Vendem muitas coisas para nós, mulheres. Vendem milhões de brincos e colares e anéis e pulseiras. Apetrechos para a casa, enfeites de todo tipo, mimos mil. Incontáveis tonalidades e tipos de sombras, batons, blushes, esmaltes. Lingeries pra sustentar, pra segurar, pra esconder, pra mostrar, pra seduzir. Vendem dietas, remédios, livros, promessas. A lista de produtos e tipos e variações só faz crescer.
Mas tem uma coisa que não vendem. Que não dá pra vender, não tem como. Mas se pudesse, se desse, ah, que sucesso seria. Recorde total de vendas de todos os tempos em todo o universo. Vendas incessantes, pelo preço que fosse, pela internet, nas lojas, com as mais distintas embalagens, tamanhos e cores. É algo de que todas nós precisamos, e muito, e cada vez mais na vida.
Esse produto seria a paciência. Uma loja de paciência, imaginem? Paciência em lata, em spray, em sachê. Paciência de efeito imediato, de efeito prolongado. Pílulas de paciência. Pomada, pó, chá de paciência. De comer, de beber, de passar no cabelo. Nos shoppings, nas padarias, na internet. Kombis anunciando paciências fresquinhas pelas ruas.
Imaginem se desse pra vender, se fosse assim fácil obter paciência? Seria a solução pra todos os nossos problemas. Ou quase. Talvez o mundo fosse um lugar melhor, mais pacífico. Ou não, mas nós teríamos mais paciência com ele. E com a vida, e com a gente mesmo, com as pessoas.
Mas não. Então só nos resta tirar a paciência não se sabe de onde pra viver...
terça-feira, 11 de março de 2014
quinta-feira, 6 de março de 2014
Quero, mas não preciso. Não compro!
Eu sempre curti maquiagem. E tenho um aparato que faz jus a esse gosto: são pelo menos uns 40 tons de sombras, vários batons, pinceis, lápis de olho de tudo quanto é cor, um monte de rímel, enfim, coisas mais do que suficientes para me maquiar, me embonecar, me emperiquitar.
Ultimamente não tenho tido muitas oportunidades de usar minhas preciosidades cosméticas. Trabalho em casa, passo dias sem sair. Quase não saio mais à noite e as festas e casamentos têm sido raros. Esses dias até passei um pouco de uma sombra linda verde num olho e na mão antes do banho e suspirei de saudade, pra vocês verem como a coisa tá feia.
![]() |
| Maquiagem básica para o dia-a-dia |
Com a quantidade de coisas que eu tenho e a frequência com que eu as uso, se deduz que eu não preciso de nada. Mas na minha última viagem internacional comprei vários itens maquiagenzísticos, incluindo uma paleta de sombras Naked 2 da Urban Decay. Para as não iniciadas, explico: isso é um estojo com 12 tons de sombras, de uma marca badalada, muito recomendado por blogueiras e afins.
Não me arrependi da compra: as sombras são ótimas mesmo, paguei menos da metade do que custa no Brasil e até que tenho usado bastante.
![]() |
| Vejam só que belezura |
Não me arrependi da compra: as sombras são ótimas mesmo, paguei menos da metade do que custa no Brasil e até que tenho usado bastante.
Só que aí, logo depois que eu voltei da viagem, a tal da Urban Decay foi lá e lançou a Naked 3. Com outros 12 tons puxando pro lado do rosa, coisa bonita de se ver.
Vi em vários sites e blogs, analisei, pensei, babei e, como minha irmã iria viajar também, logo me animei com a possibilidade de pedir pra ela trazer esta coisa fofa pra mim.
Até que a data da viagem da minha irmã chegou. E eu não pedi pra ela. Pensei que o dinheiro, por mais que não seja tanto assim, é dinheiro. Dinheiro esse que quero - e preciso - usar pra outras coisas. De 50 em 50 a grana voa e você não sabe onde ela foi parar. E não, eu não preciso da paleta Naked 3 da Urban Decay, por mais bonita que ela seja. Nem de nenhuma outra no momento. Admito que não preciso nem de muitas das tantas sombras que eu já tenho. Não, obrigada, deixa pra próxima.
Que bom seria pros nossos bolsos, pros nossos armários e pra nossa cabeça se sempre pensássemos assim, né? Não, não precisamos do décimo sapato preto. É, tava em oferta, mas você nunca vai usar, então não vale a pena. Não, você não precisa do quinto casacão de inverno, menos ainda se você mora em Maceió. Não, você não precisa do rímel que a blogueira indicou, você já tem cinco.
Só não seria bom pras indústrias que lucram em cima da gente, mas aí é problema delas, né?
![]() |
| Ai, gente, aí já é demais |
Até que a data da viagem da minha irmã chegou. E eu não pedi pra ela. Pensei que o dinheiro, por mais que não seja tanto assim, é dinheiro. Dinheiro esse que quero - e preciso - usar pra outras coisas. De 50 em 50 a grana voa e você não sabe onde ela foi parar. E não, eu não preciso da paleta Naked 3 da Urban Decay, por mais bonita que ela seja. Nem de nenhuma outra no momento. Admito que não preciso nem de muitas das tantas sombras que eu já tenho. Não, obrigada, deixa pra próxima.
Que bom seria pros nossos bolsos, pros nossos armários e pra nossa cabeça se sempre pensássemos assim, né? Não, não precisamos do décimo sapato preto. É, tava em oferta, mas você nunca vai usar, então não vale a pena. Não, você não precisa do quinto casacão de inverno, menos ainda se você mora em Maceió. Não, você não precisa do rímel que a blogueira indicou, você já tem cinco.
Só não seria bom pras indústrias que lucram em cima da gente, mas aí é problema delas, né?
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Ninguém vai viver a sua vida por você
A gente deveria ser e ter um monte de coisas, segundo a sociedade, a sua mãe, a mídia, a sua avó, os seus amigos. Os outros, reparem só. Sempre há a sombra do que temos que, do que deveríamos, do que se espera de nós a essa altura da vida. As cobranças. Ainda não tem filhos? Não comprou sua casa própria? E a carreira, como anda? E o corpo? E o casamento, quando sai? E o mestrado?
Toda essa pressão acaba influenciando nas nossas decisões. E na crise dos 30, pra quem a teve. Pra algumas pessoas mais, pra outras, menos. Ás vezes, por causa do "ter que", acabamos fazendo coisas que não necessariamente gostaríamos de fazer, ou que não nos fazem felizes.
Claro que a vida não é só fazer o que a gente gostaria, mas o que todo mundo quer no fim das contas é ficar bem e ser feliz, né?
Só que ninguém vai sofrer as consequências das suas escolhas, só você. Você pode ceder a todas as pressões, fazer das tripas coração pra atender todas as expectativas, mas a vida que vai ser afetada não é a da sua mãe, a da tal "sociedade", a de ninguém, só a sua. Você pode deixar todo mundo contente, mas se você não estiver, o problema é seu e só seu. Se ter filhos não era o que você mais queria, mas tem que ter, todo mundo tem, e agora você tá aí criando o pimpolho igual ao seu nariz e cheia de frustração, o problema é seu - e do pobrezinho. Se você se casou porque estava com quase 30 e é isso que se espera, e agora tá num casamento de merda, quem vai ter que olhar pra cara do marido de merda todo santo dia não é ninguém da mídia e nem a sua avó, é você. Se você está fechada num escritório e ganhando bem, mas olhando pela janela e pensando que seria maravilhoso passar um ano viajando, a frustração é sua e de mais ninguém.
Se você tem uma boa cabeça, um pouco de juízo e um certo grau de sensatez, viva como acha que tem que viver. Escute conselhos de quem te ama mas faça o que bem entender com eles. Não se guie por ninguém. Pense em você em primeiro. Ninguém vai viver a sua vida por você.
Claro que a vida não é só fazer o que a gente gostaria, mas o que todo mundo quer no fim das contas é ficar bem e ser feliz, né?
Só que ninguém vai sofrer as consequências das suas escolhas, só você. Você pode ceder a todas as pressões, fazer das tripas coração pra atender todas as expectativas, mas a vida que vai ser afetada não é a da sua mãe, a da tal "sociedade", a de ninguém, só a sua. Você pode deixar todo mundo contente, mas se você não estiver, o problema é seu e só seu. Se ter filhos não era o que você mais queria, mas tem que ter, todo mundo tem, e agora você tá aí criando o pimpolho igual ao seu nariz e cheia de frustração, o problema é seu - e do pobrezinho. Se você se casou porque estava com quase 30 e é isso que se espera, e agora tá num casamento de merda, quem vai ter que olhar pra cara do marido de merda todo santo dia não é ninguém da mídia e nem a sua avó, é você. Se você está fechada num escritório e ganhando bem, mas olhando pela janela e pensando que seria maravilhoso passar um ano viajando, a frustração é sua e de mais ninguém.
Se você tem uma boa cabeça, um pouco de juízo e um certo grau de sensatez, viva como acha que tem que viver. Escute conselhos de quem te ama mas faça o que bem entender com eles. Não se guie por ninguém. Pense em você em primeiro. Ninguém vai viver a sua vida por você.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Nossos próprios paparazzi
Antigamente: sentia uma dorzinha na garganta. Puxa, que droga. A dor piorava. Ia ao médico. Ficava uns dias mal, faltava no trabalho um dia, dava uma choramingada pra mãe e/ou namorado(a). Tomava mel com propólis, fazia uns gargarejos, melhorava, passava, a vida seguia.
Atualmente: sente uma dorzinha na garganta. Posta no Facebook e no Twitter: "garganta doendo, acho que vou ficar doente. #quebosta #sick". Posta no Instagram uma foto da caixinha de mel com própolis com a mesma legenda. Vai ao médico, dá check-in da clínica no Foursquare, não responde quando 3 ou 4 amigos dos 673 do Facebook perguntam o que houve. Fica uns dias mal, postando cerca de cinco status por dia do tipo: "Piorei mesmo. Tá foda. #garganta #sick", ou "Preciso ficar quietinho. Não posso falar, minha garganta dói muitoooo #dor #sick". Posta selfies no Instagram na cama, deitado com olheiras, ou dos pés com a TV ligada ao fundo (e a legenda #demolho"). Falta no trabalho mas ainda responde os emails. Choraminga pra mãe, pro(a) namorado(a) e novamente no Facebook, no Twitter, no Instagram, se bobear no Pinterest e no Tumblr. Melhora, passou a vida segue - não sem antes atualizar o status dizendo "Melhorei, galera, vlw." e outro selfie, deste vez sorridente.
E é assim com tudo: viajar, ter filhos, ir ao parque, fazer ginástica, comer uma macarronada na casa da vó. Somos nossos próprios paparazzi - uns mais, outros menos - em uma exibição vazia de fatos banais da nossa vida.
É uma delícia compartilhar as coisas legais com quem a gente gosta. Eu gosto de pôr uma ou outra foto no Facebook se estou em um lugar bonito, por exemplo. Não pra mostrar "olha, eu tô aqui e vocês não", mas pra que outros possam ter acesso à mesma beleza que eu. Também é gostoso fazer rir, se divertir com o que o outro publicou, dividir opiniões, experiências, ver como o filho da amiga tá lindo, ter discussões saudáveis. É gostoso saber da vida de quem interessa pra gente, mesmo o contato direto sendo escasso. Não é?
Só que está faltando o pensar antes de publicar. Refletir um pouco. O que isso que eu vou publicar vai acrescentar na vida de quem vai ver? Por que eu quero mostrar o que estou mostrando, porque é legal ou porque eu quero me mostrar, provar alguma coisa pra alguém? Essa foto do meu almoço tem mesmo alguma coisa de diferente que faça a sua publicação valer a pena? Será que alguém está mesmo interessado no avanço detalhado da minha dor de garganta ou no pé peludo do meu namorado?
Não precisa nem pensar muito, fazer lista de prós e contras, nada disso. É coisa rápida e não dói. A vida "internética" de todo mundo melhoraria bem.
Atualmente: sente uma dorzinha na garganta. Posta no Facebook e no Twitter: "garganta doendo, acho que vou ficar doente. #quebosta #sick". Posta no Instagram uma foto da caixinha de mel com própolis com a mesma legenda. Vai ao médico, dá check-in da clínica no Foursquare, não responde quando 3 ou 4 amigos dos 673 do Facebook perguntam o que houve. Fica uns dias mal, postando cerca de cinco status por dia do tipo: "Piorei mesmo. Tá foda. #garganta #sick", ou "Preciso ficar quietinho. Não posso falar, minha garganta dói muitoooo #dor #sick". Posta selfies no Instagram na cama, deitado com olheiras, ou dos pés com a TV ligada ao fundo (e a legenda #demolho"). Falta no trabalho mas ainda responde os emails. Choraminga pra mãe, pro(a) namorado(a) e novamente no Facebook, no Twitter, no Instagram, se bobear no Pinterest e no Tumblr. Melhora, passou a vida segue - não sem antes atualizar o status dizendo "Melhorei, galera, vlw." e outro selfie, deste vez sorridente.
E é assim com tudo: viajar, ter filhos, ir ao parque, fazer ginástica, comer uma macarronada na casa da vó. Somos nossos próprios paparazzi - uns mais, outros menos - em uma exibição vazia de fatos banais da nossa vida.
É uma delícia compartilhar as coisas legais com quem a gente gosta. Eu gosto de pôr uma ou outra foto no Facebook se estou em um lugar bonito, por exemplo. Não pra mostrar "olha, eu tô aqui e vocês não", mas pra que outros possam ter acesso à mesma beleza que eu. Também é gostoso fazer rir, se divertir com o que o outro publicou, dividir opiniões, experiências, ver como o filho da amiga tá lindo, ter discussões saudáveis. É gostoso saber da vida de quem interessa pra gente, mesmo o contato direto sendo escasso. Não é?
Só que está faltando o pensar antes de publicar. Refletir um pouco. O que isso que eu vou publicar vai acrescentar na vida de quem vai ver? Por que eu quero mostrar o que estou mostrando, porque é legal ou porque eu quero me mostrar, provar alguma coisa pra alguém? Essa foto do meu almoço tem mesmo alguma coisa de diferente que faça a sua publicação valer a pena? Será que alguém está mesmo interessado no avanço detalhado da minha dor de garganta ou no pé peludo do meu namorado?
Não precisa nem pensar muito, fazer lista de prós e contras, nada disso. É coisa rápida e não dói. A vida "internética" de todo mundo melhoraria bem.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Não é liberação, é desespero
Na festa do réveillon, entre brindes e música e alegria, observei uma coisa que me deixou intrigada.
Fazia tempo que eu não ia a uma balada. A festa não era exatamente uma balada, mas quase. Tinha música punts-punts, gente bêbada dançando e casais suados se beijando como se não houvesse amanhã. Talvez eu tenha perdido o costume com esse tipo de ambiente, talvez as coisas tenham mudado mesmo. O que eu observei é o seguinte: tem muita mulher no maior desespero.
Éramos duas mulheres e dois casais. Ou seja, quatro mulheres e dois homens. Tudo família. E os homens, minha gente, mesmo não tendo se afastado mais de alguns metros de suas respectivas esposas em nenhum momento, foram assediados. Mais de uma vez. Mais de duas. Descaradamente. De convite pra dançar até rebolada sem-vergonha e óbvia na frente deles. Nós, mulheres - nenhuma de se jogar fora, diga-se de passagem - não fomos sequer olhadas, muito menos paqueradas. O que foi ótimo, estou dizendo isso apenas pra mostrar o contraste na situação.
Eu defendo a liberdade da mulher pra fazer o que bem entender com a sua vida e com a sua perseguida. Mas gente, dar em cima de homem acompanhado? Ok, o álcool deve ter interferido, mas precisa? A coisa tá nesse nível mesmo, muitas mulheres se igualando aos mais nojentos dos homens? Ou foi só impressão?
Isso pra mim não é liberação, não é diversão, não é elogiável. É desespero. Dá dó.
Fazia tempo que eu não ia a uma balada. A festa não era exatamente uma balada, mas quase. Tinha música punts-punts, gente bêbada dançando e casais suados se beijando como se não houvesse amanhã. Talvez eu tenha perdido o costume com esse tipo de ambiente, talvez as coisas tenham mudado mesmo. O que eu observei é o seguinte: tem muita mulher no maior desespero.
Éramos duas mulheres e dois casais. Ou seja, quatro mulheres e dois homens. Tudo família. E os homens, minha gente, mesmo não tendo se afastado mais de alguns metros de suas respectivas esposas em nenhum momento, foram assediados. Mais de uma vez. Mais de duas. Descaradamente. De convite pra dançar até rebolada sem-vergonha e óbvia na frente deles. Nós, mulheres - nenhuma de se jogar fora, diga-se de passagem - não fomos sequer olhadas, muito menos paqueradas. O que foi ótimo, estou dizendo isso apenas pra mostrar o contraste na situação.
Eu defendo a liberdade da mulher pra fazer o que bem entender com a sua vida e com a sua perseguida. Mas gente, dar em cima de homem acompanhado? Ok, o álcool deve ter interferido, mas precisa? A coisa tá nesse nível mesmo, muitas mulheres se igualando aos mais nojentos dos homens? Ou foi só impressão?
Isso pra mim não é liberação, não é diversão, não é elogiável. É desespero. Dá dó.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
O que passou
A pessoa fica três imensos meses sem postar no blog e resolve fazer isso agora, quando tá todo mundo viajando, comemorando, bebendo, enfim, fazendo coisas melhores que ler um blog semi-abandonado. Mas vamos lá.
2013 entra na reta final e já não era sem tempo. Foi um aninho um pouco besta. Não foi "nossa, que horror" mas também não foi "nossa, que maravilhoso". Não dá pra achar ruim um ano em que você finalmente conheceu Nova York. Mas acho que foi um período de transição: voltei ao meu país, estou com um trabalho que considero temporário, tenho que pensar nos passos a seguir. E é aqui que tá o problema, minha gente: não sei se eu caso ou se compro uma bicicleta. Quer dizer, casar - na verdade juntar os trapinhos informalmente - está nos planos. Não dá pra ficar um num país e outro, no outro. A bicicleta nem seria o problema também. A questão é o que eu quero, e eu quero um monte de coisa.
Não sei se estou me adaptando ao Brasil de novo. Uma das razões pra eu ter voltado foi estar cansada de ser estrangeira, mas - surpresa! - também não tô sentindo que encaixo aqui. O jeito de levar a vida, as prioridades, as coisas às quais estamos sujeitos vivendo no Brasil. O que tá me pegando de verdade é a violência, o trânsito paulistano, o preço que a gente paga por tudo pra levar a vida que dá pra levar - que não é exatamente a que eu gostaria de levar se eu pudesse escolher. E eu posso. Então sei lá.
Gente que morou fora e voltou tinha me alertado pra isso, e é verdade: os amigos continuaram a vida deles sem você, e a ficha de que você voltou parece que não cai. Todo mundo tem trabalho, filhos, mestrado, cansaço. Dez anos fora não são dez dias. Dez anos de "de vez em quando" não vão virar "toda semana". Fora que em São Paulo parece que ninguém se vê com frequência, a não ser que more perto, trabalhe junto, trabalhe perto. Poucas pessoas me escreveram pra saber como eu tô, me ligaram, me chamaram pra um aniversário ou pra um bar. Redes sociais demais e bares de menos. Culpa minha também, que me isolei um pouco num condomínio no interior. Sei lá, foi um período meio introvertido mesmo, e isso é estranho pra mim porque sempre fui extrovertida até demais. Fases da vida. Espero que passe logo.
Minha palavra pra 2014 é "rumo". Quero um rumo. Uma coisa que me empolgue, que me excite, que faça meus olhos brilharem - junto ao meu amor. Um trabalho, um projeto, uma outra mudança de país, quem sabe. O rumo certo.
Feliz Natal e um 2014 no rumo certo para vocês.
2013 entra na reta final e já não era sem tempo. Foi um aninho um pouco besta. Não foi "nossa, que horror" mas também não foi "nossa, que maravilhoso". Não dá pra achar ruim um ano em que você finalmente conheceu Nova York. Mas acho que foi um período de transição: voltei ao meu país, estou com um trabalho que considero temporário, tenho que pensar nos passos a seguir. E é aqui que tá o problema, minha gente: não sei se eu caso ou se compro uma bicicleta. Quer dizer, casar - na verdade juntar os trapinhos informalmente - está nos planos. Não dá pra ficar um num país e outro, no outro. A bicicleta nem seria o problema também. A questão é o que eu quero, e eu quero um monte de coisa.
Não sei se estou me adaptando ao Brasil de novo. Uma das razões pra eu ter voltado foi estar cansada de ser estrangeira, mas - surpresa! - também não tô sentindo que encaixo aqui. O jeito de levar a vida, as prioridades, as coisas às quais estamos sujeitos vivendo no Brasil. O que tá me pegando de verdade é a violência, o trânsito paulistano, o preço que a gente paga por tudo pra levar a vida que dá pra levar - que não é exatamente a que eu gostaria de levar se eu pudesse escolher. E eu posso. Então sei lá.
Gente que morou fora e voltou tinha me alertado pra isso, e é verdade: os amigos continuaram a vida deles sem você, e a ficha de que você voltou parece que não cai. Todo mundo tem trabalho, filhos, mestrado, cansaço. Dez anos fora não são dez dias. Dez anos de "de vez em quando" não vão virar "toda semana". Fora que em São Paulo parece que ninguém se vê com frequência, a não ser que more perto, trabalhe junto, trabalhe perto. Poucas pessoas me escreveram pra saber como eu tô, me ligaram, me chamaram pra um aniversário ou pra um bar. Redes sociais demais e bares de menos. Culpa minha também, que me isolei um pouco num condomínio no interior. Sei lá, foi um período meio introvertido mesmo, e isso é estranho pra mim porque sempre fui extrovertida até demais. Fases da vida. Espero que passe logo.
Minha palavra pra 2014 é "rumo". Quero um rumo. Uma coisa que me empolgue, que me excite, que faça meus olhos brilharem - junto ao meu amor. Um trabalho, um projeto, uma outra mudança de país, quem sabe. O rumo certo.
Feliz Natal e um 2014 no rumo certo para vocês.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Da série "A gente sabe que está ficando velha quando..."
... entende esta piada, ri e ainda diz "eu tinha um desses!"
(fonte: https://www.facebook.com/pages/PROZAC-virtual/280425275220)
(fonte: https://www.facebook.com/pages/PROZAC-virtual/280425275220)
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Timeline
Cachorrinho dormindo.
Prato de macarrão com funghi.
Barriga de grávida.
Gatinho brincando.
Corinthians.
Auto-ajuda.
Cheesburguer e cerveja, legenda: hoje saí da dieta KKKK
Só no Brasil mesmo, o Brasil é uma merda.
Foto do Rio de Janeiro.
Cachorrinho no parque.
Foto do colega da quinta série que você não vê há 21 anos em Paris.
Cachorrinho machucado, adote um cachorrinho.
Bebê tomando banho.
Copo de cerveja.
Quarentona abraçada com as amigas, legenda: AMO.
O Facebook vai ser cobrado, repasse aos amigos.
Foto de macarrão, o macarrão da mamãe é o melhor.
Vai ter bolsa-prostituta, compartilhe esta vergonha, vamos impedir isso.
Corinthians.
Gatinho deitado.
Foto da ex-namorada do primo da sua vizinha em um churrasco.
Aê, são-paulino é tudo viado.
Barriga de grávida.
Fulano qualquer curtiu uma foto que não te interessa no Instagram.
Palmeiras
Criança de 5 anos com a língua de fora e os óculos da mãe.
Amigo está no restaurante top da cidade. Foto do prato não-identificado.
Pessoa avisando desesperada que está sem celular.
Ex-colega de trabalho com a melhor avó do mundo.
Log out.
Prato de macarrão com funghi.
Barriga de grávida.
Gatinho brincando.
Corinthians.
Auto-ajuda.
Cheesburguer e cerveja, legenda: hoje saí da dieta KKKK
Só no Brasil mesmo, o Brasil é uma merda.
Foto do Rio de Janeiro.
Cachorrinho no parque.
Foto do colega da quinta série que você não vê há 21 anos em Paris.
Cachorrinho machucado, adote um cachorrinho.
Bebê tomando banho.
Copo de cerveja.
Quarentona abraçada com as amigas, legenda: AMO.
O Facebook vai ser cobrado, repasse aos amigos.
Foto de macarrão, o macarrão da mamãe é o melhor.
Vai ter bolsa-prostituta, compartilhe esta vergonha, vamos impedir isso.
Corinthians.
Gatinho deitado.
Foto da ex-namorada do primo da sua vizinha em um churrasco.
Aê, são-paulino é tudo viado.
Barriga de grávida.
Fulano qualquer curtiu uma foto que não te interessa no Instagram.
Palmeiras
Criança de 5 anos com a língua de fora e os óculos da mãe.
Amigo está no restaurante top da cidade. Foto do prato não-identificado.
Pessoa avisando desesperada que está sem celular.
Ex-colega de trabalho com a melhor avó do mundo.
Log out.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Tamos aê
Não tenho escrito por aqui. Pois é, vocês perceberam. (Vocês? Tem alguém aí? Alô!).
Mas é que segócio é o neguinte: meu atual trabalho envolve apenas eu e o meu computador. Em casa. Eu não tenho reuniões, não tenho colegas de trabalho perto, não vou fofocar na mesa de ninguém, nem ninguém vem me encher o saco na minha. Não tenho eventos de trabalho. Não encontro ninguém no banheiro e nem no bebedor. Somos apenas e meus dedinhos fazendo tec tec tec tec incessantemente e meus olhinhos ardendo de tanta tela de computador. Além disso, se eu trabalho, eu ganho, se não, não. E quanto mais eu trabalho, mais eu ganho. E eu estou precisando ganhar.
Então, quando eu termino o trabalho, que grazadeus tem sido bastante, a ÚLTIMA coisa que eu quero é ficar no computador. Escrevendo, então, menos ainda. Coitados dos meus dedinhos e dos meus olhinhos.
Isso significa que por enquanto vai ser assim, infelizmente. Um postinho de vez em quando, embora tenha dois na fila já - um deles, daquele evento que eu fui há tempos e que foi super interessante e eu queria escrever sobre, mas ainda não consegui, que vergonha.
E eu fico me cobrando, porque queria dar um gás no blog, porque queria isso isso e aquilo. Mas, no momento, es lo que hay, como dizem os argentinos. Preciso fazer o que me dá dinheiro, e isso, infelizmente, o blog não me dá. Ele me dá alegria, mas alegria não paga as conta, né?
Tenho publicado mais no twitter do blog, o @seviraquase30, onde sempre escrevo ou coloco links que acho interessantes para a nossa faixa otária etária. E tem a página do FB também. Mas não me deixem só, porque mesmo que seja de vez em quando, ainda vou aparecer muito por aqui :-)
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
No armário e na vida
Ontem minha irmã, 30, estava me dizendo que está cansada do armário dela, das roupas, dos sapatos, que não aguenta mais nada a não ser as roupinhas da loja dela e olhe lá.
Eu disse que é porque nossos gostos vão mudando, a gente vai mudando, a moda vai mudando, e às vezes o que ontem parecia lindo, hoje parece um horror. Acontece.
Ela disse que é mesmo, e que se pudesse queimaria tudo que ela tem no armário para começar tudo de novo. Que estava muito enjoada, que não se identificava mais com o que tinha, que ia aproveitar a mudança de casa que está por vir para se desfazer de um montão de coisas mas que não sabia nem por onde começar.
Eu a abracei e disse "é... bem-vinda aos 30!" É assim mesmo. E que bom se essa sensação de desconforto se restringe só ao seu armário. Muitas vezes, isso acontece mesmo é com a vida.
Eu disse que é porque nossos gostos vão mudando, a gente vai mudando, a moda vai mudando, e às vezes o que ontem parecia lindo, hoje parece um horror. Acontece.
Ela disse que é mesmo, e que se pudesse queimaria tudo que ela tem no armário para começar tudo de novo. Que estava muito enjoada, que não se identificava mais com o que tinha, que ia aproveitar a mudança de casa que está por vir para se desfazer de um montão de coisas mas que não sabia nem por onde começar.
Eu a abracei e disse "é... bem-vinda aos 30!" É assim mesmo. E que bom se essa sensação de desconforto se restringe só ao seu armário. Muitas vezes, isso acontece mesmo é com a vida.
domingo, 11 de agosto de 2013
Quando eu crescer
Outro dia, no avião, ajudei a senhorinha ao meu lado a se comunicar com o comissário de bordo. Uma argentina e um turco tentando se comunicar em inglês, estava meio difícil.
Depois da ajuda, eu e a senhorinha começamos a conversar. Ela estava indo com o marido para a Turquia, depois para a Rússia, Ucrânia, Bulgária e algum outro país que eu não lembro mas que adoraria conhecer. Uma viagem incrível. Eu ia ficar em São Paulo mesmo, primeira escala do voo que saía de Buenos Aires.
A senhora me encheu de perguntas, perguntou até em que bar conheci meu namorado e onde ficava este bar - informações que eu realmente não sei que relevância teriam para ela. Mas respondi sorridente, e agradeci quando ela disse que meu namorado devia ser bonito porque eu era bonita também. Eu comentei que a viagem deles ia ser maravilhosa, ela fez um muxoxo. Não gostava tanto de viajar, fazer as malas era um estresse terrível, quem gostava dessas coisas era o marido. Mas ela acompanhava.
O papo esfriou, peguei meu fone pra ver as séries na telinha, ela ficou vendo uma revista que eu emprestei. Veio o jantar. Ela e o marido brindaram à viagem com taças de vinho e braços entrelaçados. Achei bonito. Depois que os comissários retiraram as bandejas, ela se acomodou, me desejou boa viagem e boa noite e pum, dormiu. O marido também. Desconfio que tomaram mais do que o vinhozinho no jantar, porque não acordaram nem na aterrissagem meio abrutalhada em São Paulo.
Tirando o provável remedinho pra dormir, eu quero ser como eles quando tiver mais de 60. Bem, sem papas na língua, brindando no avião e viajando por aí.
Depois da ajuda, eu e a senhorinha começamos a conversar. Ela estava indo com o marido para a Turquia, depois para a Rússia, Ucrânia, Bulgária e algum outro país que eu não lembro mas que adoraria conhecer. Uma viagem incrível. Eu ia ficar em São Paulo mesmo, primeira escala do voo que saía de Buenos Aires.
A senhora me encheu de perguntas, perguntou até em que bar conheci meu namorado e onde ficava este bar - informações que eu realmente não sei que relevância teriam para ela. Mas respondi sorridente, e agradeci quando ela disse que meu namorado devia ser bonito porque eu era bonita também. Eu comentei que a viagem deles ia ser maravilhosa, ela fez um muxoxo. Não gostava tanto de viajar, fazer as malas era um estresse terrível, quem gostava dessas coisas era o marido. Mas ela acompanhava.
O papo esfriou, peguei meu fone pra ver as séries na telinha, ela ficou vendo uma revista que eu emprestei. Veio o jantar. Ela e o marido brindaram à viagem com taças de vinho e braços entrelaçados. Achei bonito. Depois que os comissários retiraram as bandejas, ela se acomodou, me desejou boa viagem e boa noite e pum, dormiu. O marido também. Desconfio que tomaram mais do que o vinhozinho no jantar, porque não acordaram nem na aterrissagem meio abrutalhada em São Paulo.
Tirando o provável remedinho pra dormir, eu quero ser como eles quando tiver mais de 60. Bem, sem papas na língua, brindando no avião e viajando por aí.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Mulheres e seus corpos
Na semana passada estive em um evento muito interessante da Mentor, divisão da Johnson & Johnson que fabrica próteses de silicone - sim, essas mesmas que a mulherada bota nas peitcholas.
O evento, chamado "Tamanho É Documento", discutia os resultados de uma pesquisa feita com mulheres de várias capitais brasileiras sobre a relação delas com seus corpos e as motivações para pensar em colocar ou efetivamente colocar silicone nos seios. Quem fez a apresentação foi a psicóloga e sexóloga Ana Canosa e o cirurgião plástico Dr. Pedro Vital.
O tema central eu já disse, mas dele emergeram vários outros temas, como por exemplo o fato de o maior índice de insatisfação com o corpo é entre mulheres de 30 a 34 anos (nós!). Vou falar de todos eles durante os próximos dias aqui no blog.
O evento, chamado "Tamanho É Documento", discutia os resultados de uma pesquisa feita com mulheres de várias capitais brasileiras sobre a relação delas com seus corpos e as motivações para pensar em colocar ou efetivamente colocar silicone nos seios. Quem fez a apresentação foi a psicóloga e sexóloga Ana Canosa e o cirurgião plástico Dr. Pedro Vital.
O tema central eu já disse, mas dele emergeram vários outros temas, como por exemplo o fato de o maior índice de insatisfação com o corpo é entre mulheres de 30 a 34 anos (nós!). Vou falar de todos eles durante os próximos dias aqui no blog.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Djicas do SVQ30 - sapatos diferentosos - e em promoção!
Já repararam como os sapatos que a gente vê nas vitrines por aí estão todos meio iguais? Tachinhas, caveirinhas, laços, metalizados, as mesmas cores, os mesmos saltos... ZZZZZ Fazia tempo que eu estava procurando uns pisantes diferentes mas só conseguia achar todos muito iguais, provavelmente cópias de modelos de marcas internacionais, muito seguindo a modinha. Cha-tos!
Os preços são médios, bem razoáveis para sapatos originais, artesanais e diferentes. Mas a djica mesmo é que agora está rolando uma promoção bem boa, com descontos de 30%. Confira no site, na página do Facebook e no Twitter, em que eles sempre avisam onde vão estar e quando. Como eles mesmos dizem com sotaque gaúcho, "te joga, bonita!"
Aí um dia minha amiga Candy, do-en-te por sapatos - a figura chegou a ter mais de 200 pares - me mandou um link pro site da Louloux . Começou aí uma paixão platônica pela marca gaúcha, já que eu sou meio reticente em comprar coisas pela internet sem nunca nem ter visto, conhecido, nada. Só entrava no site para namorar os modelitos.
O forte deles realmente é a venda por internet, mas eles também fazem lojas temporárias uma vez por mês em várias cidades brasileiras - São Paulo, Rio, Porto Alegre, Curitiba, entre outras. Um dia que eles estavam em Sampa combinei de ir com a Candy e foi uma das experiências de compra mais legais que eu já tive.
O espaço deles em São Paulo é simples, sem fru-frus. Os sapatos, mais lindos ao vivo que no site, ficam expostos em cima de suas respectivas caixas com os diferentes tamanhos. Os vendedores, todos simpáticos e prestativos, estão lá para ajudar mas você também pode pegar o que bem entender, sentar e provar. Cada uma de nós experimentou uns 10 pares no mínimo, ajudadas por um dos vendedores divertidíssimos. Tivemos que nos controlar para não comprar mais do que compramos - eu, dois pares de sapatos e uma bolsa, ela dois sapatos. Minhas belezinhas são o Red Hill, o Bailarina dos Botões - hit da marca - e a bolsa Mustard.
| A Bailarina foi dançar em outra cidade mas já volta. |
quarta-feira, 10 de julho de 2013
A vida no momento
Muitos leitores do blog (tipo duas pessoas, mas pra mim é muito) me pediram para escrever sobre minha decisão de voltar ao Brasil e sobre como anda minha vida no momento.
Pra quem não sabe, eu morei em Buenos Aires por 10 anos. Foi uma etapa muito importante na minha vida, foi o lugar onde "virei adulta" em quase todos os sentidos, onde fiz muitos amigos e conhecidos dos quais vou lembrar para sempre, onde ampliei minha cabeça e minha cultura, onde encontrei o meu amor.
Por tudo isso, acho que Buenos Aires para mim deu o que tinha que dar. Sentia que não queria mais estar lá, que não estava me fazendo bem. Estava de saco cheio de ser estrangeira, de não encaixar - sim, eu morei 10 anos lá e nunca me senti completamente "encaixada"- e da situação política e econômica de lá. Não que aqui esteja uma maravilha, como bem sabemos, mas lá eu achei que já extrapolava o meu limite.
Por exemplo: eu amo viajar, o que se torna muito difícil ganhando em pesos argentinos, com as taxas absurdas que passaram a ser cobradas pelo governo em tudo que envolve uma viagem ao exterior e com as enormes dificuldades para trocar dinheiro. Como disse uma amiga que voltou há alguns anos, bagunça por bagunça, eu fico com a minha. Não era minha bagunça.
Continuo adorando Buenos Aires porque realmente a cidade é linda, é interessante, é única - apesar de estar bem derrubadinha e suja. Buenos Aires é um pedaço de mim, eu vivi um terço da minha vida lá!
A decisão de voltar não foi fácil e nem de uma hora pra outra. Começou com uma crise no trabalho, que se juntou à crise dos 30. Tinha a sensação de não estar fazendo o que eu queria fazer e nem onde eu queria fazer. Tive de abrir mão dos meus confortos, do conhecido, de estar perto do meu namorado. Entre querer ir embora e ir, foi pelo menos um ano e meio.
Estou há 3 meses no Brasil numa fase meio de transição. Logo arrumei uns trabalhos freelance e estou me dividindo entre a casa da minha mãe e a do meu pai. Já voltei a Buenos Aires por uns dias, afinal quem não dá assistência, abre pra concorrência, se é que vocês me entendem. Estou fazendo um curso e tomando umas atitudes que eu espero que me levem aonde eu quero ir. E se não levarem, com certeza o caminho terá valido a pena. Já está valendo.
Pra quem não sabe, eu morei em Buenos Aires por 10 anos. Foi uma etapa muito importante na minha vida, foi o lugar onde "virei adulta" em quase todos os sentidos, onde fiz muitos amigos e conhecidos dos quais vou lembrar para sempre, onde ampliei minha cabeça e minha cultura, onde encontrei o meu amor.
Por tudo isso, acho que Buenos Aires para mim deu o que tinha que dar. Sentia que não queria mais estar lá, que não estava me fazendo bem. Estava de saco cheio de ser estrangeira, de não encaixar - sim, eu morei 10 anos lá e nunca me senti completamente "encaixada"- e da situação política e econômica de lá. Não que aqui esteja uma maravilha, como bem sabemos, mas lá eu achei que já extrapolava o meu limite.
Por exemplo: eu amo viajar, o que se torna muito difícil ganhando em pesos argentinos, com as taxas absurdas que passaram a ser cobradas pelo governo em tudo que envolve uma viagem ao exterior e com as enormes dificuldades para trocar dinheiro. Como disse uma amiga que voltou há alguns anos, bagunça por bagunça, eu fico com a minha. Não era minha bagunça.
Continuo adorando Buenos Aires porque realmente a cidade é linda, é interessante, é única - apesar de estar bem derrubadinha e suja. Buenos Aires é um pedaço de mim, eu vivi um terço da minha vida lá!
A decisão de voltar não foi fácil e nem de uma hora pra outra. Começou com uma crise no trabalho, que se juntou à crise dos 30. Tinha a sensação de não estar fazendo o que eu queria fazer e nem onde eu queria fazer. Tive de abrir mão dos meus confortos, do conhecido, de estar perto do meu namorado. Entre querer ir embora e ir, foi pelo menos um ano e meio.
Estou há 3 meses no Brasil numa fase meio de transição. Logo arrumei uns trabalhos freelance e estou me dividindo entre a casa da minha mãe e a do meu pai. Já voltei a Buenos Aires por uns dias, afinal quem não dá assistência, abre pra concorrência, se é que vocês me entendem. Estou fazendo um curso e tomando umas atitudes que eu espero que me levem aonde eu quero ir. E se não levarem, com certeza o caminho terá valido a pena. Já está valendo.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Não faz isso que a moça vai brigar
Aí outro dia eu tava feliz e contente comendo minha coxinha da Real quando chegam uma mãe e seu filhinho de uns três anos. Chato que só ele, o moleque. Sabe aquelas crianças que só falam choramingando? Aí eu fiquei só olhando, porque meu novo esporte é observar as mães com os seus filhos, e fiquei estarrecida com o que vi.
Primeiro o moleque queria que a mãe fizesse um carrinho no papel da comanda, ou pelo menos foi o que entendi da vozinha choramingada dele. Ela disse "não, não pode se não vão prender a gente, vão prender nós dois". Oi?
Logo depois não sei que outra chatice o moleque fez, e ela disse que "aquele moço lá" ia levar ele embora. Nem sei que moço era, vai ver era o segurança que nada tinha a ver com a história. Aliás, não é horrível quando você tá perto de uma mãe que faz isso, mas com você? Tipo "não chora, olha a moça olhando pra você, ela vai brigar!" Oi, olha, por mim ele pode chorar, eu já tava saindo mesmo. Odeio!
Ela ainda fez mais uma ameaça dessas nos 10 ou 15 minutos que durou a nossa "convivência" na padoca.
Agora eu me pergunto: PRECISA? Não dá pra falar pro menino parar porque ele tem que se comportar e pronto? Não dava pra ter autoridade própria em vez de ficar delegando, em vez de fazer essas ameaças imbecis e sem o menor fundamento? Pior que ela nem tentava outro método, já ia pro "vão te pegar" direto.
Sei que isso não é inédito. Quem não se lembra de bicho-papão, homem do saco? Ok, mas é um negócio tão antiquado, tão ultrapassado, não?
Até perguntei pra uma amiga psícóloga se isso não fazia mal pra criança (valeu, @joanasinger!). A resposta era o que eu previa: claro que sim! Desautoriza a mãe e pode confundir a criança. Acho que pode até traumatizar, né? E por bobagem.
Pior que o moleque nem ligava e continuava lá choramingando e fazendo chatice. Mas com uma mãe dessas, também...
Primeiro o moleque queria que a mãe fizesse um carrinho no papel da comanda, ou pelo menos foi o que entendi da vozinha choramingada dele. Ela disse "não, não pode se não vão prender a gente, vão prender nós dois". Oi?
Logo depois não sei que outra chatice o moleque fez, e ela disse que "aquele moço lá" ia levar ele embora. Nem sei que moço era, vai ver era o segurança que nada tinha a ver com a história. Aliás, não é horrível quando você tá perto de uma mãe que faz isso, mas com você? Tipo "não chora, olha a moça olhando pra você, ela vai brigar!" Oi, olha, por mim ele pode chorar, eu já tava saindo mesmo. Odeio!
Ela ainda fez mais uma ameaça dessas nos 10 ou 15 minutos que durou a nossa "convivência" na padoca.
Agora eu me pergunto: PRECISA? Não dá pra falar pro menino parar porque ele tem que se comportar e pronto? Não dava pra ter autoridade própria em vez de ficar delegando, em vez de fazer essas ameaças imbecis e sem o menor fundamento? Pior que ela nem tentava outro método, já ia pro "vão te pegar" direto.
Sei que isso não é inédito. Quem não se lembra de bicho-papão, homem do saco? Ok, mas é um negócio tão antiquado, tão ultrapassado, não?
Até perguntei pra uma amiga psícóloga se isso não fazia mal pra criança (valeu, @joanasinger!). A resposta era o que eu previa: claro que sim! Desautoriza a mãe e pode confundir a criança. Acho que pode até traumatizar, né? E por bobagem.
Pior que o moleque nem ligava e continuava lá choramingando e fazendo chatice. Mas com uma mãe dessas, também...
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Sobre hoje
Estou viajando e hoje tem protesto em São Paulo. Eu concordo com protestar pacificamente por uma cidade melhor, um país melhor, mas tenho que admitir que eu provavelmente não iria. A razão é uma só: eu sou MUITO cagona. Sou, admito, é um dos meus defeitos. Eu não vou nem em show, evito multidões, dou um boi pra não entrar numa briga e uma boiada se não for suficiente. Se vejo a coisa esquentando perto de mim, seja no trânsito, seja numa balada, eu tento dar um jeito de fugir. Tenho medo que saia tiro, que voem cadeiras, garrafas, que eu morra sem ter nada a ver com a confusão. Não vou nem em montanha-russa, tenho pavor. C-A-G-O-N-A. Desculpem.
Eu não sei qual será a efetividade dos protestos. Ninguém sabe. Eu brinco que se protesto adiantasse, a Argentina seria Primeiro Mundo, porque aqui (estou em Buenos Aires no momento) tem tipos TODO DIA. Mas é outra coisa, é outro contexto, é outra história.
Mesmo não indo, fico muito feliz de ver que não, não estamos satisfeitos, e sim, queremos que tudo mude. Não é possível que um país rico como o nosso tenha tanta desigualdade e um déficit tão grande em coisas tão básicas quanto educação, saneamento, condições minimamente decentes de vida. Isso é a base dos problemas que enfrentamos, principalmente da violência.
O que eu mais espero mesmo é que este momento sirva também para cada um de nós pôr a mão na consciência e ver o que podemos fazer para mudar a mentalidade da sociedade em que vivemos - porque "os políticos" que a gente costuma culpar por todos os males vêm da mesma sociedade que a gente, são um reflexo dela. O que podemos fazer para mudar a nossa própria mentalidade, a de quem nos cerca?
Não adianta pedir o fim da corrupção mas molhar a mão do guarda quando for pego dirigindo sem carteira. Não adianta pedir respeito mas estacionar na vaga de cadeirante no shopping lotado. Não adianta pedir uma cidade melhor mas sonegar impostos. Não adianta querer uma cidade com menos trânsito mas usar o carro para ir de casa à padaria às 6 da tarde. Não adianta ficar chocado com o alemãozinho tomando tiro de traficante mas não deixar de comprar sua droguinha pro fim de semana.
Protestemos, sim, e façamos também a nossa parte todos os dias, o máximo que pudermos. Só assim tudo vai mudar pra melhor para todos nós. Vamos repensar o Brasil - e tenhamos em mente que o Brasil não é os políticos, não é os outros, nem os evangélicos, nem a Rede Globo, nem PT, nem PSDB. Brasil é você, somos nós.
Eu não sei qual será a efetividade dos protestos. Ninguém sabe. Eu brinco que se protesto adiantasse, a Argentina seria Primeiro Mundo, porque aqui (estou em Buenos Aires no momento) tem tipos TODO DIA. Mas é outra coisa, é outro contexto, é outra história.
Mesmo não indo, fico muito feliz de ver que não, não estamos satisfeitos, e sim, queremos que tudo mude. Não é possível que um país rico como o nosso tenha tanta desigualdade e um déficit tão grande em coisas tão básicas quanto educação, saneamento, condições minimamente decentes de vida. Isso é a base dos problemas que enfrentamos, principalmente da violência.
O que eu mais espero mesmo é que este momento sirva também para cada um de nós pôr a mão na consciência e ver o que podemos fazer para mudar a mentalidade da sociedade em que vivemos - porque "os políticos" que a gente costuma culpar por todos os males vêm da mesma sociedade que a gente, são um reflexo dela. O que podemos fazer para mudar a nossa própria mentalidade, a de quem nos cerca?
Não adianta pedir o fim da corrupção mas molhar a mão do guarda quando for pego dirigindo sem carteira. Não adianta pedir respeito mas estacionar na vaga de cadeirante no shopping lotado. Não adianta pedir uma cidade melhor mas sonegar impostos. Não adianta querer uma cidade com menos trânsito mas usar o carro para ir de casa à padaria às 6 da tarde. Não adianta ficar chocado com o alemãozinho tomando tiro de traficante mas não deixar de comprar sua droguinha pro fim de semana.
Protestemos, sim, e façamos também a nossa parte todos os dias, o máximo que pudermos. Só assim tudo vai mudar pra melhor para todos nós. Vamos repensar o Brasil - e tenhamos em mente que o Brasil não é os políticos, não é os outros, nem os evangélicos, nem a Rede Globo, nem PT, nem PSDB. Brasil é você, somos nós.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Dia dos Namorados
É dia dos Namorados mas nem tenho muito para escrever. Faz anos que não comemoro a data porque morava em outro país. Lá, como em boa parte do mundo, o dia é comemorado 14 de fevereiro, o "San Valentín" ou "Valentine´s Day". Como também é o aniversário do meu respectivo, a coisa acabava sendo mais pelo aniversário dele que pelo dia em si.
Uma vez eu li que no Brasil inventaram a data porque o comércio nesta época do ano era muito fraco. Pode ser, mas aí bem que o povo pegou na corda, né?
Seja lá o motivo, é sempre gostoso celebrar o amor, seja como for, seja qual for. Quem está perto do respectivo, aproveite. Se está bem com ele, se ambos estão felizes, comemorem mais ainda, porque isso é tão difícil, né?
E quem, como eu, está longe do par ou não tem um par, bom... é só um dia qualquer, vai!
Uma vez eu li que no Brasil inventaram a data porque o comércio nesta época do ano era muito fraco. Pode ser, mas aí bem que o povo pegou na corda, né?
Seja lá o motivo, é sempre gostoso celebrar o amor, seja como for, seja qual for. Quem está perto do respectivo, aproveite. Se está bem com ele, se ambos estão felizes, comemorem mais ainda, porque isso é tão difícil, né?
E quem, como eu, está longe do par ou não tem um par, bom... é só um dia qualquer, vai!
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho?
Esses dias a lindinha da Amanda do Buenos Aires para Chicas compartilhou no Facebook a seguinte imagem, que eu compartilhei também:
Acho que dá pra entender, mas traduzo: "se você não é feliz solteira, também não vai ser feliz em uma relação. A felicidade vem do seu interior, não de um homem".
Eu interpreto isso de "ser feliz sozinho" como buscar a felicidade sem depender tanto de fatores externos e que muitas vezes fogem do nosso controle, como ter um namorado. O desejo de estar com alguém é absolutamente natural e legítimo, afinal quem não gosta de tudo de bom que um relacionamento pode trazer? Estar bem solteira não quer dizer que não se possa querer ter alguém.
Mas não podemos achar que SÓ se tivermos um namorado vamos ser felizes ou que arranjar alguém vai ser a solução mágica para os nossos problemas. Ou até podemos achar, mas aí quem fica mal é a só a gente mesmo, né? E por isso pode acabar se afundando na melancolia em vez de aproveitar um tempo da vida que poderia ser bem gostoso.
Além disso, depositar em alguém todas as suas expectativas de felicidade é jogar uma responsabilidade enorme em cima dessa pessoa, não? De ela TER que te fazer feliz, de depender tanto dela para estar bem. Provavelmente fazer isso é um prato cheio para a frustração, porque nada nem ninguém pode nos garantir uma felicidade completa e eterna.
Em vez de só choramingar pelos cantos por estar sem namorado, enxergar e valorizar o que temos de bom na vida já ajuda muito. Pegar leve, não levar as coisas tão a sério e nem tão a ferro e fogo também é uma boa. Não é?
Acho que dá pra entender, mas traduzo: "se você não é feliz solteira, também não vai ser feliz em uma relação. A felicidade vem do seu interior, não de um homem".
Eu interpreto isso de "ser feliz sozinho" como buscar a felicidade sem depender tanto de fatores externos e que muitas vezes fogem do nosso controle, como ter um namorado. O desejo de estar com alguém é absolutamente natural e legítimo, afinal quem não gosta de tudo de bom que um relacionamento pode trazer? Estar bem solteira não quer dizer que não se possa querer ter alguém.
Mas não podemos achar que SÓ se tivermos um namorado vamos ser felizes ou que arranjar alguém vai ser a solução mágica para os nossos problemas. Ou até podemos achar, mas aí quem fica mal é a só a gente mesmo, né? E por isso pode acabar se afundando na melancolia em vez de aproveitar um tempo da vida que poderia ser bem gostoso.
Além disso, depositar em alguém todas as suas expectativas de felicidade é jogar uma responsabilidade enorme em cima dessa pessoa, não? De ela TER que te fazer feliz, de depender tanto dela para estar bem. Provavelmente fazer isso é um prato cheio para a frustração, porque nada nem ninguém pode nos garantir uma felicidade completa e eterna.
Em vez de só choramingar pelos cantos por estar sem namorado, enxergar e valorizar o que temos de bom na vida já ajuda muito. Pegar leve, não levar as coisas tão a sério e nem tão a ferro e fogo também é uma boa. Não é?
sábado, 1 de junho de 2013
Todo dia primeiro
Todo dia primeiro do mês, ou no máximo no dia 2 ou 3, eu vou ver o que diz a Susan Miller sobre o que me espera no mês que está começando.
Pra quem não sabe, ela é uma astróloga americana famosa que escreve suas previsões para os signos no site Astrology Zone, no twitter, em livros, revistas e sei lá eu mais onde.
Não é que eu acredite piamente em astrologia, sempre fui de dar uma olhada no horóscopo mas esquecer o que ele dizia cinco minutos depois. Só adquiri o hábito de ler a Susan (como eu a chamo carinhosamente) depois que ela mandou eu sair no dia 22 de janeiro de 2009 pra encontrar o "true love", eu saí (afinal, não custa nada tentar) e tô até hoje namorando o rapaz que conheci naquele dia (pra ver a história completa, clique aqui). Desde então, as coisas que Tia Susan diz sempre têm a ver com algum aspecto da minha vida no momento, então sempre vou lá dar uma olhadinha.
Aliás, já tá terminando o dia 1o e nem li tia Susan ainda! Vou lá, tchau!
Aliás, já tá terminando o dia 1o e nem li tia Susan ainda! Vou lá, tchau!
Assinar:
Postagens (Atom)




