sabia que meu post não tinha ficado completo! E nem vai ficar com esse adendo, com certeza ainda há muito mais expressões exageradas usadas aqui e que eu não estou lembrando agora.
Falando em expressões celestes, uma pessoa muito legal não é apenas muito legal, é "divina". "Ella es divina, y encima re diosa". Se ela é tudo isso, com certeza o namorado a chama de "preciosa", um dos adjetivos preferidos pelos charmosos portenhos na hora do xaveco.
Eu sabia que meu post não tinha ficado completo! E nem vai ficar com esse adendo, com certeza ainda há muito mais expressões exageradas usadas aqui e que eu não estou lembrando agora.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Um vídeo para se identificar
Vi este vídeo esses dias e acho que muitos de nós de (quase) (mais de) 30 podemos nos identificar. Ele aborda as crises que a geração de 30 está tendo que enfrentar de um jeito rápido e bonitinho. Foi feito na Espanha, então nós brasileiros não vamos entender todas as referências. O espanhol dá pra entender, acho, mas se não as imagens falam por si mesmas.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
La vida es un tango
Não é um tema que costumo abordar neste blog, mesmo porque já falei muito dele no meu blog antigo e semi-abandonado. E também não tem a ver com a temática daqui, então digo algo ás vezes meio en passant e olhe lá. Mas sei lá, deu vontade de sair um pouco da linha "crise dos 30 - mulherzices - contos - histórias em geral". Enfim, o fato é que eu não moro no Brasil. Faz tempo. Moro em Buenos Aires.
A introdução foi só pra dizer o tema de hoje são los porteños. Antes, vamos esclarecer: portenho é só quem nasceu na cidade de Buenos Aires. No Brasil a gente costuma generalizar chamando todos os argentinos de portenhos, mas seria o mesmo que chamar todos os brasileiros de cariocas. O que aliás eles fazem, então fica meio elas por elas.
Pra ser mais especifica, o post vai falar de uma caraterística dos portenhos em particular: o exagero. Ô povo passional, exagerado e dramático! Não é à toa que a musica deles por excelência é o tango. A vida, pra eles, é um verdadeiro tango!
Isso se vê principalmente em como as pessoas falam, que expressões elas usam. Por exemplo, eles falam muito em morrer e matar, e pelos mais diversos motivos. Se uma portenha vê um bebezinho lindo, é bem provável que ela diga "ay, me muero!" ("eu vou morrer") seguida de alguma expressão que é carinhosa mas no fundo é agressiva como "me lo como a besos" (vou comê-lo dando beijos nele - "comer" sem sentido sexual, claro). Ás vezes você pede uma simples informação, tipo onde é a rua tal, e eles dizem "uy, me mataste" (ai, você me matou). Poxa, mas eu só queria saber onde fica a rua, o que tem de assassino nisso? Nada, a resposta quer dizer apenas que ele não sabe.
A gente diz coisas como "estou morrendo de fome" ou "minha mãe vai me matar se souber disso". Eles também, mas eles usam ainda mais esse tipo de expressão exagerada, em mais contextos.
E no amor ou na paquera, então? Se um argie te acha gostosa, ele pode dizer coisas como "te parto en ocho" (te quebro em oito pedaços) ou "te mato a besos" ou "te rompo la boca a besos". Imagina um brasileiro falando pra você "te quebro em oito pedaços"?? Seria pra chamar pra briga, e não um xaveco. Pois é!
Outra que eu acho muito divertida: quando você faz um favor a eles, por mínimo que seja, muitas vezes eles agradecem como se você tivesse salvado a vida deles. É comum te chamarem de "genia" ou "ídola" junto ao "gracias" ou até substituindo-o. Já tive diálogos assim:
- Nadja, cómo se dice "sábado" en portugués?
- Igual, sábado.
- Gracias, genia!
Afinal, realmente é preciso ser um gênio para ser brasileiro e saber que "sábado" em português é "sábado". Que exagero! É legal também quando você paga um chiclete com moedas e te agradecem dizendo "ay, mil gracias por las monedas!" Mil obrigados por simples moedas! Um só já tava bom, né?
Os adjetivos não ficam atrás no quesito "exagero". Pra gente,"lindo" é algo mais que bonito. Pra eles, lindo equivale a bonito. Se for muito bonito, é "hermoso", de preferência dito assim: "heeer-mosso". Se for feio, é "ho-rrrrrible". "Feo" é algo feinho ou ruim. Uma vez a gente foi pra uma cidade aqui perto, Chascomuz, porque tinham dito pra gente que era um lugar "her-mooosssso", com umas lagoas "her-moooosssas". E a pessoa exagerou e muito, porque de maravilhoso esse lugar não tem nada! O laguinho era bem mequetrefe e a cidade, idem.
E a tempestade que neguinho faz em copo d `agua? Outro dia, o computador do meu argie quebrou. Poxa, que merda, que saco, que contratempo. Mas ele disse, realmente compungido: "qué desastre". Desastre? Desastre é tsunami, meu filho!
Falando em tempestade, adoro ligar a TV quando está chovendo muito aqui. Qualquer temporal eles colocam lá, em letras garrafais: DILUVIA EN BUENOS AIRES. E fica rolando uma música tipo "plantão da Globo" que dá aquela impressão de que o mundo está acabando. Tem também o ALERTA com música de fim de mundo que eles colocam por notícias que nem são tão "alerta" assim.
Poderia continuar este post com exemplos e mais exemplos do exagero portenho. Com certeza os amigos que moram aqui vão lembrar de mais alguns. O tamanho da milanesa? O jeito de xingarem?
A introdução foi só pra dizer o tema de hoje são los porteños. Antes, vamos esclarecer: portenho é só quem nasceu na cidade de Buenos Aires. No Brasil a gente costuma generalizar chamando todos os argentinos de portenhos, mas seria o mesmo que chamar todos os brasileiros de cariocas. O que aliás eles fazem, então fica meio elas por elas.
Pra ser mais especifica, o post vai falar de uma caraterística dos portenhos em particular: o exagero. Ô povo passional, exagerado e dramático! Não é à toa que a musica deles por excelência é o tango. A vida, pra eles, é um verdadeiro tango!
Isso se vê principalmente em como as pessoas falam, que expressões elas usam. Por exemplo, eles falam muito em morrer e matar, e pelos mais diversos motivos. Se uma portenha vê um bebezinho lindo, é bem provável que ela diga "ay, me muero!" ("eu vou morrer") seguida de alguma expressão que é carinhosa mas no fundo é agressiva como "me lo como a besos" (vou comê-lo dando beijos nele - "comer" sem sentido sexual, claro). Ás vezes você pede uma simples informação, tipo onde é a rua tal, e eles dizem "uy, me mataste" (ai, você me matou). Poxa, mas eu só queria saber onde fica a rua, o que tem de assassino nisso? Nada, a resposta quer dizer apenas que ele não sabe.
A gente diz coisas como "estou morrendo de fome" ou "minha mãe vai me matar se souber disso". Eles também, mas eles usam ainda mais esse tipo de expressão exagerada, em mais contextos.
E no amor ou na paquera, então? Se um argie te acha gostosa, ele pode dizer coisas como "te parto en ocho" (te quebro em oito pedaços) ou "te mato a besos" ou "te rompo la boca a besos". Imagina um brasileiro falando pra você "te quebro em oito pedaços"?? Seria pra chamar pra briga, e não um xaveco. Pois é!
Outra que eu acho muito divertida: quando você faz um favor a eles, por mínimo que seja, muitas vezes eles agradecem como se você tivesse salvado a vida deles. É comum te chamarem de "genia" ou "ídola" junto ao "gracias" ou até substituindo-o. Já tive diálogos assim:
- Nadja, cómo se dice "sábado" en portugués?
- Igual, sábado.
- Gracias, genia!
Afinal, realmente é preciso ser um gênio para ser brasileiro e saber que "sábado" em português é "sábado". Que exagero! É legal também quando você paga um chiclete com moedas e te agradecem dizendo "ay, mil gracias por las monedas!" Mil obrigados por simples moedas! Um só já tava bom, né?
Os adjetivos não ficam atrás no quesito "exagero". Pra gente,"lindo" é algo mais que bonito. Pra eles, lindo equivale a bonito. Se for muito bonito, é "hermoso", de preferência dito assim: "heeer-mosso". Se for feio, é "ho-rrrrrible". "Feo" é algo feinho ou ruim. Uma vez a gente foi pra uma cidade aqui perto, Chascomuz, porque tinham dito pra gente que era um lugar "her-mooosssso", com umas lagoas "her-moooosssas". E a pessoa exagerou e muito, porque de maravilhoso esse lugar não tem nada! O laguinho era bem mequetrefe e a cidade, idem.
E a tempestade que neguinho faz em copo d `agua? Outro dia, o computador do meu argie quebrou. Poxa, que merda, que saco, que contratempo. Mas ele disse, realmente compungido: "qué desastre". Desastre? Desastre é tsunami, meu filho!
Falando em tempestade, adoro ligar a TV quando está chovendo muito aqui. Qualquer temporal eles colocam lá, em letras garrafais: DILUVIA EN BUENOS AIRES. E fica rolando uma música tipo "plantão da Globo" que dá aquela impressão de que o mundo está acabando. Tem também o ALERTA com música de fim de mundo que eles colocam por notícias que nem são tão "alerta" assim.
Poderia continuar este post com exemplos e mais exemplos do exagero portenho. Com certeza os amigos que moram aqui vão lembrar de mais alguns. O tamanho da milanesa? O jeito de xingarem?
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