sábado, 17 de setembro de 2011

Um momento raro de chatice extrema

Eu escrevi uma vez um post sobre a chatice das pessoas e como ela me fascina.  Digo e repito que todo mundo é chato. Uns mais, outros menos, alguns em graus extremos. E alguns como um ser que eu revi hoje depois de anos, que vai além de extremamente chato. Não há palavras para descrever a chatice dele. De 0 a 10, ele é um chato nota 1000000. Não olhei pra confirmar, mas acho que a definição de "chato" do Aurélio deve ter o nome dele lá. Se não, deve estar no verbete "babaca". Certeza.

Escrevo este post às 3 e pouco da manhã, ainda sob o impacto de um momento que presenciei graças à tal figura e que foi emocionante de tão raro, pois concentrou diversos indicadores de chatice e sem-noçãolidade em poucos minutos. Fiquei até sem palavras logo depois, e olha que pra me deixar assim é difícil. As últimas vezes que lembro de ter ficado sem palavras foi em 2008, quando presenciei o Felipe Massa perdendo o título da F-1 em Interlagos na última curva e fiquei uns 10 minutos olhando pra cara do meu amigo global sem conseguir dizer nada; e em 2009, ao realizar um dos meus sonhos visitando a Hagia Sophia em Istambul. Pra vocês verem como foi uma experiência intensa.

Então vamos aos fatos: a moça organiza uma reuniãozinha em seu diminuto apartamento, sexta-feira, lá pras dez da noite. Convida 3 amigos daqui, 4 de lá, dois de acolá. Os grupos interagem, bebem cerveja, comem quitutes, os que não se viam há tempos botam as fofocas em dia. Tudo corria bem até que a dona de casa anuncia: fulano tá vindo pra cá. Convidei porque ele me fez um favor e vai trazer cerveja.

Fulano é conhecido na comunidade pela chatice. É o mayor da Chatolândia. Um dos seres humanos mais chatos que já habitou este planeta na história da humanidade. Mas vai trazer cerveja.

Chega o mala sem alça, sem rodinha e com zíper quebrado (porque chamar ele de "mala" é pouco). Às duas da manhã, quando quase todos tinham ido embora e éramos apenas cinco. Com cerveja e mais dois amigos: um narigudo de chapéuzinho e outro com uma cara de fezza* e mais peito que eu, e olha que eu sou bem fornida.

O narigudo está com um violão e um amplificador.  Pergunta pra dona de casa se pode ligá-lo, e ela, desencanada que só, diz que sim. Eu acho que tenho um treco se nego que eu não conheço chega ao meu apartamento às duas da manhã com um violão e um amplificador. Um amplificador. Pra tocar em um ambiente de 6 m2 com meia dúzia de gato pingado. Um amplificador!!!

Os babacas  rapazes armam o show. O chatonildo faz cara de circunstância e diz, com voz impostada, que o do chapéu é um grande violonista, que ele aliás tinha acabado de roubá-lo de um show. "Só se for show no metrô, né?", pensamos. Nós continuamos conversando, eles pedem atenção. "É que faz tempo que não nos vemos, preferiríamos conversar", digo eu do alto da minha meiguice. Mas minha patada meu doce comentário é ignorado e eles começam a tocar. Tentamos continuar conversando.

Aí eles tocam Elba Ramalho, e considerando que estamos em outro país, o povo, saudoso, se empolgou um pouco. Depois tocaram "chooora/me liga/implooora..." de João Bosco e Vinicius, hit do verão por estas bandas. Viram que os presentes começaram a cantar junto e se empolgaram: o chato cantava aos gritos, o Tetinhas batia palma, o do violão começou a fazer macaquices pelo "palco" (relembrando, uma salinha) subindo no sofá, pulando, subindo no amplificador, pulando de novo, como se fosse uma estrela de rock num palco no Maracanã. Numa dessas, sem querer deu uma voadora no peito da dona da casa, que passava desavisada em busca de um copo de cerveja e só conseguiu dizer "ai, caralho!". Coitada.

Eu fui ao banheiro e, quando voltei, a tchurma tava querendo tirar foto. O do chapéu se pendurou no pescoço da minha amiga, moça séria e compromissada, que antes do flash fez malabarismos pra se livrar dos braços do infeliz. O Peitinhos parece que dizia "olha o passarinho" e tocava o seu respectivo passarinho, mas isso eu não vi, me contaram.

Era demais pra mim e pra minha amiga. Nem beber eu bebo pra poder aguentar essas figuras com leveza no coração. Antes de ir embora ainda pude ver o Samsonite fazendo air guitar e cantando cara-a-cara com o do chapéu, emocionados, como se estivessem no Madison Square Garden fazendo um dueto pra 30 mil pessoas. Minha gente, é batata: todo chato faz air guitar em momentos inoportunos. É até uma coisa meio Tostines: faz air guitar porque é chato ou é chato porque faz air guitar?

Meu Deus.

Quem chega no apê de uma pessoa com a qual não tem tanta intimidade assim, às duas da manhã, com dois panacas, e tenta fazer um Rock in Rio em uma salinha??? Tudo isso que contei aconteceu em, sei lá, meia hora. Por isso disse que foi um raro momento de concentração de chatice em poucos minutos. Não sei como terminou porque não pude suportar tamanha imbecilidade e fui embora. Quem faz isso, minha gente?? Acho que só alguém cuja foto deve aparecer se você procura "chato" no Google Images. Não tem outro jeito.

* fezza = palavra do dialeto siciliano que minha avó usa pra chamar alguém de fezza babaca

7 comentários:

  1. Chorei de rir. só isso.

    ResponderExcluir
  2. hahahahahahahahahahah
    Morriiiiii de rir!!

    A melhor parte da história é que acordei hoje com meu apê limpinho e cheirando a lavanda, como se nunca tivesse acontecido nada, e minha empregada falando que nunca tinha visto tanto limão, casca de limão, bagaço de limão, cheiro de limão misturado com alguma bebida "rara", em toda a vida dela.

    hahahah

    ResponderExcluir
  3. Uia só!!! Também me acabei rindo por aqui...
    Fantástico este post!
    Bju!!!

    ResponderExcluir
  4. Essa do "olha o passarinho" é o cúmulo da babaquice, um ex fez isso uma vez e eu olhei pra ele com um olhar de tanto desprezo que NUNCA mais repetiu...

    ResponderExcluir
  5. Ah, adoro as histórias da Nadja. E essa ainda tem o coment da "Dona do Apartamento". Muito bom!
    Lila Czar
    seviracom30.blogspot.com

    ResponderExcluir
  6. Festa em apartamento nunca acaba bem. Minha avó (que Deus a tenha) era uma pessoa bem sociável. Ela morava com meus tios, pessoas extremamente afeitas a este tipo de reuniãozinha descrita.
    Em uma destas ocasiões, casa cheia, vovó conheceu um homem com o qual teve muita afinidade. Bateram papo sentados na cama do quarto dela. Ela dava gargalhadas da cara dele. Aí, meus tios perceberam que não conheciam o sujeito. Nem eles e nem ninguém na festa. O cara tinha entrado de penetra no apartamento dos outros.

    ResponderExcluir
  7. Ahahahahaha super bommm adorei
    Blog mto bacana Nadja

    vc tem algum email de contato? vi um anuncio pelo twitter sobre uma vaga em Buenos Aires e me interessei.
    Pode deixar mensagem no meu blog

    http://www.styledchicas.blogspot.com

    obrigada
    parabens
    Priscilla

    ResponderExcluir

Desembucha!